O SENADOR, A RETROESCAVADEIRA E OS MASCARADOS

CIRES PEREIRA 24 DE FEVEREIRO DE 2020

Cid Gomes, hoje Senador da República, já foi prefeito de Sobral e Governador do Ceará, fez o que precisava ser feito. Enfrentou o perigo e quase perdeu sua vida.

Agiu legalmente? Não! Colocou em risco a vida de outras pessoas? Sim, mas não as vidas daqueles que o enfrentaram, sobretudo daqueles que o alvejaram, com a intenção de matá-lo. É preciso afirmar que todos ali estavam expostos ao perigo, mas somente um lado encontrava-se armado. 

Retroescavadeiras não são armas, mas uma delas, dirigida pelo Senador, foi usada pra retirar uma cerca que servia de barricada para os “mascarados aquartelados”. Foi usada como retroescavadeira, e não como arma como insistem “alguns”. Por vários ângulos, nota-se que o maquinário começou a puxar a cerca (e não empurra-lá contra os aquartelados) pra liberar o prédio do batalhão.

Mas quem são estes “alguns”? Bem, pra responder, é preciso uma contextualização.

Desde o início dos novos governos (federal e estaduais), e lá se vão quatorze meses, os servidores das áreas de segurança, de uma maneira geral, tem aumentado seu protagonismo na seara política. A tal “bancada da bala” ampliou suas fatias nos legislativos estaduais e federal. 

Tentam nos fazer crer que são imprescindíveis, que se esmeram pela sociedade e que o fazem sob muitos riscos. Por tudo isto são merecedores de uma valorização melhor, mais que os demais servidores públicos. O lobby é tão forte que governantes e parlamentares tem se sucumbido a ele. Alguns nem tanto, como por exemplo o governo do Ceará, sob comando do PT. 

Pra efeito de comparação, aqui em Minas Gerais o governo Zema sinaliza aumentos maiores pra área de segurança em detrimento das demais. As reformas da previdências dos Estados tendem a ser menos ruim pra os funcionários públicos das áreas de segurança. Por fim, as mudanças na segurança pública que ampliam prerrogativas para as polícias, algumas estranhas ao Estado de Direito Democrático como o “excludente de ilicitude”.

Posto isto, voltamos à indagação sobre quem são estes “alguns”. Ora, são as lideranças alinhadas ao bolsonarismo que neste momento tem presenças decisivas nos governos e parlamentos pelo país afora. Estes “alguns” tem estimulado e conduzido mobilizações dos servidores da segurança pública. Por exemplo, o Estado do Ceará que é governado por um petista e tem os apoios dos irmãos Ciro e Cid Gomes. 

Os mesmos que incitaram e orquestraram estas ações ilegais (frise-se que policiais não podem fazer greves) no Ceará, agora querem processar o Senador Cid Gomes por ele ter “atentado contra as vidas de pais de famílias que lutam por melhores salários”. Vale ressaltar que os policiais deste Estado tem sido tratados com respeito, ainda que a recíproca não seja verdadeira, e que o governo tem se esforçado em satisfazê-los, mais até que os demais funcionários públicos.

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