O QUE ESTÁ EM JOGO

CIRES PEREIRA
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Lula por pouco não deixou o cárcere neste domingo, mas aos "45 minutos do segundo tempo" o Presidente do TRF4, Thompson Flores, revogou a ordem de soltura emitida pelo Desembargador Rogério Favreto.
Todo este embate jurídico, que se viu hoje serviu pra que mais cidadãos tenham a ideia sobre como se encontra o sistema judicial brasileiro. Um verdadeiro show de horrores.

As entranhas deste sistema estão escancaradas exalando odores típicos da putrefação que nele se expraia. Era de se esperar que a crise brasileira desde 2014 fosse também se instalar no judiciário e no Ministério Público.

O golpe político- institucional, arquitetado desde a reeleição de Dilma, ainda não se encerrou, mesmo já tendo ferido severamente o Estado de Direito Democrático. Seria, portanto, temerário que Lula, solto, pudesse se dirigir hoje à multidão. Esmeraram-se os juizes e procuradores pra que não fosse dado à Lula esta possibilidade.

O adágio "porteira que passa um boi passa uma boiada" pode muito bem se aplicar ao imbróglio de hoje. Os apoiadores de Lula e as forças progressistas e democráticas saberão explorar este imbróglio pra seus novos contragolpes. 

Há muito o que fazer e muita luta.

Não há como ignorar o fato de que Lula, podendo se candidatar, venceria no primeiro turno nas eleições presidenciais de 2018. Todas as pesquisas de intenção de voto sinalizam isto. A ordem deles é manter Lula preso e inabilitado pra disputa, senão a casinha deles cai.

A descontinuação do golpe e a superação desta crise figuram entre as vedetes de um programa progressista, democrático e nacionalmente soberano. "Eles" sabem que Lula tem este programa e que é o mais preparado pra torna-lo exequível.

As elites não aceitam um novo governo Lula. Há no seio das vertentes direitistas que as representam uma sensação de impotência, pois faltam lhes projeto e condutor capazes de enfrentarem esta crise e reconstruirem um Brasil minimamente soberano e menos injusto.

Temer tem se revelado um fiasco, como tambem o foram as gestões Sarney, Collor, Itamar e FHC. A situação é tão patética que os barões da economia aplaudem até discurso de Bolsonaro numa espécie de demência coletiva. Dependem, estas elites, de estratagemas inconstitucionais de juízes e desembargadores pra sobreviverem.

Encontram-se, agora, na dependência do triunfo de candidatos histriônicos e rasos como Amoedo, Dória, Bolsonaro, Meirelles e Alkmin. Quer dizer, nem candidatos estas elites têm, por quê, convenhamos, estes não passam de "arremedos".

Nesta guerra, cujas derradeiras batalhas tem sido por "eles" vencidas, mal sabem "eles" que muitos embates ainda estão por vir.
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