24 de julho de 2019

NOTRE DAME DE PARIS

Por Cires Pereira

Encrustada na Ile de La Cité e envolta pelas águas do Sena, você assistiu aos movimentos de uma história de 850 anos, que deram a Paris tantos adjetivos, incluindo “cidade iluminada”.

A cidade que se curvou aos seus pés, sempre umedecidos pelo Sena, agora assiste, impotente, seu choro em meio ao fogo que te consome.

Eiffel, Triunfo, Concorde, Tulherias, Champs Elisé, Inválidos, Vendome, Sacre Couer, todos hoje lamentam as chamas que dilaceram seus contornos e seus diversos ventres.

Você que acolheu o matrimônio de Henrique de Navarra Bourbon e a Rainha Margot, dando início ao longo período comandado pelos Bourbons.

Você que cedeu a Víctor Hugo suas torres pra uma das mais belas narrativas de amor, donde Quasímodo amava platonicamente Esmeralda.

Você que nos ”setecentos” foi poupada pelos revolucionários desejosos por uma Nova França. E, de novo, poupada pelo intruso Fuerher, cento e cinquenta anos depois.

Você que cedeu seu altar a Napoleão I pra que pudesse ser coroado, diante do embasbaque da Santa Sé, evento devidamente imortalizado pelo grande pintor Jacques-Louis David.

Como fostes majestosa, “Nossa Senhora”!

Seu imenso e sacro portal adornado por um grande “juízo final”, este protagonizado pelo Cristo que mensura o peso das reles almas.

Oh templo histórico (com as vênias dos cristãos) entornado por gárgulas, pra alguns tétricas, que fazem as vezes de sentinelas.

Seu grande corpo enlaçado pelos seus vitrais caleidoscópicos, confirma a estética gótica, o suficiente pra a “Saint Denis” enciumada.

Dona de gigantescas rosáceas que emolduram o transepto de seu robusto corpo em sinal de Cruz. Com arcobotantes que mais parecem costelas ancorando vitrais e pedras, és também robusta, "Notre Dame"

Seu órgão que todos os dias recitava notas que ecoavam até os ouvidos de sua velha amiga, a Saint Chapelle, agora emudecido e retorcido, jaz nas entranhas carcomidas pelo fogo.

Aguardemos sua ressurreição Notre Dame, embora francesa, você é de todos nós que sabemos bem sobre sua importância na trajetória humana dos últimos oitocentos anos.

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