VICTOR HUGO E A GRAND-PLACE DE BRUXELLES

CIRES PEREIRA


O maior romancista francês, autor de grandes clássicos como “Os Miseráveis”, O Corcunda de Notre Dame” (originalmente “Notre-Dame du Paris”) e “Trabalhadores do Mar”, optou por viver no exílio.

A trajetória de Victor Hugo e, naturalmente, os seus escritos confundem-se com o cenário político e sócio-econômico francês. Victor Hugo foi contemporâneo de outros notáveis da literatura francesa como Honoré de Balzac e Émile Zola. Mais que isto as obras do início de sua carreira são expressões do romantismo e as suas derradeiras já sinalizam um distanciamento em relação ao romantismo por conta de sua aproximação com o realismo-naturalismo.

O realismo contém uma forte crítica ao establishment liberal-burguês, logo em confrontação com o romantismo. Ora se atentarmos pra duas de suas principais obras concluiremos que “O Corcunda de Notre-Dame” (1831) tem um viés romântico, como Balzac e dumas, e “Os Miseráveis” (1862) um viés realista como Flaubert e Zola.

Em 1831, Hugo ainda tinha certa ilusão com a justeza da restauração monárquica, desde que parlamentarista, pois era pouco escreveu ou disse contra a preservação da Monarquia após queda de Carlos X da família Bourbon. Em 1830, as lideranças revolucionárias entronaram e limitaram o poder de Luis Filipe.

O escritor também atuou no parlamento francês e, sendo um republicano moderado, apoiou a candidatura do sobrinho de Napoleão I à presidência da República, esta proclamada pela segunda vez em fevereiro de 1848. Três anos mais tarde, optou por deixar a França, após sua frustração com o então Presidente Louis Bonaparte que suplantou a república e, como seu tio em 1804, tornou-se um imperador vitalício no final de 1851.

O escritor viveu no exílio por vinte anos, até a queda de Napoleão III em 1871. Foi em seu auto exílio que escreve o maior e mais significativo de seus romances - “Les Miserables”. Publicado em 1862, o romance contem forte crítica à ordem liberal que ele tanto defenderá. Nesta obra se nota um escritor mais disposto a denunciar uma realidade excludente pra maioria e apontar meios pra remoção das causas desta exclusão.

 

Nestes vinte anos de auto exílio, uma parte foi na cidade de Bruxelas, na casa de números 26 e 27 da “Grand-Place de Bruxelles” (Grande Praça de Bruxelas).

A praça nasceu junto com a cidade e por muitos séculos o centro político e econômico. Nela funcionavam as guildas de comerciantes desde o século XII, a prefeitura desde o século XV, a Casa do Rei construção do século XVI e reformada no século XIX no estilo Neogótico.
No período em que residiu em Bruxelas, Victor Hugo foi tratado como a maior celebridade, e era mesmo. Quando voltou a Paris continuou sendo respeitado e aplaudido por todos, tanto pela sua postura coerente com os seus princípios políticos, quanto pela expressividade de sua obra literária.

Victor Hugo faleceu em 1885, aos oitenta e três anos e, em várias ocasiões enalteceu a hospitalidade que havia tido tanto nas ilhas do canal da Mancha, quanto em Bruxelas. Mais que isso, este ilustre parisiense não escondia sua predileção pela “Grand-Place de Bruxelles”. Pra o criador de Quasímodo e Jan Valjean, Cosette e Esmeralda, esta era a praça mais bonita do mundo.

Sim, o escritor tinha razão, é a mais bela do mundo!

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