DIÁLOGO ENTRE A JANGADA E A LIBERDADE

CIRES PEREIRA
"A Jangada da Medusa" Theodore Gericault 1818 (4,91 x 7,16 m) - Museu do Louvre
 Gericault nasceu em 1791, logo no início da Revolução Francesa, e faleceu aos 33 anos já com o país novamente governado pelos "Bourbons. 

"O Naufrágio de Medusa", produzida em 1818, o artista retrata a tragédia ocorrida em 1816, na costa do Senegal, quando uma embarcação francesa, conhecida como "Medusa", naufraga com 150 pessoas a bordo.Pra concebe-la, Gericault valeu-se dos testemunhos de alguns poucos sobreviventes. Numa perspectiva "romântica" que lembra o estilo de Caravaggio, maior expoente do barroco seiscentista, o pintor retrata os náufragos abandonados à própria sorte, uns desesperançados e outros na expectativa de alguma salvação. 

Eugène Delacroix (1798-1863) e Theodore Gericault, eram contemporâneos, faziam parte do "Romantismo Francês" e defendiam posições políticas favoráveis às mudanças embaladas pelo trinômio liberal: Liberdade, Igualdade e Fraternidade". 

"A liberdade guiando o Povo" - Eugène Delacroix 1830 ( 2,60 x 3,25 m) - Museu do Louvre
A grande obra (manifesto) de Eugène Delacroix, certamente foi "A liberdade guiando o Povo". Concebida logo após a Revolução de Julho que destituiu Carlos X e corou o Rei-Banqueiro Luis Felipe, tornou-se o ícone daquela Revolução e uma ode à democracia e à liberdade. 

Gericault indireta e sutilmente, também criticava o "Antigo Regime", mas, ao contrário de Delacroix, não viveu pra vê-lo destruído pela Revolução em 1830. Jangada e Liberdade parecem "dialogar", afinal de contas o arbítrio denunciado pela "Jangada", em 1816, foi devidamente pisoteado pelos comuns guiados pela "liberdade", em 1830.

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