1 de fevereiro de 2021

“Porque a criatividade, generosidade e esperança são o que há de mais divino*


Prezados amigos, público aqui uma crônica escrita pelo meu amigo Hugo Rezende, exímio escritor, ex aluno. Ele dedica esta crônica a outro igualmente caro amigo e também professor Luís Bustamante.

Boa leitura pra todos!

Uma enfermeira, por trabalhar em um hospital lotado pela Covid-19, decidiu se isolar dos filhos pequenos e da própria casa. O dono da casa ao lado, ao saber da história, abriu mão temporariamente de alugar o imóvel e cedeu para que ela se resguardasse e, mesmo assim, pudesse ver ou ouvir os filhos minimamente, à distância.

Toda uma rua se comprometeu a fazer a compra do mês no mesmo dia, em um mercadinho, em que o jovem “gerente” sobrevive enquanto o pai está internado pelo coronavírus e, poucos dias antes, perdera a mãe para o mesmo vírus.

Um casal, praticante de corrida, passa todos os dias às 6h da manhã na casa em que vivem duas senhoras perto dos 70, perguntando o que deve comprar na padaria situada a pouco menos de um quilômetro. No final do exercício entregam o pedido e perguntam qual o número configurado como chamada rápida-o número é do casal,ambos confortáveis financeiramente, que trabalham seis horas por dia e cada um proprietário de carros novos e potencialmente velozes na garagem.

Um policial decide mudar a parada da patrulha para uma rua em que há muitas casas em que os netos ficam com as avós-antes da pandemia, as crianças lotavam a rua com brincadeiras e a maioria das avós observando tudo dos portões. Hoje em dia mudou, o único rito é o conhecido policial passando à tardinha, em baixíssima velocidade, perguntando às senhorinhas se está tudo bem.

Um grupo composto de estudantes de Biologia, Agronomia e jovens poetas e poetisas pedem licença às familias que perderam entes queridos para o Covid-19 e entregam um vaso com uma rosa, uma rápida lição de calçada sobre como plantarem mais rosas, e por fim ouvem um poema declamado instantaneamente sobre esperança e sugere que a flor tenha o nome de quem partiu.

Um menino inquieto e inteligente bolou uma ideia e espalhou por todo o prédio, que depois se alastrou pelo bairro e, depois, em sua rede social: cada pessoa deveria doar uma peça de roupa e esta escolheria outra pessoa que deveria doar comida e esta escolheria outra que doaria duas máscaras e um produto de limpeza. Em menos de um mês, toda a cidade se rendeu à curiosa engenhosidade. E a hashtag #ummaisumnaoedois, feita pelo garoto, está cada vez mais conhecida e admirada.

O que quero dizer? Que o Brasil,apesar de ser um país assolado pela pandemia e gerido por alguns políticos monstruosamente irresponsáveis, há pessoas que agem com incrível beleza em seus pequenos mundos particulares e isso prova que o bem é profundamente misericordioso e a atitude válida de eternidade.

A morte, pelo contrário, é sim uma tragedia. Mas também carrega um poder redentor de responsabilidade que cairá judiciaria e espiritualmente sobre quem é constitucionalmente imbuído das grandes ações, basta esperar o requinte do tempo.

A nós, socialmente pequenos, cabe olhar o próximo como outro sobrevivente que hoje também sofre e, não importando o texto da oração religiosa, necessita da gente. Da mesma forma que eu também preciso. E, lá na frente, que a História nos descreva com as imensas feridas deste ano, porém também dê lugar aos milhares de exemplozinhos de grandiosidade silenciosa que, para mim, podem ser resumido com uma constatação: Deus existe. E se esse texto for ficcional?? Se você o leu e tem sensibilidade, ele existe e poderosamente.”

*Hugo Rezende - Dedicado a meu Professor e Mestre Luís Bustamante

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