NÃO SEI

CIRES PEREIRA

Não, não parafrasearei Sócrates, sou pretensioso mas não iria tão longe, ou “Sócrates”.

Preferiria saber pouco mais sobre as pessoas e as coisas, mas falta-me tempo. Sim, o (meu) tempo de não fazer nada (ócio criativo o escambau) é preciosíssimo. Preciso dele pra aproveitar a vida. De modo que, quando estiver beirando os “cem”, possa (se a memória de um novecentista permitir) “passear” pelas minhas décadas de vida e delas extrair a conclusão de que bem as vivi. 

Muitas foram as viagens no tempo e no espaço que fiz, quase todas a bordo dos livros, estes meus maiores professores. Sobre elas as vezes penso em registrar além do espaçados registros que conservo em minha minha cabeça. Mas, como já lhes havia escrito, falta-me tempo e... Bem, neste cas, não se trata apenas de falta de tempo (a maior parte destinado a nobre causa do “fazer nada”), mas talento pra escrevinhar. 

Quando escrevo, modéstia às favas, me vejo um escritor, mas quando leio por aí o quanto e como se escreve, fica a sensação de que não (definitivamente não) escrevo bem. Minha débil capacidade de escrever, considerando o que se passa em minha cabeça e a vontade de exprimir sobre, não é, pasmem todos, frustrante! E esta verdade não é (nem um pouco) dolorida.

Felizmente, do pouco tempo de minha vida reservado à leitura, os escritos que conheci, comumente, têm sido melhores que os meus. E isso é absolutamente óbvio, afinal de contas não se aprende o pouco que já se sabe expresso ou não na sua escrita, aprende-se o que os outros escrevem. 

E ponto!

Ahh, como é bom andar, corrrer e voar pelas páginas dos livros. Como é deliciosa esta aventura perene de ler outros e outras. Como é fabulosa, a fábula; excitante, o conto; inebriante, o romance e divina, a tragédia.

Pensando bem, o saber sobre coisas e pessoas não poderia ser nada. É, no mínimo, pouco. Ainda que Sócrates esteve e esteja certo.

Cires Pereira, um leitor das (suas) horas vagas.

Comentários