RESOLUÇÃO PROVA DE HISTÓRIA VESTIBULAR UFU MAIO 2019

 Professor Cires Pereira



QUESTÃO 11

As revoluções que abalaram a Inglaterra no século XVII caracterizaram a superação tanto do modo de produção feudal quanto do Antigo Regime e de suas instituições. Isso possibilitou o surgimento e o desenvolvimento de uma sociedade burguesa e a futura emergência da produção capitalista no país. Um dos principais nomes desse processo revolucionário foi o de Oliver Cromwell que, após um período de guerra civil, instaurou uma República que durou entre os anos 1649 e 1658.

Considera-se como alguns dos principais feitos do período Cromwell, EXCETO,

A) a conquista da Irlanda, com a expropriação dos proprietários de terra e dos camponeses.

B) a vitória dos ideais Levellers (sufrágio, fim dos monopólios, separação entre Estado e Igreja etc.).

C) a conquista da Escócia, com o intuito de impedir ali o reestabelecimento da velha ordem.

D) o empreendimento de uma política naval e comercial mais avançada por meio do Ato de Navegação de 1651.


QUESTÃO 12

“A apaixonada crença no progresso que professava o típico pensador iluminista refletia os aumentos visíveis no conhecimento e na técnica, na riqueza, no bem-estar e na civilização que podia ver em toda a sua volta e que, com certa justiça, atribuía ao avanço de suas ideias. No começo do século, as bruxas ainda eram queimadas; no final, os governos do Iluminismo, como o austríaco, já tinham abolido não só a tortura judicial, mas também a servidão”

HOBSBAWN, Eric. A Era das Revoluções: 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1982. p. 38.

Considerando-se o Movimento Iluminista, são características desse movimento, EXCETO,

A) críticas ao mercantilismo e às instituições centralizadoras do absolutismo.

B) críticas ao monopólio comercial, pois esse inviabilizaria o mercado autorregulado.

C) críticas ao questionamento, à investigação e à experiência como forma de conhecimento da natureza.

D) crença nos direitos naturais (à vida, à liberdade e à propriedade privada).


QUESTÃO 13

A partir do século XI, observa-se em várias localidades da Europa Ocidental uma intensificação das atividades comerciais. Dentre os fatores que explicariam esse “renascimento comercial”, analise as informações abaixo.

I. Uma forte diminuição demográfica, causada pela chamada peste negra e pelas chamadas invasões bárbaras.

II. O aumento do número de cidades e da intensificação da divisão social do trabalho que ajudou no desenvolvimento do artesanato.

III. O aumento da atividade bancária como atividade cada vez mais significativa para expansão do comércio.

Em relação a essas informações, assinale a alternativa que apresenta as afirmativas corretas.

A) II e III.

B) I e II.

C) I e III.

D) I, II e III.


QUESTÃO 14

“A colonização brasileira tomou o aspecto de uma vasta empresa comercial que, apesar de ser mais complexa que o sistema de feitorias, manteve o mesmo caráter que essa, explorando os recursos naturais em proveito do comércio europeu. [...] Esse sentido da colonização explicará a formação e a evolução histórica dos trópicos americanos”.

PRADO Júnior, Caio. História Econômica do Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1962. p. 22-23. (Adaptado)

De acordo com a teoria apresentada, o modelo colonizador implementado no Brasil apresentava as seguintes características, EXCETO,

A) a proibição da instalação de manufaturas na colônia do Brasil, o que garantia à burguesia mercantil metropolitana a venda de mercadorias produzidas na Europa com altas margens de lucro.

B) um sistema de agricultura baseado na policultura voltada para a exportação e financiada, sobretudo, por investimentos externos. Esse modelo ajudou a inviabilizar a formação de pequenas e de médias propriedades.

C) a organização da produção em larga escala, por meio de uma estrutura latifundiária, com uso de mão de obra escrava, sobretudo, de origem africana.

D) o chamado “exclusivo comercial”, o que garantia aos grandes comerciantes e à coroa portuguesa a apropriação da maior parte da renda gerada na colônia.


QUESTÃO 15

“[...] foi o mais notável movimento popular do Brasil. O único em que as camadas mais inferiores da população conseguiram ocupar o poder de toda uma província com certa estabilidade. [...] primeira insurreição popular que passou da simples agitação para uma tomada efetiva de poder.”

PRADO JÚNIOR, Caio. Evolução Política do Brasil e outros estudos. São Paulo: Brasiliense, 1975. p. 69. (Adaptado)

A citação acima diz respeito à Cabanagem, uma das principais revoltas ocorridas no chamado Período Regencial Brasileiro. Acerca desse movimento, é correto afirmar que

A) ocorreu na cidade de Salvador, em 1835, com significativa participação de africanos escravizados de origem muçulmana. O levante durou menos de 24 horas e foi duramente reprimido. Os revoltosos sobreviventes foram mortos, presos ou degradados.

B) ocorreu no Maranhão entre os anos de 1838 e 1841 e foi liderado por homens pobres (com apoio de escravos, de vaqueiros e mesmo de alguns fazendeiros) que enfrentaram grandes proprietários de terra, comerciantes e autoridades políticas.

C) ocorreu na província da Bahia entre os anos de 1837 e 1838. Seu objetivo era, dentre outros, a criação de uma república de caráter transitório até que Dom Pedro II alcançasse a maioridade.

D) ocorreu na província do Grão-Pará, entre 1835 e 1840, em decorrência da exploração sofrida pelos trabalhadores submetidos a um regime de trabalho de semiescravidão. Esses foram violentamente reprimidos e aproximadamente 30 mil pessoas morreram assassinadas por tropas imperiais e em incêndios.


QUESTÃO 16

A Constituição de 1988, denominada por Ulysses Guimarães como “Constituição Cidadã”, garantiu ao povo brasileiro a vigência, mesmo que precária, de um Estado Democrático de Direito. As principais garantias para o exercício da cidadania no Brasil listadas abaixo foram conquistadas a partir da Constituição de 1988, EXCETO,

A) a garantia do direito de voto para todos os presos.

B) a garantia do direito de voto aos analfabetos.

C) o voto facultativo para menores de 18 anos e maiores de 16 anos.

D) o direito ao voto secreto e direto, inclusive em plebiscitos e referendos.


QUESTÃO 17

De acordo com Bernard Baylin, em seu livro As Origens Ideológicas da Revolução Americana, depois da promulgação da Lei do Selo, os colonos americanos começaram a pensar que havia uma conspiração inglesa para cercear as liberdades na América do Norte. E essa crença transformou o sentido da luta dos colonos e acelerou o movimento de oposição, que posteriormente acabou levando à independência e à criação dos Estado Unidos da América.

Em relação à Lei do Selo, é correto afirmar que

A) essa lei foi aprovada pelo Parlamento Inglês em 1765, estabelecendo que todos os documentos em circulação na colônia americana deveriam receber selos provenientes de toda a Europa e, somente com esses, sua circulação estaria legalizada.

B) essa lei durou vários anos, mas, devido às ações dos representantes dos colonos americanos no parlamento inglês, tal taxa foi cancelada sob forte protesto de parlamentares representantes dos interesses comerciais da metrópole.

C) o rei inglês justificava essa lei, argumentando que o tesouro inglês havia se esgotado com a Guerra dos Sete Anos, e que também era dever dos colonos pagar as dívidas, contraídas também a favor dos interesses deles.

D) essa lei taxava também artigos de consumo, como o chá, o vidro, o papel e outros. Por causar a elevação de preços desses artigos, a Lei do Selo provocou inúmeros confrontos, considerado um dos fatores que conduziu ao processo de independência dos Estados Unidos da América.


QUESTÃO 18

“A não violência é a maior força e a mais ativa do mundo [...] Uma pessoa que sabe expressar a não violência em sua vida exerce força superior a todas as forças da brutalidade [...]”

Revista Paz e Terra, n. 6, ano II, p. 283. (Adaptado)

Mahatma Gandhi destacou-se como um líder pacifista que acreditava que a independência indiana da Inglaterra seria conquistada a partir da não violência e da mobilização espiritual. Primeiro país a conseguir a independência após a Segunda Guerra Mundial, a Índia não conseguiu manter a sua unidade territorial.

Em relação a esse processo, é INCORRETO afirmar que

A) em 1947, a Índia foi declarada independente e seu território foi divido em dois estados: Paquistão, com maioria muçulmana, e a própria Índia.

B) a artificialidade das fronteiras deixou o caso da região da Caxemira em aberto, gerando, desde então, tensão e conflitos entre os dois países.

C) depois de muito conflito, em 1972, a parte oriental do Paquistão se tornou independente e passou a se denominar Bangladesh.

D) a independência da Índia se deu, diferentemente do que pregava Gandhi, através de uma longa guerra de guerrilha, deixando milhares de mortos.


QUESTÃO 19

“Quase toda a soma de nosso conhecimento, que de fato se deva julgar como verdadeiro e sólido conhecimento, consta de duas partes: o conhecimento de Deus e o conhecimento de nós mesmos. Como, porém, se entrelaçam com muitos elos, não é fácil, entretanto, discernir qual deles precede ao outro, e ao outro origina. [...] Por outro lado, é notório que o homem jamais chegue ao puro conhecimento de si mesmo até que haja antes contemplado a face de Deus, e da visão dele desça a examinar-se a si próprio [...].

CALVINO, João. As Institutas ou Tratado da Religião Cristã. São Paulo: Cultura Cristã. p. 47-48. (Adaptado)

A Reforma Protestante pode ser definida como um movimento de caráter essencialmente teológico com inúmeras consequências políticas e religiosas. Uma de suas causas foi a inquietação espiritual de parte do clero frente a crise clerical verificada em fins da Idade Média.

Em relação à Reforma Protestante, é correto afirmar que

A) suas raízes podem ser encontradas já em fins da Idade Média nas obras e nos pensamentos de homens, como John Wycliff e Jan Huss, que já, nos séculos XIV e XV, criticavam a venda de indulgências e a hierarquia eclesiástica.

B) se desenvolveu uma forte crítica ao pensamento racional e ao individualismo moderno, devido à importância atribuída à Bíblia e a seus códigos morais rígidos.

C) a partir da reforma luterana, desenvolveram-se, por toda a Europa, igrejas protestantes e/ou reformadas, centralizadas, cujas autoridade e limites se sobrepunham às fronteiras dos Estados Nacionais do período.

D) a salvação era obtida por meio da graça de Deus, mas também pela participação na eucaristia, momento em que o pão e o vinho se transformavam no corpo de Cristo (transubstanciação), segundo João Calvino.


QUESTÃO 20

“O capitalismo é uma religião de mero culto, sem dogma. O capitalismo desenvolveu-se no Ocidente como um parasita no cristianismo – não apenas no calvinismo, mas também como deve ser mostrado, nas várias correntes cristãs ortodoxas – de tal maneira que, no final, a história do cristianismo é essencialmente a de seu parasita, o capitalismo”.

BENJAMIN, Walter. O capitalismo como religião. Adaptado de uma conferência de Michael Löwy na USP no dia 29 de setembro. Trad. GONÇALVES L. R. M. In: Folha de S.Paulo, Caderno Mais, domingo, 18 de setembro de 2005.

Segundo Walter Benjamin, o capitalismo não representa apenas, como propõe Max Weber, uma forma de secularização da fé protestante, mas também seria ele próprio uma espécie de culto religioso, que se desenvolve de modo parasitário a partir do cristianismo e acaba por substituí-lo.

De acordo com os posicionamentos acima, o capitalismo apresenta as seguintes características, EXCETO,

A) ser uma religião cultual, a mais extremada e absoluta já existente, na qual o dinheiro se torna objeto de um culto similar ao dos santos das religiões tradicionais.

B) ser um culto permanente, realizado diariamente, tanto nas bolsas de valores quanto no trabalho mecânico nas fábricas. Esse culto gera angústia tanto naqueles que observam a subida ou a descida das cotações das ações quanto naqueles que trabalham em péssimas condições.

C) ser um culto capitalista, não destinado à expiação de uma culpa embora gerador de mais culpa. Ser uma "culpa" dos humanos por seu endividamento constante com o capital e não ser esperança de expiação permitida ao pobre, permanentemente endividado.

D) ser uma religião cultual na qual o Deus-Mercado concede a todos e da mesma forma igualdade de condições e de oportunidades ao acesso aos bens de consumo. Ele premia seus fiéis com felicidade e com êxtase permanente frente à compra e ao endividamento.




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