MEDO E VIOLÊNCIA

Cires Pereira
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O MEDO provoca violência e a VIOLÊNCIA provoca o MEDO, eis o ciclo vicioso. Ele e ela se retroalimentam. Numa rápida (e superficial) espiadela na história, este ciclo é, invariavelmente, comprovado.

Na Grécia Antiga uma crescente onda de MEDO gerada pelas incursões persas, fez com que os gregos se preparassem belicosamente pra resistir ao “assalto persa”.

Lideranças eclesiásticas judias semearam o MEDO em suas bases tendo em vista ao avanço de uma alternativa de fé erigida por Jesus e seus discípulos. MEDO que justificou o emprego da VIOLÊNCIA contra os “cristãos”, em comum acordo com as forças romanas estacionadas em Samaria, Judeia e Galiléia, à época províncias romana.

Mil anos depois, na Europa Ocidental, os deslocamentos dos magiares, pelo leste; dos escandinavos, pelo norte e dos muçulmanos, pelo sul espalharam o MEDO entre os europeus cristãos. Este MEDO nos habilitam a compreender o emprego da VIOLÊNCIA contra os “pagãos intrusos” por parte dos senhores donos de feudos e castelos e dos governantes sob o manto (supostamente sagrada) estendido pela Cúpula Católica. A reação católica se deu tanto na Península Ibérica, sul da Europa e Oriente Médio, quanto no norte visando “converter os crentes de Odin”.

No final do século XVIII, na França, a sanha revolucionária contra o Antigo Regime, provocou MEDO entre aqueles que, privilegiados, não queriam mudanças. Foram muitos os nobres que deixaram o país pra se unirem aos governos absolutistas europeus visando uma REAÇÃO VIOLENTA contra a Revolução. Até mesmo na França, o clero mais refratário às mudanças espalhou o MEDO entre os camponeses pra que estes se unissem, valendo-se de todos os meios, à Igreja contra a Revolução.

No México, na segunda metade dos anos 1920 também foi o MEDO, espalhado pelos clérigos mais conservadores, que implicou no emprego da violência reacionária pelos “Cristeros” contra os defensores das mudanças sacramentadas na Constituição de 1917. VIOLÊNCIA que custou a vida de varias pessoas, incluindo a do Presidente Álvaro Obregón.

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Nos EUA ao longo dos anos 1950, o Senador Joseph McCarty soube-se se aproveitar da onda de MEDO provocada pelo “perigo vermelho” pra encabeçar a campanha VIOLENTA contra quem fosse flagrado em “conduta suspeita de impatriotismo” ou que estivesse alinhado às “forças do mal”, lideradas pela URSS.

Em toda a América Latina, desde a instalação de um governo hostil ao governo dos EUA em Cuba, espalhou-se o MEDO diante da “iminente sovietizaçao”. MEDO que justificou o emprego da VIOLÊNCIA pelos Estados, sob controle de ditadores militares, contra indivíduos suspeitos de se alinharem ao “Império Vermelho”.

Por fim o Brasil que nos últimos cinco anos tem sido palco de uma onda conservadora que resultou na vitória eleitoral de um candidato que soube-se aproveitar do MEDO incrustado em muitas pessoas.

MEDO de perderem o que tem, face ao agravamento da crise; MEDO de que o Brasil possa se assemelhar à Venezuela e o MEDO de que na região há um consórcio de organizações esquerdistas se preparando pra dominar a região.

Enfim estes “MEDOS”, fundados ou não, têm, paradoxalmente, encorajado algumas pessoas a defenderem abertamente um governo que considera a VIOLÊNCIA a única forma de combater o o próprio MEDO.

Quem espalha o MEDO, deseja pavimentar um caminho em que a VIOLÊNCIA passe a ocupar o papel principal. Cabe-nos informar, conscientizar e combater tanto o MEDO quanto a VIOLÊNCIA.

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