GEORGE FLOYD

CIRES PEREIRA

Agonizou sob o joelho branco de um covarde que se escondia numa farda que deveria ser usada pra defender, e jamais tirar, a vida.

Suplicou pela sensibilidade de um animal insensível. 
Esperneou como se quisesse resistir pra ter a vida que se esvaia.

Bradou inocuamente com um canalha que pensava ser humano. Faltou-lhe ar, faltou-lhe a liberdade, ar e liberdade que sobram para as peles brancas.

Willian Du bois, o nosso Abdias, Malcolm e Dr King sempre alertaram que os brancos, que tantas peles vermelhas mataram, não hesitariam também em eliminar as pretas. 

Os Brancos que escravizam, distorcem e dissimulam, meu caro Floyd, também matam da forma mais prosaica e vil, usando seus músculos bem treinados e ignorando seus cérebros.

Aqui nos trópicos, o que se passou com você na pequena Minnesota é uma cruel rotina. Malcolm X também morreu pela ira dos canalhas, exatamente por defender o “Black Power” contra esta triste rotina. 

Até a vida de Luther King, pobre George, que tanto conclamou a coexistência “Black and White”, foi abjetamente abreviada em Memphis. 

Sabe por que, Floyd, continuam açoitando e matando?

Porque sempre contam com a licenciosidade dos brancos que empesteiam os tribunais e as delegacias.

A execução de George Floyd no asfalto e rente ao pneu da viatura, não será esquecida. Labaredas e estilhaços se juntam às vozes indignadas das peles pretas do mundo inteiro contra o asco da “pax branca”.

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