DRAUZIO, SUZY E WEINTRAUB

CIRES PEREIRA 09 DE MARÇO DE 2020
Criminalidade tem relação com "desestruturação familiar" no Brasil ...

Suzy de Oliveira é o nome de uma transexual condenada por crimes hediondos, como o estupro e o homicídio de uma criança com nove anos. Há nove anos cumpre sua sentença e, recentemente concedeu entrevista ao Dr. Drauzio Varella que então realizava uma reportagem especial pra o “Fantástico” da Rede Globo. 

A temática era sobre as precárias condições nos presídios brasileiros, em particular as condições de reclusos e reclusas transgêneros e transexuais. Suzy disse que cumpre sua sentença como se estivesse numa solitária, não tem amigos nem dentro nem fora do presídio. Ao final, o Dr Dráuzio, num lampejo de empatia, se despede abraçando a detenta. Na ocasião não se discutiu sobre o tipo de crime cometido pela detenta.

A nota de Drauzio Varella 

“Há mais de 30 anos, frequento presídios, onde trato da saúde de detentos e detentas. Em todos os lugares em que pratico a Medicina, seja no meu consultório ou nas penitenciárias, não pergunto sobre o que meus pacientes possam ter feito de errado. Sigo essa conduta para que meu julgamento pessoal não me impeça de cumprir o juramento que fiz ao me tornar médico. No meu trabalho na televisão, sigo os mesmos princípios. No caso da reportagem veiculada pelo Fantástico na semana passada (1/3), não perguntei nada a respeito dos delitos cometidos pelas entrevistadas. Sou médico, não juiz.”

Esta nota foi lida e aquiescida pelo “Fantástico”, neste domingo. Hoje figuras proeminentes da “direita”, reagiram aumentando o tom das suas críticas às posturas do Dr Dráuzio e da Globo. Chegaram a sugerir “boicote” à emissora.

Republico o que disse o Ministro da Educação Abraham Weintraub:

“Não é juiz? Não é gente?!
Você e marinho NÃO conseguem pedir desculpas!
NÃO têm empatia ou compaixão com as crianças e famílias vítimas desse pedófilo!
Continuem defendendo esse estuprador assassino, vocês se merecem.
Antes que eu esqueça: desejo que vocês terminem no inferno!”

Caso o Dr. Dráuzio soubesse sobre os crimes cometidos por Suzy, teria agido com ela do mesmo modo? Não sei. Provavelmente sim, Dráuzio sempre se mostrou muito honesto e intenso em suas reações. 

Toda esta controvérsia trouxe à tona o seguinte: como a sociedade civil deve se colocar diante dos crimes hediondos? Com justiça ou com vingança?

No Brasil, a Constituição e os Códigos materializam a opção por “Justiça”, esta em consonância com o Estado de Direito. Ademais, esta mesma Constituição estabeleceu o princípio da igualdade e da impessoalidade perante o Estado, logo todos os cidadãos devem ser tratados com dignidade e em pé de igualdade. 

Os cidadãos julgados e que cumprem pena, independentemente do crime cometido, devem ser tratados com dignidade. Espera-se que, após cumprirem suas penas, sejam ressocializados. 

Aqueles que pleiteiam a “vingança” como forma adequada de reação contra os criminosos hediondos, como parece ser o Ministro da Educação Weintraub, deveriam propor uma nova Assembleia Nacional Constituinte visando uma Constituição fundamentada na máxima “bandido bom é bandido morto”. 

Portanto, o Dr Dráuzio Varella agiu segundo sua ética (pessoal e médica) e em sintonia com as boas intenções que moldaram a Constituição de 1988. Definitivamente, o Dr. Dráuzio e outros (eu incluso) jamais se dispuseram ou se disporão a considerar os crimes de estupro de incapaz e homicídio triplamente qualificado como não sendo hediondos. 

Ainda temos bons combatentes do nosso lado, Dráuzio é um dos maiores. Um grande médico pra enfrentar as enfermidades e um grande homem no combate ao ódio. Estamos sim, Sr Ministro Weintraub, numa espécie de “inferno” em que vocês transformaram este país. Seu ódio não nos intimida, pelo contrário nos incita a derrotá-lo, cedo ou tarde!

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