CONTRIBUIÇÃO A UM BALANÇO NECESSÁRIO

Cires Pereira
Penso que em vários cantos do mundo a narrativa, comumente histriônica, da direita ultraliberal, negacionista e conservadora começa a refluir por obra e graça daqueles e daquelas que se posicionam em Campos mais progressista. Os “democratas” de modo geral, as esquerdas e os movimentos identitários têm se reanimado visando a contenção desta direita mais empedernida.

Nos EUA

O voto em Biden em Estados-chaves que haviam sido palco de vitórias do Trump em 2016 e as manifestações em favor das minorias e antissegregacionistas impuseram uma derrota importante ao “trumpismo”.

Na Europa
A extrema direita praticamente ficou sem seu discurso central (neoliberal) em meio à pandemia que tem exigido dos governos a adoção de medidas “anti cíclicas” ou antiliberais. O reflexo já começa a ser percebido na queda dos percentuais de voto em partidos e candidaturas anti-UE e antissistema (sic).

Na América Latina
A vitória de Fernandes/Kirchner sobre o “macrismo”, a resiliência do governo Maduro, a vitória do sim pela ANC no Chile e a vitória do MAS na Bolívia (uma multidão abriu seus braços pra recepcionar o ex presidente Evo Morales) sinalizam o esgotamento de uma agenda neoliberal e conservadora em nossos vizinhos

No Brasil
As eleições deste 15 de novembro apontaram pra o que pode ser o início do esgotamento do bolsonarismo. As vitórias de candidaturas com pautas identitárias nos grandes e médios municípios são uma reação importante ao discurso heteronormativo e fascista de Bolsonaro e seus andaimes como a maioria dos clérigos evangélicos e setores mais conservadores católicos.
Os partidos do campo progressista deram demonstração de que são capazes de aprender com eventuais erros estratégicos de campanha e de governo pra restabelecerem suas audiências com os setores populares e a classe média. Enfim, pra nós “luto” sempre será verbo.
Chegamos então na maior cidade do triângulo mineiro, Uberlândia. É verdade que o prefeito do campo “deles” foi reeleito, uma vitória facilitada também pela nossa dificuldade em construir uma unidade contra eles. Mas é também fato que o legislativo municipal vai mudar. A mudança mais perceptível diz respeito à sua composição por gênero. Sete mulheres, num universo geralmente “patriarcaico”, foram eleitas e com expressivas votações. Provavelmente deverá ser o parlamento com maior presença feminina no país.
Dandara, por exemplo, é uma jovem mulher preta que tem se empenhado nas lutas antissegregacionista, feminista, LGBTQIA+ e dos trabalhadores em geral, foi a campeã dos votos numa cidade que ainda é refém do “coronalato” e do conservadorismo. Juntam-se à Dandara, uma mulher transexual, Gilvan Masferrer e outras seis mulheres. Baita décima vitória.
Tudo isso, aqui é no mundo inteiro, pode ser o prenúncio de que a disputa política pode sim voltar a ser mais equilibrada, com o debate mais qualificado e livre das famigeradas “fake news”.
Quanto aos que torciam por uma ordem não democrática pra reproduzirem suas “bestinhas”, advirto que não esmoreceremos pra preservar a democracia e combatê-los o suficiente pra que retornem às suas meras insignificâncias.

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