ENEN 2018

ENEM 2018 (1º DIA): AVANÇOS QUE CONTRARIAM OS CONSERVADORES

Nada melhor do que um domingo após o outro, no outro os conservadores levaram a melhor e elegeram o seu candidato. Mas sabemos bem que há uma clara e simétrica divisão político-ideológica na sociedade brasileira. Perdemos por pouco esta batalha, mas outras virão e estaremos a postos pra disputa-las e vencê-las.

Esperamos que não haja da parte “deles” uma quebra no contrato, firmado há 30 anos, de que estas batalhas devem se dar nos limites do que prescreve a Constituição, fundadora e amparadora da ordem democrática.

Neste domingo foram aplicadas, pra milhões de secundaristas, a primeira parte do ENEM 2018. Esta constituída pelas avaliações de Linguagens, Ciências Humanas e Redação.

Salta aos nossos olhos que os “examinadores” (conceptores da prova), previsivelmente, apresentaram problemas e situações para que os candidatos, à luz do que estudaram ao longo do Ensino Médio, pudessem enfrenta-los.

Esta é a proposta do ENEM, desde sua instituição, uma “política de Estado” e não um “aparelho nas mãos de um governo de esquerda que quer o poder a qualquer custo”, como apregoam seus detratores que, em 2016 assumiram o governo.

Este ENEM de 2018, consolida uma política de Estado que defende o ingresso nas instituições de ensino superior como um direito universal e adota como critério o mérito escolar e as políticas afirmativas como meios para tornar o jogo menos desigual ou desequilibrado. Apesar dos reveses conjunturais, o Brasil avança em alguns setores, neste por exemplo.

Quanto às provas, fica cada vez mais nítida uma tendência que se alinha às adotadas pelo processos seletivos em alguns cantos da Europa, da Ásia e das Américas.

A despeito da pressão que fazem os setores conservadores da sociedade brasileira contra um Ensino-aprendizagem humanista e criticista, o ENEM se consolida cada vez mais, felizmente.

No “Ensino Médio” há dois propósitos inafastáveis: dotar nossa juventude de condições pra cidadania numa sociedade democrática e municiar o estudante de conhecimentos básicos, acumulados por todas as ciências. Este, é, portanto, a base indispensável para o seu aprofundamento no Ensino Superior, segundo a faculdade escolhida.

O tema da Redação “Manipulação do comportamento do usuário pelo controle de dados na internet”, pareceu-me muito pertinente bem como os textos apresentados como referenciais, sobretudo o texto de Pepe Escobar intitulado “A Silenciosa Ditadura do Algoritmo”.

Uma temática ampla que força o aluno a estabelecer delimitações para que pudesse melhor intervir no assunto. Muitos vincularão o tema apenas ao que se passa nos processos eleitorais mais recentes no mundo, sobretudo no Brasil, mas a proposição temática vai muito além disto, portanto rompe com o lugar comum e estimula várias abordagens como consumismo, perda de identidade cultural e escolhas no sentido amplo.

As provas de Ciências Humanas e Linguagens foram pautadas pelo equilíbrio no tocante ao que se ministra no Ensino Médio, compatíveis com o grau de profundidade dos conceitos compreendidos e, portanto, apropriada quanto ao propósito da seletividade que se espera no processo seletivo aplicado nacionalmente.

Os textos, as imagens e os gráficos foram apresentados de maneira equilibrada e com interação razoável com as alternativas nas questões.

Temas como Ditadura Militar, Crítica ao “Socialismo Real”, feminismo, racismo, África, Guerra Fria,  neocolonialismo, Oriente Médio, Islamismo, Liberalismo, abolicionismo, Democracia, Colonialismo português, Absolutismo, Contratualismo, Ciclones, Ecologia, Gênero, Industrialização e muitos outros, demonstram a sensibilidade dos examinadores em relação ao que se ministra no Ensino Médio.

Deixo pra o "Gran Finale" as questões de Espanhol que, a meu ver, levantaram temáticas muito atuais e demonstraram o que significa e como se aplica a transdisciplinaridade. Educadores, professores e afins, miremos, pois neste belo exemplo que foram as questões de Língua Espanhola.

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