14 de junho de 2018

TUIUTI

CIRES PEREIRA
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És uma escola (de artes) que não tem partido, contudo optou por um lado, lado em que me encontro. Estamos lado a lado neste que é o lado correto.

Sem toga, fizestes o melhor dos juízos. Alinhou-se à História sem os holofotes da tão propalada "Vênus Prateada" e deu nisto.

Um resgate didático e cortante da História. Catarse de criticidade e uma elegia à justiça popular. Sim, TUIUTI, lavastes as almas dos injustiçados, excluídos e humilhados.

A escravidão de humanos vendidos como bichos nos idos coloniais e imperiais e a ofensiva contra direitos fundamentais em pleno XXI compuseram seu grande enredo. Um enredasso, amorosamente negro.

Cortastes a carne, escancarastes as vísceras e arrancastes as cortinas de uma nação entorpecida pelo "ouro de tolo" dos patos de borracha e custeados pelos jagunços da "Mão Invisível".

Fostes insolente TUIUTI, como deveriam ser mesmo todos os filhos e filhas de Zumbi dos Palmares.

Tuiuti, seu canto ecoou, tanto quanto, e por muito tempo, ecoaram "O canto das três raças" e "Upa Neguinho", nas vozes de Clara e Elis, respectivamente.

Teus patinhos, prisioneiros nas visíveis mãos, desfilaram sob as ordens dos homens engravatados e eternos vassalos da "Mão Invisivel".

Embasbacastes a todos, paradisíaca TUIUTI, ao expor um realidade putrefata desenhada por quem se julga ter as mãos limpas.

E o "Gran finale", um "presidente" travestido de Conde Vlad tupiniquim ou então de Bento Carneiro do grande Chico Anísio, estilizado ao vivo e à cores. Logo na tela de uma Globo que, sem ter o que dizer, regurgitou monossílabos empalidecidos pelo ouro vivo dos patinhos manipulados na Sapucaí .

Definitivamente, este Carnaval é teu TUIUTI, teu berro encorajou e robusteceu homens e mulheres em luta.
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