1 de fevereiro de 2021

PANDEMIA (QUEM SE IMPORTA?) E “VIDA A MIL” NO BRASIL

CIRES PEREIRA

De norte a sul e de cabo a rabo, as praias brasileiras estão lotadas, os bares estão entupidos de gente e festas tem por toda parte (até o sol raiar e enquanto a polícia não chega). É como se não houvesse pandemia.
Crise?!
Que crise?!
As vacinas estão ainda sendo testadas, mas a galera já está se sentido imunizada. Sabe aquela hipótese de que com 20% de acometidos numa região, se tem a “imunidade de rebanho”?
Então....
Ahhh, mas no Brasil que tanto se lê e se instrui, hipótese é o mesmo que postulado e pronto. Oba, então vamos nos espalhar e congregar porque aqui o Covid já deu o que tinha que dar, uhuuuu.
Nos hospitais e postos de atendimento a labuta dos homens e mulheres de branco continua a mil, muitos dos quais sacrificando seus tempos de descanso e se desdobrando pra darem conta da demanda que é ainda muito alta.
Estes mesmos de branco, além da fadiga de atenderem e salvarem vidas, não aguentam mais entoar o mantra (agora pra paredes): “usem máscaras, tentem guardar distância com os outros, evitem sair de suas casas, lavem as mãos”. Confesso que estou já cansado em fazê-lo, e olha que não passo de um reles professor.
Como dizem alguns: “Brasil tá osso, mas o brasileiro leva tudo na brincadeira”
Definitivamente a culpa pelos 4 milhões de casos oficiais (deve ser no mínimo o dobro), dos quais mais de 126 mil já morreram, não é só das autoridades pelo Brasil inteiro, muitos brasileiros são também culpados por esta que é a maior crise de todos os tempos no Brasil.
Todos que neste momento, reitero, estão por aí se encontrando nas praias, nos bares, nas festas, nos clubes e nas praças, estão preocupados com o momento e querem se “divertir” e não se preocupam com o “preço” a ser pago.
Quando interpelados por “chatos” como eu, dizem que “precisam viver”, que estão “reanimando a economia e gerando emprego” e que “ninguém tem nada a ver com suas vidas”, esta última um eufemismo pra uma paroxítona mais a partícula “se” iniciada com F.
E segue a “vida a mil aqui nos trópicos”, uma inflexão necessária do falecido cancioneiro cearense Belchior.
A pandemia não os fazem parar, até que... bem, parei por aqui!


Praia de de Ipanema domingo dia O6 de setembro
Imagem: Gabriel Bastos/Estadão Conteúdo

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