WOLFANG SALVA!

CIRES PEREIRA

WOLFANG AMADEUS MOZART

Serpenteando pelas ruas, eis que por mim passa um estridente automóvel entoando um “bate-estaca”, básico e insuportável.
Antes que eu olhe para o motorista, com cara de “não gostei”, conto um, dois ... até dez e, passa!
Alcanço outra travessa pra mudar o curso de meu caminhar, ciente que precisarei apertar o passo
pra que a chuva que se avizinha não me faça prisioneiro de uma marquise qualquer.
Mas não deu, corro até que uma marquise me proteja e me prenda, era de um restaurante que começava a arrebanhar seus clientes pra o “happy hour das sextas-feiras. Numa fração de minuto, dois rapazes num canto do estabelecimento iniciam sua apresentação.
E eu, ali parado e à espera que a chuva passe, mas não, ela resolveu cobrar pelos pecados que prometi (mas não cumpri) pagar.
Passados os minutos de afinação dos instrumentos, os rapazes começam a cantarolar uma música que jamais tinha ouvido, mas parecia ser um clássico do “sertanejo do asfalto”. Mas como assim, um clássico?! Bem, esta foi a minha suspeita, considerando a reação acalorada do público e sua participação, em uníssono, ao que parecia ser o refrão. Não sei ao certo se era refrão, porque a excomungada da música só tinha três ou quatro versos. E repetia, repetia e... repetia...
Não suportava mais continuar ali, sob a marquise e ouvindo aquilo, resolvi enfrentar a chuva e as poças que ela produziu no asfalto mal recapeado.
Vinte minutos depois deste martírio, cheguei em casa, me descasquei e tomei uma chuveirada quente. Antes disto, coloquei uma música pra esquecer a poluição que havia me feito vítima. Meu banho foi no tempo de execução do clássico setecentista, agora sim, “A marcha turca” de Mozart, mas poderia ter sido ao som de outro clássico, um seiscentista francês homônimo: “Marche pour la cérémonie des Turcs” de Jean -Baptiste Lully.
Então é isto! Não reaja com violência, ouça músicas pra se defender de “certos barulhos”.
Salve-se também, Wolfang jamais te deixa na mão!

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