24 de julho de 2019

ODE À LIBERDADE - MARC CHAGALL

Cires Pereira

A “Crucificação Branca” é uma obra fascinante graças  à beleza estética surrealista e à lição de História. Tive o prazer de conhece-la hoje no Art Institute of Chicago. Trata-se de um “óleo sobre tela medindo 155 cm X 140 cm, feito em 1938.

Marc Chagall nasceu na Bielo-Rússia, região que integrava o Império Russo, em 1887. Artista engajado, posicionou-se favorável à Revolução Bolchevique e integrou o governo liderado por Lenin, mas com a “stalinizaçao”, Chagall deixou o governo e o país. Era Judeu e de família pobre, residiu principalmente na França, onde faleceu em 1985.

Nesta obra em destaque, dois detalhes são bastante significativos:

> Primeiro: uma referencia à Kristallnacht (noite dos punhais em 1938 que deu início ao holocausto no III Reich), à sinagoga, à Torá e aldeia em chamas. Casas viradas e esvaziadas de seus pertences e mães fugindo com seus filhos.

> Segundo: A morte de Cristo na cruz é  retratada numa perspectiva judaica. Não só pela vestimenta, mas por um sofrimento humano, e não divinizado, em similitude ao drama dos judeus gerado pelo antissemitismo  do regime nazista da época.

No surrealismo de Chagall, o sacro ganha um olhar mais sutil. A “crucificação branca” não enfatiza a devoção e a contrição espiritual, mas a luta de um povo segregado e violentado, sua cruz é uma espécie de luto (e protesto) a favor dos judeus.

A cruz se tornou (e continua sendo) o símbolo cultural mais influente de todos os tempos, incluindo um cara que era ao mesmo tempo surrealista, socialista e judeu, Marc Chagall.

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