SABRA E CHATILA SOB O OLHAR DE DIA AL-AZZAWI

Cires Canisio Pereira



Sabra e Chatila eram campos de refugiados palestinos localizados em Beirute no Líbano que, naquele setembro de 1982, estavam sob controle de Israel. Neles o pior aconteceu, um massacre vitimando refugiados palestinos que haviam deixado a Palestina devido às ocupações israelenses intensificadas após a segunda guerra.

Tudo aconteceu nos dias 19 e 20 de setembro de 1982 e foi perpetrado pela milícia libanesa, maronita (cristã) e ultradireitista pra vingar o assassinato, três dias antes, de seu líder Bachir Gemayel. Este havia vencido as eleições Parlamentares (e de cartas marcadas pelos israelenses) libanesas.

Estima-se que morreram entre 700 e 3.500 palestinos nestes massacres considerados pela ONU como genocidas. Os “falangistas” eram uma espécie de braço armado do Partido Kataeb, de extrema direita e maronita (cristãos), vencedor das eleições naquele ano.

À época o responsável pela segurança desta área era o militar Ariel Sharon, que viria a ser Primeiro Ministro de Israel, eleito pelo Partido Likud (de direita). Segundo investigações independentes, tudo poderia ter sido evitado se Ariel não tivesse facilitado a entrada nos falangistas nos campos de refugiado.

Muito bem, este massacre se assemelha ao massacre ocorrido na Guerra Civil Espanhola, na cidade de Guernica e que inspirou Picasso a conceber um painel, chamado “Guernica” pra homenagear as vítimas e denunciar os nazistas e os franquistas pelo ocorrido.
Pensando assim Dia al-Azzawi, pintor iraquiano nascido em 1939, fez algo semelhante à Picasso e compôs este belicismo painel, intitulado Sabra e Chatila (Shabra and Shatila Massacre). A obra faz parte do acervo do Tate Modern of London.

*Este texto é dedicado ao meu amigo libanês Salim Kadi, pensei muito em seus amigos e parentes que de algum modo, como os espanhóis, choram e repugnam as mortes de indefesos e inocentes.

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