BRASIL “PRÓSPERO” (E MAIS DEPENDENTE)

CIRES PEREIRA

Após privatizar a BR Distribuidora, aprovar a Reforma da Previdência e retirar direitos trabalhistas, o governo avisa que outras 17 estatais serão privatizadas.
Estatais como os “Correios”, Eletrobras, Casa da Moeda e CBTU serão vendidas, muito provavelmente a preço de bananas.

E não para por aí, o Ministro Paulo Guedes sinaliza que a CPMF poderá ser restabelecida.

Todo este “esforço fiscal” tem dois propósitos:

1 - convencer os credores da dívida pública de que o governo tem condições de pagá-los 
2 - convencer a iniciativa privada a investir e empreender mais no país.

Há no Brasil um consumo retraído em razão da renda média que é muito baixa e do elevado desemprego. O governo, inebriado pela doutrina neoliberal, tenta nos convencer que os investimentos gerarão mais empregos e melhorarão a renda das famílias.

Todo o esforço do governo, a meu ver, poderá fazer o Brasil prosperar, mas os indicadores sociais, como emprego e renda, não melhorarão. Os possíveis novos investimentos não absorverão a mão-de-obra ociosa, mas parte daquela que se encontra ativa. Os salários tendem a ser ainda menores, pois não virão acompanhados de complementos até então definidos em lei ou em dissídios coletivos. Serão investimentos na ampliação da produção de commodities pra exportação, como aço, energia e alimentos.

Agricultura, Pecuária, Mineração e Petróleo poderão crescer, contudo a dependência ao capital externo aumentará. As desigualdades sociais e os contrastes regionais serão ainda maiores. As condições que os EUA têm apresentado ao Brasil pra que o Brasil seja “um aliado”, estão sendo satisfeitas pelo governo brasileiro. Nesta acirrada guerra comercial entre EUA e a China, é óbvio que os EUA quererão que o Brasil de desgarre dos BRICs, venda menos pra China e compre mais dos EUA.

Esta parceria(sic) com os EUA haverá de custar muito caro pra a maioria dos brasileiros. Maioria constituída pelos pobres que continuarão pobres.

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