ALDIR BLANC (1946-2020)

CIRES PEREIRA

Aldir, sinto sua partida, saiba que não fecharei minha janela para o seu corpo que se transformou na mais vadia das borboletas, em meio a tantas “doces hipocrisias”.

Como você se foi no sumidouro de seu espelho, resta-nos dançar trajando a alegoria de faraós embalsamados. A pressa, que por aqui é a alma dos negócios, desde agora não faz mais sentido pra você nesta eternidade.

Imagino quantas composições, eternas quanto as que você nos deixou, serão criadas graças à sua genialidade nesta outra dimensão que desconhecemos.

Por quanto tempo teremos ainda as nossas noites vazias? Quanto às minhas saberei também preenchê-las com suas letras que cortam como quilhas.

Logo agora que, órfãos de você, por todo os "Brasis", gritamos "S.O.S ao Brasil", país que está sendo devorado por canalhas travestidos de patriotas. 

Tantas glórias em meio às lutas inglórias ao logo de nossa história que você tanto pediu que não esquecêssemos jamais.

Sabemos que o show de todo artista, tem que continuar, acontece que você era um gênio, é difícil imaginar que teremos outro.

São tantos os boias frias, pais-de-santo, paus-de-araras, passistas, flagelados, balconistas, a maioria palhaços, que choram sua partida, caro Aldir.

Me perdoa Aldir, mas hoje é dia de nossa mãe nada gentil chorar sua partida, e, por favor, não esqueça que o sinal vai abrir, não esqueça... adeus...

Se eu tivesse que aspear tudo que é de Aldir* neste texto, restariam apenas os meus pontos e as vírgulas. Triste com sua precoce partida, não conseguiria criar palavras que estivessem à sua altura de seu imortal brilho. 
----------

Palavras extraídas das composições de Aldir, muitas das quais em parceria com João Bosco (Foto abaixo): "O Corsário", De Frente Pro Crime", "Querelas do Brasil", "Vida Noturna", "O Bébado e a Equilibrista", "Rancho da Goiabada", "Sinal Fechado", "Dois Pra Lá e dois Pra Cá", "O Catavento e o Girassol",

Comentários