PRIVATIZAÇÃO

CIRES PEREIRA
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Ontem fui abordado por um ex-aluno que queria saber sobre a privatização de alguns aeroportos no Nordeste, especialmente o de Recife, um dos mais lucrativos do complexo administrado pela INFRAERO, a estatal brasileira deste setor. Eis o diálogo:


Privatizaram aeroportos do Nordeste?

Não, eles foram estatizados!

Ué, mas o governo nãos os vendeu? Tal expediente não configura privatização?

Sob apenas este prisma, sim! Houve a privatização. O adquirente foi o grupo espanhol Aena.

Então onde houve uma estatização?

Ocorre que a “Aena” é uma empresa estatal, o controle acionário pertence ao Estado Espanhol.

Mas os cidadãos espanhóis permitiriam este absurdo, uma estatal investindo em atividades no exterior?

Sim, eles sabem que é lucrativo administrar aeroportos. Os aeroportos do Nordeste brasileiro tem, nos últimos anos, apresentado bons lucros. A média do lucro anual deste bloco de aeroportos têm sido de 130 milhões. Como a concessão é pra 30 anos, no mínimo terão um retorno de 4 bilhões, ou seja o dobro que investiram.

Ahh, mas terão que fazer investimentos neste período?

Sim, porque sabem que os lucros ficarão ainda maiores. E têm mais, os investimentos já constam da planilha, logo os 130 milhões anuais já estão garantidos.

Nossa, então porque o governo apresentou como lance mínimo o valor de 171 milhões?

Pra você ver como são as coisas, este valor excede em 40 milhões o lucro obtido em 2018. No mínimo, estamos diante de uma contradição né, afinal de contas o governo diz agir pela “soberania nacional”.

Obrigado pelas explicações professor, te adianto que irei checar estes dados

Claro, caso estejam destoantes, contacte-me e parabéns por duvidar sempre do que se apresenta a você como verdadeiro.

Um abraço !!

Comentários

Igor Dalmy disse…
Enquanto a outorga mínima estabelecida pelo governo para o bloco Nordeste era de R$ 171 milhões, a Aena Desarollo apresentou oferta vencedora de outorga de R$ 1,917 bilhão, com ágio de 1.010% sobre o lance mínimo (parece que esse detalhe não foi dito ao ex-aluno). Além disso, espera-se um investimento de R$ 2,153 bilhões nos seis terminais desse bloco, sendo R$ 788 milhões apenas nos cinco primeiros anos do contrato, para assegurar melhor qualidade de infraestrutura e transporte aos passageiros). Como o senhor disse, o retorno da empresa deve ser "o dobro que investiram". 100% de receita (que não equivale ao lucro líquido) em 30 anos: média de 3,33% ao ano, um investimento muitíssimo conservador. Se eu tivesse R$ 2 bilhões, eu preferiria investi-los de outra forma, mais segura e simultaneamente mais rentável. Esqueçamos os riscos econômicos, trabalhistas e fiscais; esqueçamos as cláusulas leoninas de todo contrato administrativo; esqueçamos que a empresa precisará se organizar por um prazo bastante longo (a maioria das empresas não se mantêm abertas por 30 anos); o investimento é arriscado e vale (para o Brasil) os 3,33% anuais. O leilão foi um sucesso e a população brasileira será a principal beneficiada.
Escrita Global disse…
OBRIGADO PELOS COMENTÁRIOS