ARMAS E LIVROS

CIRES PEREIRA

A obsessão em demonstrar virilidade e robustez é mais recorrente no gênero masculino, e isto não é de hoje. O que parece-me um contrassenso, pois o ser humano talvez seja, proporcionalmente, o mais frágil de todos os animais. 

Por exemplo, uma pulga cuja massa corpórea não chega a 0,0001 % da massa de um humano adulto, consegue um salto 200 vezes maior que o seu corpo. A maioria dos quadrúpedes alcança uma velocidade maior que a velocidade do humano. Portanto, os valentões que negligenciam livros precisam estar cônscios de que seus esforços físicos jamais se sobressairão aos de uma simples pulga.

O raciocínio é uma característica peculiar à espécie humana, logo deveríamos aprimorar esta peculiaridade, valendo-nos dos conhecimentos e ampliando nossa capacidade de produzir conhecimentos e fazer artes, sempre para o bem de nossa espécie. Mas não, ao longo de uma trajetória de mais de 350 mil anos, o que se nota são os conflitos motivados pela necessidade de o ser humano se sobrepor ao outro. 

Nossa luta pela sobrevivência passa pela agressão ao outro, visando subtrair do outro o que tanto lhe importa. Um fratricídio constante se impôs a partir do momento em que a espécie humana optou por fundar a propriedade privada ou o “isso aqui é meu”. Ora, temos sido o reflexo desta realidade competitiva e conflituosa, por tem nos importado mais o ter alguma coisa do que ser alguém que se importa com os demais.

Nossa capacidade de cognição tem se prestado mais à destruição alheia, como se bem percebe em tempos de guerras. Temos canalizado nossos conhecimentos pra sofisticar e fabricar armas visando proteger o que é nosso, matando o outro que supostamente cobiça o que supostamente é nosso. 

Um animal não humano só ataca quando atacado, demarca seu território e sobrevive nele. Não somos assim, mas minha sensação é que temos sido piores do que imaginamos ser. 

Ampliar a força física faz sentido se for por um motivo à altura da necessidade de um ser pensante. Quais os propósitos? Aumentar nossa resistência e melhorar nossa saúde. Por estes estes propósitos me habilito a fortalecer meus músculos, desde que não tome muito o meu tempo. Minha prioridade são os estudos, o conhecimento, a reflexão e a criação.

Aos que me apontam suas “arminhas” e seus músculos pra me intimidar, respondo com livros que são uma “arma letal” contra aqueles que querem destruir e que não tem condição de construir nada. 

Os livros constroem, muitos dos quais divirjo e divirjo porque os leio, já as armas destroem. Todos que me conhecem, sabem exatamente o meu lado nesta peleja. Luto e continuarei lutando em favor da espécie humana menos favorecida, nesta luta não há fronteiras nacionais. Não luto pelo país que vivo, mas por quem em meu país e no mundo inteiro precisa e merece. 

Aos livros, cidadãos e cidadãs!

Comentários