24 de julho de 2019

CONSCIÊNCIA NEGRA E NATIVA

Vinte de novembro, é o dia da Consciência Negra no Brasil. Foi neste dia, no ano de 1695, que Zumbi dos Palmares foi morto quando defendia a justiça e a liberdade para os negros.

Há mais de cinco centenas de anos, homens, mulheres e crianças foram tirados de seus meios africanos e trazidos, como mercadorias, pra todos os cantos das Américas e ilhas caribenhas. No lado de cá do imenso Atlântico, africanos e africanas juntaram-se aos ameríndios e ameríndias que não foram mortos pelos conquistadores. Esta multidão foi servilizada e escravizada.

O genocídio de nativos, o tráfico de mão-de-obra de origem africana, a servidão e a escravidão foram algumas das máculas produzidas pela elite branca, cristã e de origem europeia. As riquezas aqui prospectadas e produzidas foram muito maiores que os benefícios gerados pelos empreendimentos colonizatórios concebidos e aplicados por mais de 300 anos.

Tudo o que foi feito tinha um propósito central: a montagem de um sistema sócio-econômico pautado no lucro e na propriedade privada, o capitalista. Curioso como ainda hoje, a maioria da sociedade enche o peito pra defende-lo, corroborando pra um "senso comum" - é impossível erigir outro sistema menos ou não excludente.

Sabemos bem, ainda que muitos entre nos não a reconheça, que existe uma dívida social com os descendentes de origem africana e de origem nativa. Parte desta dívida tem sido enfrentada com maior atenção em alguns países americanos, como EUA, Canadá, Venezuela, Bolívia, Uruguai e Chile. Em outras nações pouco tem sido reparado em favor dos ameríndios e dos afro-americanos,  México, Brasil, Argentina, Colômbia integram esta lista.

Cotas, demarcação de terras indígenas e valorização das identidades culturais historicamente sobrepostas pela cultura branca, europeia e cristã, são algumas das políticas públicas de reparação que precisam fazer parte das previsões orçamentárias nos países em toda a região das Américas e Caribe. Sim, é imperativo que os governos europeus também contribuam com estas políticas aqui e em todo o continente africano.

Após mais de cinco centenas de anos é preciso exigir que a justiça seja feita, as reparações ocorram e a dívida com nativos e negros, pelo menos mitigada.Este texto é a prova de que os gritos de Zumbi dos Palmares, Luíza Mahin, Teresa Benguela, e Mariana Crioula não foram em vão.

Quadro "Zumbi dos Palmares" Autor Antônio Par

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