31 de julho de 2020

Você

Você....

Versada nas diversas versões do verso
Cônscia dos respectivos anversos.

Você...

Prendada pela instrução e abnegada
em contraditar os axiomas, devidamente aquiescida pelos preceptores mais criteriosos.

Você ....

Suave tal como uma poetisa estimulada pelas melhores uvas alentejanas.

Você...

Leve tanto quanto os passos da primeira do Bolshoi.

Você...

Instigante tanto quanto os tons expressos nas telas da pintora de Coyocan.

Muitos matizes, muitas formas, variados tons pras cores de você.

21 de julho de 2020

GEORGE FLOYD

CIRES PEREIRA

Agonizou sob o joelho branco de um covarde que se escondia numa farda que deveria ser usada pra defender, e jamais tirar, a vida.

Suplicou pela sensibilidade de um animal insensível. 
Esperneou como se quisesse resistir pra ter a vida que se esvaia.

Bradou inocuamente com um canalha que pensava ser humano. Faltou-lhe ar, faltou-lhe a liberdade, ar e liberdade que sobram para as peles brancas.

Willian Du bois, o nosso Abdias, Malcolm e Dr King sempre alertaram que os brancos, que tantas peles vermelhas mataram, não hesitariam também em eliminar as pretas. 

Os Brancos que escravizam, distorcem e dissimulam, meu caro Floyd, também matam da forma mais prosaica e vil, usando seus músculos bem treinados e ignorando seus cérebros.

Aqui nos trópicos, o que se passou com você na pequena Minnesota é uma cruel rotina. Malcolm X também morreu pela ira dos canalhas, exatamente por defender o “Black Power” contra esta triste rotina. 

Até a vida de Luther King, pobre George, que tanto conclamou a coexistência “Black and White”, foi abjetamente abreviada em Memphis. 

Sabe por que, Floyd, continuam açoitando e matando?

Porque sempre contam com a licenciosidade dos brancos que empesteiam os tribunais e as delegacias.

A execução de George Floyd no asfalto e rente ao pneu da viatura, não será esquecida. Labaredas e estilhaços se juntam às vozes indignadas das peles pretas do mundo inteiro contra o asco da “pax branca”.

FOGO NO CÉU E NA TERRA

CIRES PEREIRA


A Imprensa se viu forçada a reportar ambos os fogos, de modo exultante o primeiro e, de modo preocupante, o segundo. 

No momento em que labaredas consomem viaturas, prédios e vitrines pelos quatro cantos da maior potência do mundo, outra era forjada pelo motor do foguete que lançou na estratosfera seres humanos pra uma “viagem de negócios”. Sim, meus senhores e senhoras, a NASA arrendou para uma empresa privada da Califórnia, sua tecnologia e sua infraestrutura. 

Nada é mais atual que o poema de Carlos Drummond de Andrade, intitulado “O homem e as Viagens, pra exprimir com a arte o que se passa, trago-lhes o excerto final desta “beleza”:

“Restam outros sistemas fora do solar a colonizar
Ao acabarem todos, só resta ao homem (estará equipado?)
A dificílima dangerosíssima viagem de si a si mesmo:
Pôr o pé no chão do seu coração
Experimentar, Colonizar, Civilizar, 
Humanizar o homem
Descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
A perene, insuspeitada alegria de conviver.”

Astronautas a bordo da cápsula “Crew Dragon”, estão viajando, por 19 horas, pelo espaço sideral. A cápsula foi projetada pela SpaceX, empresa do bilionário Elon Musk que fez uma parceria com a NASA, a Agência Aeroespacial dos EUA. 

O Presidente Trump que acompanhou o lançamento, assim disse: “É Incrível, o poder, a tecnologia. Foi uma vista bonita".

Trump, antes de ter exultado este empreendimento público/privado, referiu-se ao “fogo que arde em terra”, consumindo viaturas policiais, prédios e vitrines privadas, com as seguintes palavras:

"... Esses bandidos estão desonrando a memória de George Floyd, e eu não deixarei isso acontecer. Acabei de falar com o governador Tim Walz e lhe disse que os militares estão com ele o tempo todo. Qualquer dificuldade e assumiremos o controle, mas, quando o saque começa, o tiroteio começa. Obrigado!"

Quem, consternado pela humilhação de ver um irmão de pele preta ser esganado pelo joelho branco de um “bicho fardado”, se indigna e se manifesta (a grande maioria é pacífica) é tratado como “bandido” e ainda tem que ouvir deste “topete branco” que “quando os saques começam, os tiros começam”.

Ora quem conhece alguma coisa sobre a história recente dos EUA, bem sabe o que esta frase quer dizer. No auge dos protestos contra a guerra e a discriminação racial nos EUA, liderados por Martin Luther King até o dia em que morreu, 04 de Julho de 1968, um delegado assim o disse em resposta aos protestos. 

Em meio a exasperação popular, a direita americana levou a melhor nas eleições no final daquele ano. O republicano Nixon derrotou o democrata Humprhey por meio ponto de vantagem e, o mais curioso, os 13,5 % dos votos dados ao segregacionista George Wallace, do Alabama. Intensificou-se, desde então a máxima Law and Order” pra conter o “fogo na terra do Tio Sam”, enquanto se aplaudia os feitos “lunares” do projeto Apollo. 

“Decolagem do Falcon Heavy” – Foto: Pauline Acalin

Enfim, o poeta tinha razão, ao vaticinar que as conquistas humanas no espaço contrastam com a carência de compreensão do universo humano. A exultação da primeira pelo establishment branco e liberal tem sido diretamente proporcional à criminalização dos seres que, excluídos e violentados, exigem um mínimo de atenção.

NÃO SEI

CIRES PEREIRA

Não, não parafrasearei Sócrates, sou pretensioso mas não iria tão longe, ou “Sócrates”.

Preferiria saber pouco mais sobre as pessoas e as coisas, mas falta-me tempo. Sim, o (meu) tempo de não fazer nada (ócio criativo o escambau) é preciosíssimo. Preciso dele pra aproveitar a vida. De modo que, quando estiver beirando os “cem”, possa (se a memória de um novecentista permitir) “passear” pelas minhas décadas de vida e delas extrair a conclusão de que bem as vivi. 

Muitas foram as viagens no tempo e no espaço que fiz, quase todas a bordo dos livros, estes meus maiores professores. Sobre elas as vezes penso em registrar além do espaçados registros que conservo em minha minha cabeça. Mas, como já lhes havia escrito, falta-me tempo e... Bem, neste cas, não se trata apenas de falta de tempo (a maior parte destinado a nobre causa do “fazer nada”), mas talento pra escrevinhar. 

Quando escrevo, modéstia às favas, me vejo um escritor, mas quando leio por aí o quanto e como se escreve, fica a sensação de que não (definitivamente não) escrevo bem. Minha débil capacidade de escrever, considerando o que se passa em minha cabeça e a vontade de exprimir sobre, não é, pasmem todos, frustrante! E esta verdade não é (nem um pouco) dolorida.

Felizmente, do pouco tempo de minha vida reservado à leitura, os escritos que conheci, comumente, têm sido melhores que os meus. E isso é absolutamente óbvio, afinal de contas não se aprende o pouco que já se sabe expresso ou não na sua escrita, aprende-se o que os outros escrevem. 

E ponto!

Ahh, como é bom andar, corrrer e voar pelas páginas dos livros. Como é deliciosa esta aventura perene de ler outros e outras. Como é fabulosa, a fábula; excitante, o conto; inebriante, o romance e divina, a tragédia.

Pensando bem, o saber sobre coisas e pessoas não poderia ser nada. É, no mínimo, pouco. Ainda que Sócrates esteve e esteja certo.

Cires Pereira, um leitor das (suas) horas vagas.

QUEM?

CIRES PEREIRA

Quem propõe armar a população?
Quem defende fechar o Congresso?
Quem quer a interdição de Ministros do STF?
Quem afirma que a OMS tem um “viés ideológico”?
Quem quer aproveitar o momento pra aprovar leis que agridem o meio ambiente?
Quem acusa os opositores deste governo de serem terroristas?
Quem quer o relaxamento de medidas de isolamento logo no pico de infecções?
Quem quer que se use remédios sem comprovação de sua eficácia contra o coronavírus?
Quem está minimizando os números de óbitos por Coronavírus?
Quem afirma, mesmo sem comprovação, de ter sido vítima de um conluio esquerdista pra matá-lo?
Quem ignora as mais elementares regras, como o uso de máscaras?
Quem, reiteradas vezes, ofende negros, mulheres e homossexuais ?
Quem silencia repórter quando este faz uma pergunta inconveniente?
Quem se cala diante de absurdos ditos por subordinados contra a Constituição?
Quem usa sua autoridade pra conter investigações que comprometem seus filhos?
Você se disporia a esquecer tudo isto e “dar mais uma chance”?
Você se atreveria a votar em quem faz tudo isto, ou repetir o seu voto caso tenha nele votado?
Você ainda tem alguma duvida de que a democracia brasileira esteja sob ameaça?

SOBRE ESTE GOVERNO E A NECESSIDADE DE UM OUTRO

CIRES PEREIRA

A escolha e a demissão de um Ministro provocam reações diversas. Erroneamente muitas destas reações limitam-se a analisar o escolhido ou o demitido. Suas qualidades ou a falta delas e a pertinência da escolha. 

Pouco ou nada se fala sobre quem fez esta escolha (presidente), que critérios teria sido usados na escolha, o conchavo que originou a escolha e a justificativa desta escolha. 

O Presidente montou um plano e nomeou pessoas pra estarem à frente deste plano de governo. O que se nota até o momento é uma inépcia gerencial, que muitos jocosamente denominam de “desgoverno”. Não existe “desgoverno”, o propósito de Bolsonaro sempre foi de desmontar, descontinuar e inviabilizar o que fora construído. É o que tem sido feito, com uma surpreendente rapidez. 

E .... fica nisto!

Este governo não tem construído algo novo, o que não me surpreende, pois Bolsonaro venceu as eleições sem apresentar um programa de governo exequível. Não é segredo pra ninguém que o então candidato Bolsonaro se esquivava de toda e qualquer discussão sobre seu programa. 

Inventou até uma frase pra encerrar quaisquer questionamentos endereçados a ele: “Fale com o Posto Ipiranga”, neste caso o Paulo Guedes, hoje um de seus ministros.

Não havendo uma interrupção de seu mandato até início de 2023, este governo não colocará um só tijolo no lugar onde tirou tantos. É um governo que destrói e não reconstrói. Continuará criando factoides pra “entreter” a sociedade, a mídia e demais agentes públicos até que seu mandato expire. Não medirá esforços pra continuar por mais quatro anos, por isso essa obsessão em “aparelhar” tudo, não só no governo, mas em todo o Estado.

Não vejo outra alternativa pra interromper esta trajetória de destruição, senão uma frente de oposição que retome o diálogo com a sociedade civil e seja convincente. Que coopte a maioria que não votou e não votaria neste “governo de destruição”.

Esta frente precisa ser ampla e imbuida de alguns propósitos que unam seus aderentes como por exemplo: 

  1. o compromisso em preservar o Estado Democratico de Direito; 
  2. a retomada do crescimento econômico com um envolvimento maior do Estado;
  3. o restabelecimento do diálogo internacional que retome uma concertação mundial em defesa do multilateralismo sob o comando dos órgãos multinacionais como a ONU;
  4. a defesa de uma política visando reduzir as desigualdades sociais através de políticas de reparação social, do pleno emprego e aumento da renda;
  5. o compromisso com as agendas em defesa das minorias, do meio ambiente e da educação e
  6. o combate sistemático ao desperdício e à corrupção.
Todas as forças políticas: (liberais, democráticas, socialistas, trabalhista) e organizações da sociedade civil têm neste momento uma tarefa inafastável: conter a facistização do Estado, colocando-se em defesa do Impeachment do presidente, e reconstruir o Brasil pra que seja de fato uma terra de todos os brasileiros e todas brasileiras.

Não queremos o Brasil acima de tudo, mas um Brasil que seja de todos e todas!

ARMAS E LIVROS

CIRES PEREIRA

A obsessão em demonstrar virilidade e robustez é mais recorrente no gênero masculino, e isto não é de hoje. O que parece-me um contrassenso, pois o ser humano talvez seja, proporcionalmente, o mais frágil de todos os animais. 

Por exemplo, uma pulga cuja massa corpórea não chega a 0,0001 % da massa de um humano adulto, consegue um salto 200 vezes maior que o seu corpo. A maioria dos quadrúpedes alcança uma velocidade maior que a velocidade do humano. Portanto, os valentões que negligenciam livros precisam estar cônscios de que seus esforços físicos jamais se sobressairão aos de uma simples pulga.

O raciocínio é uma característica peculiar à espécie humana, logo deveríamos aprimorar esta peculiaridade, valendo-nos dos conhecimentos e ampliando nossa capacidade de produzir conhecimentos e fazer artes, sempre para o bem de nossa espécie. Mas não, ao longo de uma trajetória de mais de 350 mil anos, o que se nota são os conflitos motivados pela necessidade de o ser humano se sobrepor ao outro. 

Nossa luta pela sobrevivência passa pela agressão ao outro, visando subtrair do outro o que tanto lhe importa. Um fratricídio constante se impôs a partir do momento em que a espécie humana optou por fundar a propriedade privada ou o “isso aqui é meu”. Ora, temos sido o reflexo desta realidade competitiva e conflituosa, por tem nos importado mais o ter alguma coisa do que ser alguém que se importa com os demais.

Nossa capacidade de cognição tem se prestado mais à destruição alheia, como se bem percebe em tempos de guerras. Temos canalizado nossos conhecimentos pra sofisticar e fabricar armas visando proteger o que é nosso, matando o outro que supostamente cobiça o que supostamente é nosso. 

Um animal não humano só ataca quando atacado, demarca seu território e sobrevive nele. Não somos assim, mas minha sensação é que temos sido piores do que imaginamos ser. 

Ampliar a força física faz sentido se for por um motivo à altura da necessidade de um ser pensante. Quais os propósitos? Aumentar nossa resistência e melhorar nossa saúde. Por estes estes propósitos me habilito a fortalecer meus músculos, desde que não tome muito o meu tempo. Minha prioridade são os estudos, o conhecimento, a reflexão e a criação.

Aos que me apontam suas “arminhas” e seus músculos pra me intimidar, respondo com livros que são uma “arma letal” contra aqueles que querem destruir e que não tem condição de construir nada. 

Os livros constroem, muitos dos quais divirjo e divirjo porque os leio, já as armas destroem. Todos que me conhecem, sabem exatamente o meu lado nesta peleja. Luto e continuarei lutando em favor da espécie humana menos favorecida, nesta luta não há fronteiras nacionais. Não luto pelo país que vivo, mas por quem em meu país e no mundo inteiro precisa e merece. 

Aos livros, cidadãos e cidadãs!

A OFENSA A ZUMBI DOS PALMARES

CIRES PEREIRA
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“ Zumbi” Autor Antônio Parreiras
Para o bolsonarista Sérgio Carmago, Presidente da Fundação Palmares, o líder negro Zumbi dos Palmares “era um filho da puta que escravizava pretos” e que não tem que apoiar o “Dia da Consciência Negra”.

Zumbi sucedeu Ganga Zumba à frente do Quilombo dos Palmares e enfrentou a ofensiva liderada pelo Bandeirante Domingos Jorge Velho, que era uma mercenário, acabou sendo emboscado e morto no dia 20 de novembro de 1695. 

Sua cabeça foi decepada e exposta no centro do Recife. 

Sérgio também afirmou que o Movimento Negro é “uma escória maldita que abriga vagabundos”. No mundo inteiro assistimos a uma forte reação contra o racismo que ainda impera. 

A fala de Sérgio Camargo, que é afro-brasileiro, contraria o esforço que se empreende contra toda e qualquer forma segregacionista. Mas acima de tudo, exprime a indiferença do governo Bolsonaro em relação às justas demandas da imensa comunidade afro-brasileira.

ELES

CIRES PEREIRA  

Segundo eles, seus opositores são anti democraticos porque tem tentado inviabilizar o governo deles, eleito pela maioria.

Segundo eles, somente eles tem se portado democraticamente, pois tem feito o que o povo quer que seja feito.

Segundo eles, certas decisões jurídicas não devem ser obedecidas quando supostamente contrariam a maioria.

Segundo eles, as interpretações de seus opositores são equivocadas e impatrióticas.

Segundo eles, os professores tem procurado mais em doutrinar do que ensinar aos seus alunos.

Segundo eles, as oposições são um empecilho, no enfrentamento à crise, pois têm se deixado levar pelo o que as ciências orientam.

Segundo eles, os seres humanos não são imunes à corrupção, exceto eles, os pastores de seus credos e os militares.

Segundo eles, a justiça deveria se ocupar em punir os corruptos (que eles não os são) e deixar de persegui-los. 

Segundo eles, deveríamos conhecer a verdade (deles) que nos libertará do que temos sido, assim poderíamos ser como eles.

FEIQUI NIUS

CIRES PEREIRA
Feiqui nius? É nois!
Qui acha qui a terra é prana.
Qui acha qui vacina faiz mal
Qui acha qui colocrina acaba com u coronavírus
Qui acha qui uma gripizinha num mata dizesseis mil
Qui acha qui us guvernador i us prefeitu tão apriveitanu pra robar
Qui acha qui China feiz o coronavirus
Qui acha qui salão do beleza i di reza é ecenssial
Qui acha qui u brasileiro é fi di Deus por isso num morri fácil.
Qui acha qui o prisidenti devi faz fazê o qui o povo qué.
Qui acha qui os juiz du supremu tão di sacanagi
Qui acha qui todo pulíticu é corrupto, menos quem ele votou.
Qui acha qui os indius quilombola é tudo priguiçoso.
Qui acha qui a onu e a oms é dominada pelos cumunista.
Qui acha qui Trump divia salvar também o mundo.
Qui acha qui u pobre é pobre purque num sabi guardar.
Qui acha qui mulher divia ficar mais queta.
Qui acha qui viadagi tem cura.
Qui acha qui as universidadi é antro de maconhero
Qui acha qui us professor só falá di pulítica pra disincaminhar seus alunus.
Qui acha qui que eles é tudo ateu e esquerdopata
Qui acha qui pobris devia apoiar mais seu mitu.
Qui acha qui u Brasil tá melhor mas qui ainda pricisa di mais seis anos pra virá potência.
Qui acha qui us militar salvaram nosso país.
Qui acha qui us americanus que ajudá.
Qui acha qui os opositor, us distruidores do Brasil, só fica fazeno faiqui nius.
Qui acha qui us nazista é tudo cumunista.
Qui acha qui todos os cumunista é ateu.
Qui acha qui us erru di portugueis num é pobrema, desdi que fali a verdadi.
(Basta us professor insinar corretu i pará com essi negocio di grevi di sincicatu.)
Tamu juntu purque nossa bandera jamais será vermelha, e o Brasil acima di tudu, taokei!?

CAPITÃO BOLSONARO E A NAU SEM RUMO

CIRES PEREIRA

A minha sensação é que o Brasil, que “eles” prometeram colocar acima de tudo, é um grande navio perdido num oceano revolto. Uma nau à deriva.

Tempestades recorrentes, provocadas pela pandemia e pela crises social e econômica, agitam as águas dos grandes Atlântico e Pacífico. O Brasil, entre ambos, uma grande nau à deriva. 

A tripulação, constituída em sua grande maioria por marinheiros de primeira viagem, é comandada por um cara que se diz capitão do exército e, por isso mesmo não entende bulhufas. 

Nós, os passageiros desta tragédia, ficamos sem saber o que pode ocorrer primeiro, o naufrágio da embarcação ou o extermínio de quem está a bordo. 

A tempestade que não para, causada por um modelo econômico colapsado e por um vírus desconhecido e potente, encontro em “terra brasilis” uma combinação de fatores pra fazer desta grande nau o seu epicentro. 

Não há como seguir em frente com esta tripulação, colocada pela maioria, definitivamente não há outra solução senão uma parada técnica para abastecimento com outra tripulação que se comprometa ao contrário desta em obedecer a Ciência e não o Senso Comum, a razão e não os ultrapassados dogmas que sequer interpretam e diagnosticam decentemente a origem da tempestade. 

Nossa grande nau merece um destino melhor. Portanto a ordem é, modificando o brado do General romano Pompeu no século I a.C, “Navegar é Preciso é viver também é preciso”.

MÃE É “MÃE”

CIRES PEREIRA

Além da minha mãe, conheci e conheço algumas centenas de mães, já li e já ouvi falar sobre muitas outras mães. Muitas, mas são “nadica de nada” no universo bilionário das mães no tempo e no espaço.

Mesmo sem uma base empírica dentro dos padrões que a ciência pede, reforçarei aqui um palpite ou uma impressão subjetiva. NÃO HÁ MÃE QUE NÃO SEJA “MÃE”. 

Óbvio, não?!

Não é uma obviedade, desde que admitamos que a palavra MÃE seja substantiva e adjetiva ao mesmo tempo. Pela minha experiência com uma pequeníssima fração delas, mãe é uma palavra “sui generis”. Minha mãe é uma “mãe”, as mães que conheci e conheço são “mães” e todas as mães da história são “mães”. 

NÃO HÁ UMA MÃE OU QUE TENHA DEIXADO DE SER MÃE, QUE NÃO SEJA “MÃE”. 

Mãe todos conhecem, embora nem todos conheceram e conviveram com suas mães, nem todos tem ou tiveram uma mãe. Mãe sem aspas é uma palavra substantiva feminina, significa progenitora ou criadora de um ou mais filhos ou filhas.

“Mãe” (aspeada) é palavra adjetiva, isto é, associada a qualidade ou atributos que todas as mães possuem. Mãe vai muito além de progenitora e muito além daqueles meses que carregou sua cria na barriga, mesmo sem ter vivido com a cria fora da barriga, sequer um minuto. Mesmo tendo sido apenas mãe grávida. Não se deve ignorar as mães adotivas, com muito respeito e admiração, todas merecedoras do adjetivo “mãe”.

“Mãe” são todas as mulheres que amam, que protegem, que se importam e que experimentam o gosto do que é o amor. Mesmo tendo perdido seus filhos, mesmo não compreendida pelos seus filhos, mesmo não tendo sido correspondida pelos seus filhos e mesmo odiada pelos seus filhos (sim isto é possível), as mães jamais abdicam de amá-los. Mãe é o amor na plenitude, incondicional e infinito. 

Todos e todas tiveram uma mãe e experimentaram o gostinho deste amor, mesmo quem não se lembra. Todos e todas foram gerados em algum destes bilhões de úteros e amados por uma mãe.

A vocês mães, sobretudo a minha e a de minha filha, parabéns por serem “mães”. 

Obrigado por me fazerem vivenciar o que é o amor.

HITLER E BOLSONARO

CIRES PEREIRA

Entre uma atitude cínica e outra idiota, a impressão que faço do presidente em muitos pontos se assemelha a impressão que tenho sobre lideranças fascistas, como Hitler.

Ambos enaltecem o sentimento nacional e colocam a nação como um bem acima de tudo.

Ambos pregam a criminalização e a eliminação das esquerdas pra contenção do avanço do socialismo

Ambos rejeitam a ideia de uma sociedade dividida em classes como interesses diametralmente opostos.

Ambos creem que apenas um regime ditatorial será capaz de fortalecer a nação e impedir um governo popular e democrático.

Ambos defendem prioritariamente os interesses das elites nacionais.
Ambos consideram que os órgãos multidiplomáticos prejudicam o interesse nacional.

Ambos acreditam que a guerra é uma necessidade pra que se tenha a paz.

Ambos consideram as minorias, como, estrangeiros, grupos étnicos e homossexuais um estorvo ao crescimento econômico e à ordem nacional.

Ambos reiteram narrativas falsas até que se convertam em suas verdades.

As diferenças entre um e outro existem, em razão dos momentos históricos distintos. Por exemplo, o Hitler, em meio ao colapso do liberalismo econômico clássico, adotou uma postura intervencionista, protecionista e assistencialista na Alemanha dos anos 1930. 

Bolsonaro elegeu-se propondo a intensificação da política neoliberal com privatizações, redução do Estado e livre concorrência. 

Hitler, no lugar de Bolsonaro faria algo semelhante e Bolsonaro, no lugar de Hitler também faria, pois ambos se fartam numa mesma fonte doutrinal, o fascismo.

LUTO, VERBO TRANSITIVO

CIRES PEREIRA

Como gosto do Brasil, mas daquele que resiste, que denuncia e que luta. Luto por um Brasil que não aceita desaforos, que não se acomoda e não admite humilhação. 

Não há o amor, tampouco a paz, se não houve luta pra obtê-los. Migliaccio e Aldir sempre souberam disto.

Não há outra opção, senão lutar por um país menos desigual, justo e soberano. 
Não faço concessões, não transijo com fascistas e repilo conluios.

Não esperava que pudesse ser diferente, todos os dias tenho que transpor os obstáculos que eles criam, cada dia mais difícil. Mas eles sabem que somos resilientes.

A contenda tem sido diuturna, lidamos com um “inimigo” que quer o fim desta disputa após seu triunfo. Óbvio esperar nada que minimamente preste deles.

O fascismo se vale, inclusive, da democracia pra assumir o governo, mas querem apropriar-se do poder visando interditar todos os acessos de seus detratores. Foi assim na Itália, na Hungria, Na Alemanha, em Portugal, no Japão, na Áustria e, por fim, na Espanha. 

Agora querem algo semelhante no Brasil, novamente na Hungria e também nos EUA, não lograrão êxito. Nossa disposição vai muito além das notinhas de agravo e repúdio, expediente previsível dos delicados de plantão.

Não sou parlamentar e não sou magistrado, nunca tive disposição pra isto. Mas no lugar deles, certamente faria o oposto, guarneceria a Constituição e jamais prevaricaria.

Os fascistas todos os dias avançam uma “casinha”, pois sabem que não serão punidos, no máximo serão advertidos e/ou censurados. Convenhamos, censura pra eles não é óbice, mas expediente.

A defesa da democracia é um dever de todo democrata, do contrário terá que fazê-lo clandestinamente sob o risco de perder, além da liberdade, também a sua vida.

Não estou de luto, os legados de Migliaccio e Aldir me induzem a continuar na luta pelo amor e pela paz, contra quem quer que seja, como “estes” que pensam ser maiores do que são é que nos imaginam menores do que somos.

Para Migliaccio e Aldir, onde vocês estiverem!

ALDIR BLANC (1946-2020)

CIRES PEREIRA

Aldir, sinto sua partida, saiba que não fecharei minha janela para o seu corpo que se transformou na mais vadia das borboletas, em meio a tantas “doces hipocrisias”.

Como você se foi no sumidouro de seu espelho, resta-nos dançar trajando a alegoria de faraós embalsamados. A pressa, que por aqui é a alma dos negócios, desde agora não faz mais sentido pra você nesta eternidade.

Imagino quantas composições, eternas quanto as que você nos deixou, serão criadas graças à sua genialidade nesta outra dimensão que desconhecemos.

Por quanto tempo teremos ainda as nossas noites vazias? Quanto às minhas saberei também preenchê-las com suas letras que cortam como quilhas.

Logo agora que, órfãos de você, por todo os "Brasis", gritamos "S.O.S ao Brasil", país que está sendo devorado por canalhas travestidos de patriotas. 

Tantas glórias em meio às lutas inglórias ao logo de nossa história que você tanto pediu que não esquecêssemos jamais.

Sabemos que o show de todo artista, tem que continuar, acontece que você era um gênio, é difícil imaginar que teremos outro.

São tantos os boias frias, pais-de-santo, paus-de-araras, passistas, flagelados, balconistas, a maioria palhaços, que choram sua partida, caro Aldir.

Me perdoa Aldir, mas hoje é dia de nossa mãe nada gentil chorar sua partida, e, por favor, não esqueça que o sinal vai abrir, não esqueça... adeus...

Se eu tivesse que aspear tudo que é de Aldir* neste texto, restariam apenas os meus pontos e as vírgulas. Triste com sua precoce partida, não conseguiria criar palavras que estivessem à sua altura de seu imortal brilho. 
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Palavras extraídas das composições de Aldir, muitas das quais em parceria com João Bosco (Foto abaixo): "O Corsário", De Frente Pro Crime", "Querelas do Brasil", "Vida Noturna", "O Bébado e a Equilibrista", "Rancho da Goiabada", "Sinal Fechado", "Dois Pra Lá e dois Pra Cá", "O Catavento e o Girassol",

DIVAGAÇÕES SOBRE MIM

CIRES PEREIRA

Reconheço ter dívidas com o meu passado. 

Mas como se trata de um passivo impagável, me vejo incorrigivelmente grato por ele.

Enfim sou a colheita do que semeei e cultivei. 

Um complexo de virtudes e vicissitudes, reflexos de meus acertos e erros. 

Confesso que tenho errado mais que acertado, felizmente. 

Meus erros me compelem à reflexão, portanto não devem ser ignorados. 

Meus acertos não são outra coisa senão o resultado das lições que tirei à luz dos meus erros.

Pobre de espírito é aquele que pensa apenas nos “acertos” e que se deixa “embebedar” por estes seus (poucos) acertos e suas virtudes. 

Torna-se, portanto, prisioneiro de uma espécie de auto narrativa inverossímil.

A liberdade do ser humano depende de uma primeira condição, romper com a prisão imanente, aquela que o ser humano criou pra si mesmo. 

Ainda não estou livre da prisão que criei pra mim, contudo reconhecer sua existência é um passo importante pra me colocar no caminho sem volta da liberdade/felicidade.

6 de junho de 2020

NEOFASCISMO: É PRECISO DESTRUÍ-LO!

Cires Pereira

É preciso enfrentar o neofascismo?
Sim, é preciso derrotá-lo, pois nossa existência enquanto seres pensantes e livres depende da destruição do fascismo que se choca frontalmente contra a “Razão do Indivíduo” ao impor que nos curvemos à “Razão do Estado” e ao conceito de Nação como um bem maior e SUPERIOR.

20 de abril de 2020

O DUOMO DE FLORENÇA

Cires Pereira


Revestida totalmente em mármores branco (de Carrara) verde (de Prato) e vermelho (de Siena). É a expressão da transição do gótico ao renascentista, sobretudo as partes concebidas e construídas no século XIV, tendo à frente Cambio, Giotto e Pisano. Couberam a Brunelleschi e a Ghiberti a conclusão da grande obra no século XV.

PROTETORADO À BRASILEIRA

CIRES PEREIRA 20 04 2020


INGLATERRA 1654

Na Inglaterra, no longínquo ano de 1653, o então chefe de governo Oliver Cromwell resolveu depurar de seu governo algumas lideranças aliadas que questionavam pontualmente sua conduta à frente do governo instalado em 1649.

A DIVINDADE HUMANA

CIRES PEREIRA
Itália libera empréstimo do 'Homem Vitruviano' e outras obras de ...
O homem vitruviano 1490 - Leonardo Da Vinci

O ser humano sempre foi e continuará sendo um conjunto grandioso, dono de atributos imensuráveis e com potencialidades infinitas. Muito já se estudou sobre o ser humano. Muito já se hipotetizou e já se constatou sobre o que ele fez e faz. Até mesmo estes estudos sobre a criatividade e as potencialidades humanas, ainda que vastos, são poucos diante do que se espera que se estude e se conclua sobre este “adorável complexo”.

TEXTOS EM TEMPOS DE CORONAVIRUS

CIRES PEREIRA ENTRE 13 DE MARÇO E 19 DE ABRIL
Em três meses, coronavírus deixou o mundo de cabeça para baixo

"COVID 19", PUBLICADO EM 13 DE MARÇO DE 2020

A enfermidade se espalhou pelos continentes, são raras as nações que ainda encontram-se ilesas. Devido ao grau de contágio, é bem provável que acometa indivíduos em todas nações. A Organização Mundial de Saúde passou a reconhecer como um quadro de pandemia

DRAUZIO, SUZY E WEINTRAUB

CIRES PEREIRA 09 DE MARÇO DE 2020
Criminalidade tem relação com "desestruturação familiar" no Brasil ...

Suzy de Oliveira é o nome de uma transexual condenada por crimes hediondos, como o estupro e o homicídio de uma criança com nove anos. Há nove anos cumpre sua sentença e, recentemente concedeu entrevista ao Dr. Drauzio Varella que então realizava uma reportagem especial pra o “Fantástico” da Rede Globo. 

PARABÉNS MULHERES

CIRES PEREIRA 08 DE MARÇO DE 2020
8 de março – Dia Internacional da Mulher - Brasil Escola

Este dia deveria ser o “dia do reconhecimento”, a imensa maioria, sobretudo nós homens, deveria reconhecer o óbvio, a importância da mulher.

A “CULTURA” DE REGINA DUARTE

CIRES PEREIRA 06 DE MARÇO DE 2020
Regina Duarte critica medidas para manter isolamento nas cidades
Regina Duarte, como qualquer outro ser humano na face da terra, é inteligente. A capacidade de inteligir é o diferencial principal entre os seres humanos e os demais seres vivos. O ser humano pode fazer o que bem quiser com sua inteligência, por exemplo buscar se instruir cada vez mais.

RAFAEL SÂNZIO

CIRES PEREIRA 04 DE MARÇO DE 2020


A grandiosidade de Rafael Sânzio (1483-1520), a obra em questão é o "Retrato do Papa Julio II", produzida em óleo sobre madeira por volta de 1511. Esta é a versão original e integra o acervo da National Gallery de Londres. Outras duas encontram-se na Itália.

O SENADOR, A RETROESCAVADEIRA E OS MASCARADOS

CIRES PEREIRA 24 DE FEVEREIRO DE 2020

Cid Gomes, hoje Senador da República, já foi prefeito de Sobral e Governador do Ceará, fez o que precisava ser feito. Enfrentou o perigo e quase perdeu sua vida.

MARIA DE LURDES

CIRES PEREIRA 15 DE FEVEREIRO DE 2020
Dia sem mulher” e sem Congresso em Foco | Congresso em Foco

Oi
Sou Maria de Lurdes, filha de Evanilson, que trabalhou principalmente como lavrador, e fui criada sem mãe. Minha mãe morreu após dar à luz ao meu irmão caçula, Cleiton, dois anos após meu nascimento.

FRASES

CIRES PEREIRA FEVEREIRO ABRIL DE 2020



Numa sociedade democrática, a defesa da democracia, mais que um direito, é um dever.

Quem se nega a lutar contra um governo autoritário, não tem o direito de se autoproclamar “democrático”.

Num país racista, como o Brasil, não basta apenas dizer que não é racista é preciso ser antirracista.

O seu juízo é a maior prova de sua liberdade.
Dê mais ouvidos a quem pouco ou nada te compreende.





ROSA LUXEMBURGO

CIRES PEREIRA 04 FEVEREIRO 2020
Cem anos sem Rosa Luxemburgo: | Uma visão popular do Brasil e do mundo
Rosa Luxemburgo. Há quase 150 anos, o nascimento da maior liderança política de esquerda na Europa Ocidental do início do século XX. Trago um resumo de sua biografia e um poema que fiz em sua homenagem.

Ei, você? Sim, é com você mesmo!

CIRES PEREIRA 25 JANEIRO 2020
Ei você – Blog - Felício Bombonato
Nos anos 80, você elogiava pontualmente os governos militares, mas era implacável na crítica quanto à postura ditatorial dos mesmos. Portanto, entre um e outro elogio, fazia questão de dizer que preferiria a democracia. Preocupava-se em se apresentar como “politicamente correto”.

PALAVRA

Segura e não dita
Quando dita, oblíqua 
Silenciosa e plena

Honesta sempre
Mesmo que não dita
Segue sendo dita

Em silêncio 
Colha uma a uma
De suas letras

Mesmo arriscado
Continuará dita
Jamais riscada.

27 de janeiro de 2020

SABRA E CHATILA SOB O OLHAR DE DIA AL-AZZAWI

Cires Canisio Pereira



Sabra e Chatila eram campos de refugiados palestinos localizados em Beirute no Líbano que, naquele setembro de 1982, estavam sob controle de Israel. Neles o pior aconteceu, um massacre vitimando refugiados palestinos que haviam deixado a Palestina devido às ocupações israelenses intensificadas após a segunda guerra.

DAVI HUMANIZADO



É sabido que a predileção de Edgar Degas sempre foi retratar bailarinas e os universos destas bailarinas na dança e na música. Mas por um período, entre 1858 e 1865, Degas priorizou temas bíblicos, e um destes temas foi o famoso duelo entre Davi e o gigante Golias, uma narrativa constante no "Velho Testamento". 

Ei, você? Sim, é com você mesmo!

CIRES PEREIRA

Resultado de imagem para DEDO APONTADO
Nos anos 80, você elogiava pontualmente os governos militares, mas era implacável na crítica quanto à postura ditatorial dos mesmos. Portanto, entre um e outro elogio, fazia questão de dizer que preferiria a democracia. Preocupava-se em se apresentar como “politicamente correto”.

16 de janeiro de 2020

VICTOR HUGO E A GRAND-PLACE DE BRUXELLES

CIRES PEREIRA


O maior romancista francês, autor de grandes clássicos como “Os Miseráveis”, O Corcunda de Notre Dame” (originalmente “Notre-Dame du Paris”) e “Trabalhadores do Mar”, optou por viver no exílio.

6 de janeiro de 2020

LONDRES: MULTIFACETADA E PLURAL


Quem é este “cara” na imagem?

Londres, capital e síntese britânica, desde a Era Vitoriana tornou-se multifacetada, mas “plural” é uma adjetivação mais recente, sobretudo após o colapso da ordem bipolar diante do colapso do “socialismo real”, da desintegração da União Soviética e da ordem internacional multipolar.

A Era Vitoriana correspondeu ao período em que a Rainha Vitória foi regente, entre 1837 e 1901, frise-se que desde 1689 o monarca não mais gozava de autoridade absoluta. A Revolução Gloriosa deste ano determinou o aumento do poder do parlamento e esvaziou e limitou o poder monárquico. Ao longo do século XIX, a Inglaterra se firmou como a maior economia e o maior império da face da terra. Reflexos de um processo de desenvolvimento econômico propulsionado por uma precoce mecanização do processo produtivo nas últimas décadas do século XVIII.

Por ter se tornado um “grande império”, a Inglaterra passou a controlar uma espessa fatia do comércio mundial com os chineses e os latino-americanos, além do seu controle politico-militar sobre outras áreas do planeta, como a Índia, a Oceania e quase toda a região leste do continente africano.

Por conta deste protagonismo econômico, militar e geopolítico, a cidade de Londres tornou-se um cidade de confluências étnicas e culturais. Jovens das famílias abastadas de seu “largo domínio mundo afora” se dirigiam pra Londres pra estudar. A maioria destes, com o propósito de aprenderem com os ingleses como se deve fazer pra comandar.

Desde meados do século XIX, Londres tornou-se uma cidade multiétnica e culturalmente diversa, embora partisse dela o comando que delimitava condutas no vasto império e que orientava outras regiões sob sua influência econômica. Londres era então multifacetada, mais ainda não plural.

Passadas as grandes guerras da primeira metade do século XX, o mundo mudou muito. O protagonismo inglês colapsou, por três razões: o notável crescimento dos EUA em todos os sentidos, a emergência do bloco socialista e as emancipações políticas das colônias inglesas pelo mundo. Aos poucos a Inglaterra acompanhava, impotente, aos avanços das economias estadunidense, alemã e japonesa.

Com o colapso da ordem bipolar, a situação inglesa no cenário mundial pouco alterou, ainda que continue sendo uma das principais economia na Europa, ao lado da Alemanha (reunificada) e da Franca. Por se tratar de um país que conta com indicadores econômicos e sociais bons estáveis, a Inglaterra continuou sendo um importante destino pra investidores privados e trabalhadores do mundo inteiro. Londres, por ser sua principal cidade, continua acolhendo a maior parte destes estrangeiros. Por tudo isto, a cidade manteve-se na condição de cidade multifacetada, mas também plural.

Plural não apenas porque expressa a natureza democrática do Estado Inglês, mas também por ter se tornado uma das grandes cidades globais, confluência de investidores privados de todos os cantos do planeta. Daí a necessidade de se adequar também às conveniências dos mesmos.

Nas ruas e praças, nos negócios privados e nas edificações de Londres, percebe-se mais estrangeiros de todo o planeta do que propriamente ingleses.

Árabes, latinos, indianos, africanos, chineses e coreanos, assim como budistas, hindus, siques, cristãos e muçulmanos, estão em toda. Uma fração menor nas condições de investidores/empreendedores, estudantes e turistas e uma fração nas condições de empregados, sub-empregados e desempregados em busca da sobrevivência.

Agora sim, este é Sadiq Khan e é “o cara”. Afinal de contas elegeu-se prefeito de Londres em 2016 e se tornou o primeiro prefeito de Londres de origem árabe (pais paquistaneses), muçulmano, pobre e progressista.

Sim, Londres é também plural. A imagem, muitas vezes mais que o meu esforço expresso no texto, corrobora isto.