ODE À LIBERDADE - MARC CHAGALL

Cires Pereira

A “Crucificação Branca” é uma obra fascinante graças  à beleza estética surrealista e à lição de História. Tive o prazer de conhece-la hoje no Art Institute of Chicago. Trata-se de um “óleo sobre tela medindo 155 cm X 140 cm, feito em 1938.

Marc Chagall nasceu em 1887 na Bielo-Rússia, região que à época integrava o Império Russo. Artista engajado e identificado com a ideologia marxista, posicionou-se favorável à Revolução Bolchevique e integrou o governo liderado por Lenin, mas com a “stalinizaçao”, deixou o governo e o país. Chagall era Judeu e de família pobre, em seu exílio residiu, principalmente, na França, onde faleceu em 1985.

Nesta obra em destaque, dois detalhes são bastante significativos:

> Primeiro: Uma referência à Kristallnacht (noite dos punhais em 1938  deflagração do holocausto no III Reich), à sinagoga, ao Torá e à uma aldeia em chamas. Casas viradas e esvaziadas de seus pertences e mães fugindo com seus filhos, dão a ideia do desespero que tomou conta dos judeus vitimados pela sanha supremacista dos nazistas.

> Segundo: A morte de Cristo: na cruz sua morte é retratada numa perspectiva judaica. Não só pela vestimenta, mas por conta do sofrimento humano presentes tantos nos cristãos quanto nos judeus vítimas das intolerâncias racial e religiosa.

No surrealismo de Chagall, o sacro ganha um olhar mais sutil. A “crucificação branca” não enfatiza a devoção e a contrição espiritual, mas a luta de um povo segregado e violentado, sua cruz é uma espécie de luto (e protesto) a favor dos judeus.

A cruz se tornou (e continua sendo) o símbolo cultural mais influente de todos os tempos, incluindo um cara que era ao mesmo tempo surrealista, socialista e judeu, Marc Chagall.

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