1 de fevereiro de 2021

APOROFOBIA E RACISMO ESTRUTURAL: FLAGRANTES EXEMPLOS

CIRES PEREIRA


Duas crianças, após terem faturado alguns tostões no semáforo em BH, foram até o shopping mais próximo e compraram um lanche. Com os lanches adquiridos, foram até uma mesa na praça de alimentação pra se fartarem.
Desde que entraram no shopping, um dos seguranças acompanhou, preocupado, os movimentos das crianças que são negras e pobres.

O segurança resolveu abordar as crianças e pediu (ou teria ordenado? Mas e daí?!) que elas deixassem as dependências do shopping. Algumas pessoas ficaram incomodadas e não permitiram que as crianças saíssem.
Este caso aconteceu no Via Shopping de BH no dia 26 de novembro de 2020.
O liberal-clássico Adam Smith dizia, há duzentos e cincoenta anos, que consumidores/compradores e fornecedores/vendedores são distintos mas no ato da compra e venda se equiparam e se igualam. Bem, este axioma parece não fazer parte do segurança que insistiu em ver os dois garotos não como compradores/consumidores, mas como uma “ameaça” à segurança que deve primar o ambiente de um shopping. Caso não seja seguro, os “bem-nascidos” deixarão de frequenta-lo.
Será que todo “liberal” pensa assim? Não importam as diferenças, pois os diferentes são também clientes e devemos tratá-los como iguais. Nananinão, há uma condição nesta afirmação : “iguais desde que materializem a condição de clientes ou compradores”.
É um ledo engano crer que os liberais realmente querem que todos os indivíduos sejam tratados como iguais. Sempre que alguém fica contrariado com o governo, vocifera: “pô, pago impostos, então tenho direitos”. Mas, e quem não paga, também não teria direitos?! Muitos que pagam mais impostos ao Estado, ainda que proporcionalmente menos, reclamam porque não recebem “um tratamento à altura de sua importância para o país”
As crianças abordadas, também pagam impostos, pois no valor que desembolsaram pra comprarem o lanche estão embutidos impostos como IPI, ICMS, PIS COFiNS, etc. Mesmo assim são tratadas pelos supostos pagantes como “nao pagantes”
Esqueçamos as crianças na condição de consumidores e lembremos apenas das crianças. Caso estes lugares estivessem ocupados por outras crianças brancas e aparentemente filhas de “grandes contribuintes”, teriam sido abordadas pelo segurança como foram as outras? Certamente não.
O segurança sequer poderia ter abordado as crianças se elas ali estivessem sentadas e sem consumirem nada, como tantas outras. Algum segurança de um shopping teria coragem de pedir que eu, ali sentado só pra descansar, cedesse o lugar pra quem estivesse consumindo?

O desprezo pelos pobres (aporofobia) e o crime de racismo foram flagrantes e ninguém foi preso. Todos os dias ocorrem no Brasil eventos semelhantes. Sim Sr Mourão, há crime de racismo todos os dias no Brasil.

Nenhum comentário:

ESPECULAÇÃO SOBRE O TEMPO

CIRES PEREIRA Senhor imaterial das vidas humanas Divindade colossal sem seguidores Referência nada mensurável Suserano que prescinde de baju...