16 de abril de 2021

AS PANDEMIAS DE ONTEM E HOJE

Prof Cires

Hoje falei sobre pandemia. Numa das aulas que ministrei no curso da História Medieval. Refiro-me à pandemia que se abateu sobre os europeus em meados do século XIV, portanto a quase setecentos anos.
Usei duas grandes obras como ilustração: o livro Decameron de Giovanni Boccaccio, que é uma narrativa de quem viveu o drama da Peste Negra, e a tela “O Triunfo da Morte” do pintor belga e seiscentista Peter Bruegel, O Velho. O pintor, embora não tivesse sido testemunha ocular daquela pandemia, a retratou com profunda sensibilidade e fidedignidade. (Veja a tela anexada.)
Nesta aula sobre a Crise do Século XIV, senti algo diferente que até então não havia sentido noutras aulas com este mesmo tema. Senti na pele a tragédia humana decorrente das guerras, da inanição e das enfermidades, pois estamos vivendo uma situação semelhante, embora não com a mesma intensidade.
Há quase setecentos anos, não havia os recursos da ciência que dispomos hoje, portanto as debilidades pra enfrentar as enfermidades e a letalidade eram muito maiores. Pra que tenham uma ideia disto, a população europeu em 1300 a era de 78 milhões e, em 1400, recuou pra 57 milhões. Não há registro na história europeia de uma retração demográfica, proporcionalmente, tão superlativa.
Houve naquela época quanto há agora, obstáculos para o enfrentamento mais adequado das respectivas crises sanitárias. Os obstáculos mais expressivos tem sido colocados por aqueles que consideram a ciência uma ameaça aos dogmas religiosos, estes pretensamente delineadores de mentalidades e condutas retrogradas.
Na crise do século XIV fiz referência à contenção retrógrada articulada pela poderosa Igreja Católica no Ocidente Europeu. Já na crise atual, a contenção retrógrada está presente pontualmente em alguns países.
Infelizmente o Brasil é o principal exemplar da contenção atual. Seu governo central, amparado e apoiado por algumas designações religiosas cristãs mais refratárias ao protagonismo humano que, segundo elas, conspiram contra o providenciado por Deus, ignoram os especialistas e a ciência.
Não é, portanto, de se estranhar o fato de que o número de casos e de óbitos têm sido no Brasil, proporcionalmente, os maiores de todo o mundo.

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