UFU E SOCIEDADE CIVIL PRECISAM TER UMA "DR"

Professor Cires Pereira 
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Os processos seletivos para discentes e docentes são os melhores momentos para a mensuração do relacionamento entre uma instituição pública de ensino e a sociedade civil. Tratarei neste texto do primeiro caso, dos vestibulares, especificamente dos vestibulares aplicados pela UFU.
É público e notório que a sociedade civil, em última instância, custeia tudo que é público e a Universidade Federal, como a UFU, é um exemplo. Portanto, é imperativo que esta instituição realize seus processos seletivos de maneira absolutamente transparente e não meça esforços nesta direção. Sendo uma instituição pública federal e custeada pela sociedade brasileira, cabe à instituição assegurar a todos o direito em disputar uma vaga em suas diversas faculdades.

O vestibular, sendo um destes processos, tem que cumprir esta função. Há na Constituição uma cláusula pétrea que é a igualdade jurídica, isto é, os brasileiros somos iguais perante o Estado. A UFU é uma das instituições constitutivas do Estado, portanto é dever desta assegurar este direito.

Reconheço esforços feitos, mas ainda são poucos. Ainda há resistências pontuais que precisariam ser removidas. Do jeito que está não deveria continuar.

Felizmente, a Universidade Federal de Uberlândia tem despertado o interesse tanto de professores e pesquisadores, quanto de estudantes. Os seus processos seletivos tem sido cada vez mais concorridos. Devemos nos orgulhar disto, pois quanto melhor e mais diversificada for sua “comunidade interna”, melhor para os estudos, o conhecimento, a pesquisa e a criação, melhor pra toda a sociedade civil.

Cabe à UFU conceber e aplicar os melhores processos seletivos possíveis, em formato e em conteúdo, visando acolher aqueles e aquelas que melhor correspondam às suas avaliações. Para isto, urge que “dê ouvidos” também à sociedade, levantando suas demandas e reconhecendo suas limitações, enfim é preciso ter mais sensibilidade pra deixar a arrogância de lado e espírito colaborativo pra destruir os recorrentes, frise-se, óbices corporativistas.

Nos anos 80 e 90, a COPEVE (Comissão Permanente de Vestibular da UFU) aplicava os processos seletivos e se preocupava em ouvir a comunidade acadêmica externa. Convidava os professores do Ensino Médio das redes públicas e privadas para a resolução de suas provas numa sala especial, no mesmo horário em que os vestibulandos faziam suas provas. Nesta sala, os problemas existentes na prova eram levantados pelos professores e, com muito respeito e espírito de colaboração, solucionados. A solução poderia ser a mudança do gabarito, a anulação de uma questão ou então a manutenção do gabarito. Ao final, uma avaliação qualificada era feita pelos profissionais do Ensino Médio e entregue à COPEVE. Todos saíam satisfeitos e com a sensação do dever cumprido e os resultados eram perceptíveis nos processos seletivos subsequentes que melhoravam em todos os sentidos.

Todos, UFU e sociedade, ganhavam com tudo isto !!!

É lamentável que este diálogo, portanto esta colaboração, hoje esteja tão difícil. Fica a sensação, de quem está do lado de fora de seus portões, que a UFU mais desconfia do que confia em nossa disposição e isenção pra melhorar o que precisa ser melhorado. É irritante e "burra" esta redoma.

Atualmente as contestações podem ser feitas após a publicação do gabarito oficial e, caso sejam acolhidas, outro gabarito é publicado pela UFU. Estas contestações só podem ser feitas pelos vestibulandos e não se permite a tréplica, isto é, a última palavra é da UFU. Os vestibulandos, que se sentirem insatisfeitos e/ou prejudicados, poderão recorrer ao Ministério Público Federal e ao Poder Judiciário.

Curiosamente o número de queixas contra a UFU tem aumentado. Muitas destas queixas referem-se aos problemas encontrados na 1ª fase do vestibular e às notas recebidas pelos vestibulandos em suas provas de 2ª fase, estas compostas por questões discursivas e uma redação. Eis uma demonstração de que houve uma involução. A UFU precisa perceber isto.

Sugiro que se observe os outros processos seletivos realizados por instituições de ensino públicas e privadas de todo o Brasil e extraia destes o que há de melhor. Eis um exemplo, a COMVEST (Comissão de Vestibular da UNICAMP) regularmente convida profissionais do Ensino Médio pra encontros cuja pauta central é a avaliação de seus processos seletivos. Muitas mudanças são feitas todos os anos neste vestibular e o resultado não poderia ser outro, a UNICAMP tem aplicado um dos melhores processos seletivos no Brasil. Ora isto reverbera na melhoria da Instituição. Todos sabemos que UNICAMP, como a USP e UNESP, tem sido uma referência no país e no mundo. Queremos que a UFU também o seja.

A UFU pode e deve mirar-se nos melhores exemplos, como também pode e deve ser mais sensível à realidade de uma sala de aula (pública e privada) de 1º e 2º graus. A Universidade precisa colher mais o que do lado de fora de seus portões “pulsa”, assim poderá servir muito mais e melhor quem do lado de fora, como eu, se encontra.

A SOCIEDADE, LEGITIMAMENTE EXIGE UMA "DR" !
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