NOTRE DAME DE PARIS

Por Cires Pereira

“Notre Dame” Henri Matisse 1914
Encrustada na Ile de La Cité e envolta pelas águas do Sena, você assistiu aos movimentos de uma história de 850 anos, que deram a Paris tantos adjetivos, incluindo “cidade iluminada”.

A cidade que se curvou aos seus pés, sempre umedecidos pelo Sena, agora assiste, impotente, ao seu choro em meio ao fogo que te consome.

Eiffel, Triunfo, Concorde, Tulherias, Champs Elisé, Inválidos, Vendome, Sacre Couer, todos hoje lamentam as chamas que dilaceram seus contornos e seus diversos ventres.

Você, Notre Dame, acolheu o matrimônio de Henrique de Navarra Bourbon e a Rainha Margot, dando início ao longo período comandado pelos Bourbons.

Você, Notre Dame, cedeu a Víctor Hugo suas torres pra uma das mais belas narrativas de amor. Foi nas suas torres que Quasímodo amou platonicamente a bela Esmeralda.

Você, Notre Dame, no final dos “setecentos” é tão importante que até revolucionários desejosos por uma Nova França te pouparam. E, de novo, fostes poupada pelo intruso Fuerher, cento e cinquenta anos depois.

Você, Notre Dame, cedeu seu altar a Napoleão I pra que nele fosse coroado, diante do embasbaque da Santa Sé, evento devidamente imortalizado pelo grande pintor Jacques-Louis David, no início do século XIX.

Como fostes majestosa, “Nossa Senhora”!

Seu imenso e sacro portal, Notre Dame, era adornado por um grande “juízo final”, este protagonizado pelo Cristo que testemunha seus milhões de adoradores, emocionados pela grandiosidade de seus arcos e adornos.

Oh templo histórico (com as vênias dos cristãos) entornado por gárgulas, pra alguns são tétricas, que fazem as vezes de sentinelas.

Seu grande corpo, oh Notre Dame, enlaçado pelos seus vitrais caleidoscópicos, confirma a estética gótica, o suficiente pra a “Saint Denis” enciumada.

Dona de gigantescas rosáceas que emolduram o transepto de seu robusto corpo em sinal de Cruz. Com arcobotantes que mais parecem costelas ancorando vitrais e pedras, és também robusta, "Notre Dame"

Seu órgão, Grande Dama dos parisienses, que todos os dias recitava notas ecoando até os ouvidos de sua velha amiga, a Saint Chapelle. Com as inclemente labaredas, agora encontra-se emudecido e retorcido, mas haveremos de ouvi-lo novamente, por você.
Aguardemos sua ressurreição Notre Dame. Embora  francesa, você é de todos nós que reconhecemos  sua importância na trajetória humana dos últimos oitocentos anos.

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