1 de fevereiro de 2021

CASO ROBINHO

CIRES PEREIRA

Segundo os autos lavrados pelas autoridades policiais italianas, tendo por base a denunciação da vítima (uma mulher albanesa) e escutas autorizadas pela justiça, o jogador de futebol Robinho e outros quatro homens abusaram sexualmente de uma mulher que se encontrava alcoolizada. O suposto crime de estupro coletivo ocorreu em Milão no noite de 22 de janeiro de 2013.
Na primeira instância, Robinho foi também responsabilizado e condenado a nove anos de reclusão na Itália. Seus advogados disseram que recorrerão, como a lei assegura.
Até que se esgote todos os recursos, Robinho como qualquer outra pessoa em sua situação tem o direito de continuar livre e trabalhando. Como de fato ele assim o fez, negociou um contrato de trabalho no Brasil com o Santos Futebol Clube. Houve pressão pra que o Santos não contratasse um “condenado pela justiça”, embora controversa esta é uma pressão legítima.
O Santos, após revelações de conversas de Robinho, em que admitiu participação no ocorrido, ainda que tenha insistido no consentimento da vítima, e muita pressão contra a contratação, decidiu não mais contrata-lo.
Acontece que nestas escutas (autorizadas pelo judiciário italiano), Robinho reconheceu que a vítima estava muito alcoolizada, logo a tese de um suposto consentimento cai por terra, ainda mais que eram “cinco homens e uma mulher alcoolizada”. Uma revelação que, a meu ver, reduz as chances de Robinho ser inocentado nas instâncias recursais.
A condenação foi amparada no artigo 609 bis do Código Penal Italiano que assim diz:
“Qualquer um, com violência ou ameaça ou mediante abuso de autoridade, obriga outro a ter ou sofrer atos sexuais é punido com a reclusão de cinco a dez anos.
Quem induz alguém a ter ou sofrer atos sexuais está sujeito à mesma pena:
1) Abusando das condições de inferioridade física ou psíquica da pessoa ofendida no momento do fato;”
Não quero me atecipar ao veredicto na corte de apelação, contudo é impossível não reconhecer o óbvio: Robinho admitiu que ele e seus amigos se aproveitaram de uma mulher alcoolizada, portanto abusaram da “inferioridade física e psíquica”, o que é crime.
Como se não bastasse, Robinho disse em entrevista recente ao UOL, “Infelizmente, existe esse movimento feminista. Muitas mulheres às vezes não são nem mulheres, para falar o português claro.”
Como assim, Robinho?! “Muitas Mulheres não são nem mulheres”?! O que seriam, então?! E quanto ao movimento feminista, por que “infelizmente”?! Sente-se incomodado por ele?!
Graças ao justo e heroico movimento feminista ao longo da história, casos como este em que você se envolveu não ficam mais impunes. Muito precisa ainda ser feito contra o machismo, quer “machistas” como você goste ou não!

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