1 de fevereiro de 2021

Fosse eu, o Presidente do Brasil...

CIRES PEREIRA EM 09 DE JANEIRO DE 2021


Trata-se de uma provocação, não quero e 99,999999% também não querem que eu seja presidente do Brasil. Mesmo não querendo e podendo sê-lo, o que aqui escrevo bem que poderia ser aplicado pelo presidente atual, o que definitivamente não tem chances de ocorrer. Mesmo assim faço questão de tornar pública minha ideia.
Não hesitaria em decretar agora um “locktown”, pois é a única alternativa capaz de conter este previsível recrudescimento da pandemia em nosso país.

2021

CIRES PEREIRA


Será melhor se quisermos que assim o seja
Será maior se soubermos aproveitar todos os seus instantes.
Será diferente se refletirmos sobre nossa conduta.

“Porque a criatividade, generosidade e esperança são o que há de mais divino*


Prezados amigos, público aqui uma crônica escrita pelo meu amigo Hugo Rezende, exímio escritor, ex aluno. Ele dedica esta crônica a outro igualmente caro amigo e também professor Luís Bustamante.

Boa leitura pra todos!

INOMINÁVEL

CIRES PEREIRA

Detestável meliante
Abominável inconsequente
Absurdamente incorrigível!
Deplorável farsante
Execrável arrogante
Definitivamente insuportável!
Comumente pequeno e grotesco
Sempre patético e raso
Absolutamente dispensável!

BEIRUTE

CIRES PEREIRA

Sim, ela pertence aos libaneses, um presentaço dos fenícios que, tijolo por tijolo, edificaram a cidade mais bela de todas. E tudo começou no século XV antes de Cristo, portanto a 3.500 anos.
E quanto a Roma? Quanto a Bagdá? Paris e Londres? Não dá nem pra compará-las, pois sequer estas tinham nascido. Roma, a beira do Tibre data do século VIII antes de Cristo, Bagdá, entre o Eufrates e Tigre, foi fundada no século VIII depois de Cristo, Londres e Paris, com os seus mil anos, são as caçulinhas.

Brasilis

CIRES PEREIRA

Morenos, pardas e pretos
Pretas, morenas e pardos
Amarelos, vermelhas e brancas
Brancos, amarelas e vermelhos
Somos uma profusão de cores
Banhadas nas salobras e ocreadas águas dos ribeirões
Escaldados pelo sal que decanta do líquido oceânico.
Esculpidos pelas cachoeiras do continental terreno.

BRASIL DAS SILBRAS

 CIRES PEREIRA


Ora mastodôntico, ora virótico
As vezes isso, outras vezes aquilo
Sempre quase, nunca talvez
Dias carnaválicos, dias cinzísticos
Agora branquelo, logo enegrecido
Aqui caleidoscópico, ali monocromático
A alguns rígido, a outros flexível
Pra aqueles vermelhos, pra muitos anil
Surpreendente nem sempre, previsível quase sempre
Pra lá o aqui é atraso, mas pra aqui, lá é defasado
Eles nos pressionam, nós impressionamos
Chão de contrastes, terra de exclusão
Continental e largo, fino e desamparado
Tanto grosso e cascudo quanto sutil e suave
Calorento e amável, odiento e friento
Território tão largo e povo tão estreito
Mas às vezes igualmente largo
Seu SIL que canta merece o BRA que flama
Ainda que alguns pensem ser deles e (não) é!
Saibam que num porvir não muito distante
Ainda será nosso, o "Brasil das Silbras"

Lutemos pra que sejas!

CONDIÇÃO DO SER


CIRES PEREIRA
Mais que dizer, devo ouvir
Mais que fazer, deixe que o faça
Mais que escrever, preciso ler
Faço menos que leio
Escrevo aquém do que ouço
Digo menos do que se faz

FICA ASSIM

 CIRES PEREIRA

E fica por isso mesmo...

Governo apinhado de corruptos e arapongas
Parlamento carregado de arrivistas e fisiológicos
Policia que mata suspeitos, geralmente pobres e pretos
Magistrado que à luz do sol humilha o guarda
Procurador que pede pra prender suspeitos, mesmo sem provas de ilícitos
E fica por isso mesmo...

CENAS DO BRASIL

CIRES PEREIRA

Dez situações recentes que me habilita a concluir que o Brasil está se revelando um “paisinho de meia pataca”, ou se apequenando cada vez mais. Poderia enumerar dez vezes mais situações como estas, mas não quero tomar muito o tempo dos amigos e amigas.

01 - Os deputados estaduais piauienses, segundo medida da mesa diretora daquela Assembleia, poderão se tratar da Covid fora do Piauí, os cidadãos terão que bancar tudo.
02 - O Procurador Deltan Dallagnol cometeu erros, segundo o CNMP Conselho Nacional do Ministério Público, mas não será punido, pois os seus “erros” prescreveram. Obviamente que seria de pois de 41 postergações do próprio CNMP.
03 - O Desembargador paulista Eduardo Siqueira, flagrado humilhando o agente municipal em Santos, foi afastado de suas funções. Não precisará nem trabalhar, pois ganhará integralmente o salário.
04 - O Tribunal de Justiça do Rio e a Procuradoria Geral da República, ao contrário dos procuradores que investigam Flávio Bolsonaro, entendem que o Senador tem foro especial, logo as investigações sobre sua conduta deveriam ser suspensas.
05 - O STF mantém suspensa a ação contra o Senador tucano José Serra e sua filha. Não serão punidos, embora contra os mesmos as provas de ilicitude sejam robustas.
06 - O TRF1 decidiu pelo arquivamento do processo contra Michel Temer flagrado tentando obstruir justiça em conversas com os donos da JBS.
07 - O Presidente da Câmara Rodrigo Maia entende que a ameaça de Bolsonaro, que é reincidente, contra o jornalista não é suficiente pra se abrir um processo de Impeachment. Mais de 50 pedidos de abertura de processo contra bolsonaro estão parados na Câmara dos Deputados.
08 - Uma lista contendo o nome dos agentes públicos e professores que lutam contra o fascismo, bem ao estilo “Macarthista , foi elaborada por órgãos do governo, mas o STF se limitou a proibir que outras fossem feitas. Enfim, houve o crime contra o Estado de Direito Democrático, mas ninguém será punido.
09 - Mais de 118 mil mortos e 3.800.000 casos de Coronavírus no Brasil, mas o Ministério da Saúde continua não tendo um plano, sequer um Ministro da Saúde minimamente decente. E a maioria dos Estados e Municípios flexibilizando o isolamento social.
10 - O Ex ministro da Educação Weintraub ameaçou os Ministros do STF, sugeriu que devessem ser presos. Mas o ex ministro, não foi punido, sequer processo contra ele foi aberto. Como prêmio, passou a ocupar um cargo de chefia no Banco Mundial nos EUA.

PANDEMIA (QUEM SE IMPORTA?) E “VIDA A MIL” NO BRASIL

CIRES PEREIRA

De norte a sul e de cabo a rabo, as praias brasileiras estão lotadas, os bares estão entupidos de gente e festas tem por toda parte (até o sol raiar e enquanto a polícia não chega). É como se não houvesse pandemia.
Crise?!
Que crise?!
As vacinas estão ainda sendo testadas, mas a galera já está se sentido imunizada. Sabe aquela hipótese de que com 20% de acometidos numa região, se tem a “imunidade de rebanho”?
Então....
Ahhh, mas no Brasil que tanto se lê e se instrui, hipótese é o mesmo que postulado e pronto. Oba, então vamos nos espalhar e congregar porque aqui o Covid já deu o que tinha que dar, uhuuuu.
Nos hospitais e postos de atendimento a labuta dos homens e mulheres de branco continua a mil, muitos dos quais sacrificando seus tempos de descanso e se desdobrando pra darem conta da demanda que é ainda muito alta.
Estes mesmos de branco, além da fadiga de atenderem e salvarem vidas, não aguentam mais entoar o mantra (agora pra paredes): “usem máscaras, tentem guardar distância com os outros, evitem sair de suas casas, lavem as mãos”. Confesso que estou já cansado em fazê-lo, e olha que não passo de um reles professor.
Como dizem alguns: “Brasil tá osso, mas o brasileiro leva tudo na brincadeira”
Definitivamente a culpa pelos 4 milhões de casos oficiais (deve ser no mínimo o dobro), dos quais mais de 126 mil já morreram, não é só das autoridades pelo Brasil inteiro, muitos brasileiros são também culpados por esta que é a maior crise de todos os tempos no Brasil.
Todos que neste momento, reitero, estão por aí se encontrando nas praias, nos bares, nas festas, nos clubes e nas praças, estão preocupados com o momento e querem se “divertir” e não se preocupam com o “preço” a ser pago.
Quando interpelados por “chatos” como eu, dizem que “precisam viver”, que estão “reanimando a economia e gerando emprego” e que “ninguém tem nada a ver com suas vidas”, esta última um eufemismo pra uma paroxítona mais a partícula “se” iniciada com F.
E segue a “vida a mil aqui nos trópicos”, uma inflexão necessária do falecido cancioneiro cearense Belchior.
A pandemia não os fazem parar, até que... bem, parei por aqui!


Praia de de Ipanema domingo dia O6 de setembro
Imagem: Gabriel Bastos/Estadão Conteúdo

QUEM?

CIRES PEREIRA


Quem propõe armar a população?
Quem defende fechar o Congresso?
Quem quer a interdição de Ministros do STF?
Quem afirma que a OMS tem um “viés ideológico”?
Quem quer aproveitar o momento pra aprovar leis que agridem o meio ambiente?
Quem acusa os opositores deste governo de serem terroristas?

Brasil independente?!

CIRES PEREIRA

Vejamos:
Temos uma economia capitaneada pela atividade industrial geradora de bens com alto valor agregado e tecnologia 100 % nacional? Não!
A dívida pública nacional tem prazos de pagamentos tão dilatados e juros tão baixos quanto as dívidas públicas dos EUA, dos países europeus e do Japão? Não!

MEU TEMPLO

CIRES PEREIRA


Livros que exploro
Textos que degluto
Páginas que me impressionam

OPORTUNISMO NA POLÍTICA

CIRES PEREIRA

Nestes tempos eleitorais, são muitos os militares, policiais, jornalistas, artistas, celebridades, desportistas, lideranças religiosas e clérigos que se engajam na política visando a obtenção de vagas nos parlamentos municipais ou conduzir governos municipais.
Muitos destes candidatos sequer fazem ideia sobre os propósitos e as ideologias dos partidos que os abrigaram. Muitos destes partidos não passam de “legendas de aluguel”. Ainda assim, seguem firme, valendo-se de discursos pré-fabricados e emoldurados com frases de efeitos. Tudo pra persuadirem parte expressiva do eleitorado.
Este não é um fenômeno exclusivo do Brasil, em todos os cantos do mundo esta “política pequena” ganha espaços e vai minando as bases da Política com “P” maiúsculo.
Vitoriosos, tratam de agir segundo conveniências e pouco ou nada se importam com os princípios orientadores de seus partidos, tampouco com as promessas que fizeram pra terem os votos dos menos avisados.
Quem é responsável por esta lambança? Estes candidatos oportunistas ou os seus eleitores? Definitivamente, ambos são os responsáveis. O dramático nesta história é que esta situação já é predominante nos pleitos eleitorais mais recentes no Brasil.
Aos poucos a democracia é minada, afinal de contas os parlamentos e os governos tornam-se espaços de conluios e de toma-lá-dá-cá. Este tipo de político faz da política um meio de enriquecimento e de projeção pessoal, jamais um instrumento pra compreensão e solução dos problemas ou de atendimento às demandas mais justas da coletividade.
Em decorrência desta situação, os escândalos envolvendo gestores públicos e parlamentares tem sido cada vez mais recorrentes. Por isso, nas páginas dos jornais e dos sites de notícias, as ações do Ministério Público e os processos no Poder Judiciário dominam os espaços qud deveriam ser da “Política”.
Lamentavelmente, a judiciarização tem tomado conta da política e a politização e o parcialismo tem tomado conta das Polícias, dos Ministérios Públicos e dos Tribunais. Enfim, muita coisa precisa ser feita, muitos problemas enfrentados e muitos vícios superados.

ENQUANTO

CIRES PEREIRA
Enquanto bichos agonizam em meio ao fogo no Pantanal, “afortunados” se divertem em lanchas no litoral.
Enquanto pobres e pretos são espancados pela polícia covarde, desembargador covarde humilha policial.
Enquanto meninas são estupradas e engravidadas, cidadãos que se autoproclamam de bem pressionam pra que abortem.
Enquanto 135 mil brasileiros, em sua maioria pobres, perdem a vida pra o vírus, o presidente mantem um inepto general no comando da saúde do país.
Enquanto o desemprego e a miséria avançam, o governo se contorce pra que a ajuda emergencial não exceda os míseros 300 reais.

Enquanto houver no país uma maioria formada por passivos silenciosos e céticos que elegem pilantras aventureiros, este desgovernado país continuará sendo governado(sic) por pilantras e aventureiros. 

MORTIS IN BRASIS

CIRES PEREIRA
As árvores ardem em chamas
Os bichos agonizam no fogo
Pássaros não podem pousar
Nos ninhos dilacerados
Filhotes e ovos cremados
Homens e mulheres pobres
Desprovidos de empregos
Sobrevivem com migalhas
Lançadas pelo governo
Até quando não se sabe
Nas cidades cobertas pelas fuligens
Que voam das árvores consumidas
Pelas inclementes labaredas
Destruição e desolação povoam
Lá no campo, cá na cidade
Milhões de vítimas do vírus
Alcunhado de Chinês pelos vis
Muitas vidas subtraídas
Que poderiam ter sido salvas
Caso existisse governo
Uma realidade caótica
No curral dos coturnos
Na terra dos “bons e cristãos”
Em todos os quintos dos “brasis”
Que o raio preferiu não partir.


Vá!

CIRES PEREIRA

Não esmoreça
Não se curve
Não se esquive
Enfrente
Deblatere
Retruque
Não arrefeças
Não recue
Sequer hesite
Tens a razão
Com o lastro
Da realidade
Tens a utopia
Pensada por muitos
Desejada por outros tantos
Então vá!

BASTA

CIRES PEREIRA

Não hesite, transgrida!
Não negligencie, enfrente!
Não ignore, saiba!
Não camufle, escancare!
Não arrefeças, “peite”!
Não recue, avance!
Não murmure, grite!
Não contemporize, mude!
Não esmoreça, levante!
Não mitifique, compreenda!
Não complique, esclareça!
Não aceite, pense!
Não desanime, persevere!
Não dívida, adicione!
Não subtraia, multiplique!
À sua volta, o ceticismo
À sua frente, o establishment
E pessoas como você pra derrotar a ambos!

INFERNO

Brasil ardendo em brasas

Parece a ideia que temos do inferno

Mas se o inferno existe mesmo

Então Deus não é brasileiro


Quem tocou fogo por estas bandas?

Bandas apinhadas de cristãos

Teria sido os índios ou os sem terras?

Pra estes ditos cristãos é um ou outro.


Desconfio que tenha sido o capeta

Travestido de agricultor ou de boiadeiro

Suspeito que o capeta esteja com inveja

Destes endiabrados mortais de cá.


Fosse Dante, um brasileiro em 2020,

Usaria o dobro de papel e tinteiro

Pra descrever por inteiro o inferno

Que se revelou o espaço brasileiro.

Cires Canisio Pereira

SER HUMANO

Se a existência humana, fosse infinita,

Muito enfadonho seria

Deuses?! Não Os somos!

Damo nos por satisfeitos com os já criados.

Se não houvessem as perdas

Estranhíssimos seriam os ganhos

Se não sentíssemos a ausência

Pouco nos importaria a presença

Temos sido perfeitamente imperfeitos

Previsivelmente imprevisíveis

Racionalmente subjetivos

Melancolicamente felizes

Não quereria ter outra condição, senão a humana

Ainda que alguns tolos se vejam como Deuses.


Cires Canisio Pereira

HIPOCRISIA

Há quem se autoproclama democrático,

Contudo recorre à censura e às armas

Quando diante do opositor mais enfático

Há quem se diz defensor da igualdade,

Entretanto defende o sistema vigente

Que não funcionaria sem a desigualdade

Há quem se diz amante da liberdade,

Mas quando sua autoridade é ameaçada

Abusa de métodos com requinte de crueldade.

Há quem diz sobre si mais do que parece ser

Na maior parte de seu tempo enaltece seus feitos

Sempre antes de prometer o que não não vai fazer

Às vezes, quando observamos os outros e nos olhamos pelo espelho, os (e nos) encontramos

Afastemo-nos deles e, como eles, não sejamos.

SEM ...

 Sem Máscaras

Sem razão
Sem noção
Sem educação
Sem escrúpulo
Sem empatia
Sem zelo
Sem sentido
Sem base
Sem senso
Sem vergonha
Sem moral
Sem caráter
Sem tudo
Um nada.

CIRES PEREIRA

Quantum et Qualitas

 CIRES PEREIRA

Na fração infimamente desmedida
Do tempo, o maior de seu feito
Na fração maior de nosso tempo
Resplandece enorme, o teu feito.
Em tempos oblíquos e turvos
Fração maior do todo social
Padece sob efeito dos feitos
Iníquos de falsos Messias.
As migalhas lançadas aos sem tudo
Ou os poucos, distribuídos aos quase todos
Amplificam as possibilidades de êxito
De uma nefasta trama do infame conluio.
Do lado de cá, amontoam-se os resistentes
Que não se abateram e não se intimidaram
Fração menor do todo que se prepara
Pra assimétrica e histórica contenda.

PARABÉNS PROFESSORES E PROFESSORAS

Aos professores e professoras de todos os cantos, homens e mulheres que ensinaram e ensinam, o meu reconhecimento pelo ofício que exerceram e exercem.
Aos professores e professores que tive, o meu muito obrigado pelo conhecimento que recebi e por terem sido os principais responsáveis pela minha escolha.
Aos meus colegas de profissão de ontem e de hoje, o meu agradecimento pela cooperação, por terem me ensinado e estimulado a melhorar o que tenho feito.
Aos professores e professoras do amanhã, manifesto o meu contentamento por suas escolhas e minha convicção de que farão ainda melhor do que temos feito.
Renovo minhas esperanças por um mundo melhor, mais instruído, educado e sadio; menos belicoso, tolerante e diverso; menos desigual, justo e democrático.
Reitero minha convicção de que os professores e professoras são também indispensáveis pra que nosso amanhã seja ainda melhor que hoje.

Cires Canisio Pereira 

TALVEZ

CIRES PEREIRA

Pode ser que seja o não pra quem ansiava pelo sim
Pode ser que seja o errado pra quem dava como certo
Pode ser que tenha sido ontem pra quem jurava que seria hoje.
Pode ser, quem sabe, amanhã ou até semana que entra.
Parece estar limpo, exceto pra quem insiste em ver sujo.
Parece estar bom, menos pra aqueles que não se conformam.
Parece ser boa praça, mas não pra os “locais”.
Parece ter boas intenções, apesar de não crerem os tradicionais.
Satisfeito, mesmo que a atenção dispensada lhe tenha sido pouca.
Mudou muito, menos para aqueles que esperavam mais.
Muito se pode esperar, mesmo pra quem deseja pouco
Muito se pode sonhar, exceção feita aos céticos.
O tempo e o lugar nos incitam
A obstar o certo e a negar o óbvio
Parece-se com o primado do incerto
Assemelha-se ao império do talvez.

CASO ROBINHO

CIRES PEREIRA

Segundo os autos lavrados pelas autoridades policiais italianas, tendo por base a denunciação da vítima (uma mulher albanesa) e escutas autorizadas pela justiça, o jogador de futebol Robinho e outros quatro homens abusaram sexualmente de uma mulher que se encontrava alcoolizada. O suposto crime de estupro coletivo ocorreu em Milão no noite de 22 de janeiro de 2013.
Na primeira instância, Robinho foi também responsabilizado e condenado a nove anos de reclusão na Itália. Seus advogados disseram que recorrerão, como a lei assegura.
Até que se esgote todos os recursos, Robinho como qualquer outra pessoa em sua situação tem o direito de continuar livre e trabalhando. Como de fato ele assim o fez, negociou um contrato de trabalho no Brasil com o Santos Futebol Clube. Houve pressão pra que o Santos não contratasse um “condenado pela justiça”, embora controversa esta é uma pressão legítima.
O Santos, após revelações de conversas de Robinho, em que admitiu participação no ocorrido, ainda que tenha insistido no consentimento da vítima, e muita pressão contra a contratação, decidiu não mais contrata-lo.
Acontece que nestas escutas (autorizadas pelo judiciário italiano), Robinho reconheceu que a vítima estava muito alcoolizada, logo a tese de um suposto consentimento cai por terra, ainda mais que eram “cinco homens e uma mulher alcoolizada”. Uma revelação que, a meu ver, reduz as chances de Robinho ser inocentado nas instâncias recursais.
A condenação foi amparada no artigo 609 bis do Código Penal Italiano que assim diz:
“Qualquer um, com violência ou ameaça ou mediante abuso de autoridade, obriga outro a ter ou sofrer atos sexuais é punido com a reclusão de cinco a dez anos.
Quem induz alguém a ter ou sofrer atos sexuais está sujeito à mesma pena:
1) Abusando das condições de inferioridade física ou psíquica da pessoa ofendida no momento do fato;”
Não quero me atecipar ao veredicto na corte de apelação, contudo é impossível não reconhecer o óbvio: Robinho admitiu que ele e seus amigos se aproveitaram de uma mulher alcoolizada, portanto abusaram da “inferioridade física e psíquica”, o que é crime.
Como se não bastasse, Robinho disse em entrevista recente ao UOL, “Infelizmente, existe esse movimento feminista. Muitas mulheres às vezes não são nem mulheres, para falar o português claro.”
Como assim, Robinho?! “Muitas Mulheres não são nem mulheres”?! O que seriam, então?! E quanto ao movimento feminista, por que “infelizmente”?! Sente-se incomodado por ele?!
Graças ao justo e heroico movimento feminista ao longo da história, casos como este em que você se envolveu não ficam mais impunes. Muito precisa ainda ser feito contra o machismo, quer “machistas” como você goste ou não!

GUERRA É GUERRA

CIRES PEREIRA

Armas não defendem, matam!
Quem se arma quer a guerra, não a paz
Obedece ao surrado mantra fascista
“Precisamos da guerra se queremos ter paz”
Não há guerra sem uma motivação
Quem a quer, cria os seus motivos
Escaramuças são estimuladas
A amizade entre nações, não pode!
Nos quartéis, os ociosos custeados pelo contribuinte, precisam de passatempo
Lustram coturnos e engomam fardas
Fazem barba, cabelo, às vezes o bigode.
Simulam diuturnamente as estratégias
Elaboradas pelos bem pagos “superiores”
Inventam hinos, medalhas e datas
E vociferam: “somos os protetores da nação”
Dizem amar sua nação, mais que os não fardados
Aprendem a repetir que seu lado é o da nação
Não são poucos aqueles que incorporam este dito
E se aventuram em chefiar governos e repartições.
Guerras econômicas provocam guerras
Grandes contra Grandes, ironicamente,
Decidem o destino dos pequenos na terra
O Capital concebe e o oficialato executa
No teatro belicoso, sobreviventes do drama social São feitos “bucha de canhão” pelos medalhados.
A verdade é ignorada pelas narrativas triunfalistas
É a primeira das milhões de vítimas da “barbárie”.
As guerras forjadas pelos grandes
matam milhões de vidas miseráveis
dilaceram os sonhos dos humilhados
desabam as esperanças dos excluídos.
Cires Canisio Pereira
NOTA: Espero que o grande Tolstoi me perdoe por não compilar nestas pobres linhas, seu célebre título do maior de seus romances, publicado há 155 anos, e um dos maiores da História.

TRÁGICO RECORRENTE

 CIRES PEREIRA

Naquela tarde alaranjada
Num beco fétido e cinzento
Do morro cravejado de barracos
A arma empunhada pelo branco
Cospe várias balas prateadas
Duas delas encerradas no corpo
suado, franzino e preto do rapaz
Seu sangue vinho agora escorre
Sobre a puída bermuda de time
Diante dos olhares resignados
Após vários gritos de desespero e dor
O suspiro longo anuncia o último ato
De uma breve vida que até sexta última
Frequentava a escola e a igrejinha.
Sirenes do furgão vermelho e branco
Se confundem com o grito e o choro
De seus pais que tentam, em vão,
Irromper a fita preta e amarela
Colocada às pressas pelos fardados.

POR MAIS “FRANCISCOS” NO MUNDO

 CIRES PEREIRA


Há no mundo atual muitas lideranças nefastas, por exemplo: Trump, Bolsonaro, kim Jong Un e Duterte. São lideranças que espalham ódio e flertam com a intolerância. Mas também há lideranças sensatas e de índole irrepreensível, como o Papa Francisco. Senão vejamos: Compartilho um excerto de seu discurso de ontem:
“Eu sonho com uma Europa saudavelmente laica, em que Deus e César sejam diferentes, mas não sobrepostos. Uma terra aberta à transcendência, na qual o crente é livre para professar publicamente a sua fé e de propor o próprio ponto de vista na sociedade".
“Acabaram os tempos de confessionalismo, mas — espera-se — também um certo laicismo que fecha portas para os outros e sobretudo para Deus, porque é evidente que uma cultura ou um sistema político que não respeite a abertura à transcendência, não respeita adequadamente a pessoa humana."
Papa Francisco em 27 de outubro de 2020