31 de maio de 2021

O BRANCO VERDE AMARELO QUE NÃO QUER PRETO.

No país dos brancos, cristãos e liberais, muitos pretos, sempre pobres e periféricos, são chacinados em becos sem saídas, torturados em palafitas (e hipermercados) e confinados em jaulas. 

 Ahhh, quem dera, fossem tratados como os bichos?! 

 Mas não, aos olhos dos “bons e bem criados (e armados) homens”, não passam de ervas daninhas que precisam arrancadas do solo “és mãe gentil". 

A frase do “vice”, que sequer sabia o nome de um dos vinte e sete não brancos e ricos, é emblemática: “é tudo bandido”. 

 E mesmo que fossem “27 bandidos com fichas corridas”, deveriam ter sido detidos, ouvidos, mantidos ou não presos segundo a situação de cada, mas não “acusados, julgados, sentenciados e mortos por um policial numa fração de segundos. 

 Só faltaram os bracinhos e os punhos fechados pra o alto enquanto saltita feliz pela “bem sucedida operação” na “pátria amada, Brasil”. 

 Ao branco e rico, o devido processo legal, pois somos uma “nação civilizada e democrática”, mas aos pretos pobres e periféricos, a pena capital em batidas muito bem “mal planejadas”. Afinal de contas, vinte e sete corpos e meia dúzia de fuzis como saldo soa muito estranho. Ou não?! 

 Aqui nesta terra verde e amarela, pretos, pobres e periféricos sempre são vistos como suspeitos pelo bacana engomadinho e punidos pelos seus “leões de chácara” (fardados ou não) antes que se prove o contrário. 

 A vida que o sistema tem lhes proporcionado já configura uma sentença. Pra eles sobreviver é mais que um ato de resistência. Antes que morram, segundo aquela música, “correndo nos becos que nem ratazanas” e subindo em pedreiras que nem lagartixas”.

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