SOBRE O FILME "A MÃE"

CIRES PEREIRA
Após assistir a este filme, não consegui por bom tempo “pregar os olhos”, as cenas me deixaram insone. O filme passou a povoar minha cabeça desde sua projeção. O enredo, o diretor e os artistas me induziam a uma inquietação, desta precisaria tirar algum proveito. E não há como não aproveitar desta obra.

O filme "A Mãe" é muito bem dirigido pelo americano Darren Aronofsky, cineasta que esteve à frente dos filmes “Noé” em 2014, “Cisne Negro” de 2011 e “Fonte da Vida” em 2006. Jennifer Lawrence atuação papel de “Mãe”, portanto a protagonista, mesmo diante dos irretocáveis Ed Harris, Michelle Pfeiffer e Javier Barden, atua com muita personalidade, como exige o seu personagem.

Tendo como base o que assisti, não pude evitar de lembrar de grandes obras renascentistas como a "Transfiguração de Cristo" de Raphael Sânzio, a "Criação" e o "Juízo Final" de Michelangelo e a "Expulsão do Paraíso" de Masaccio. O filme "A Mãe" também nos remete para as páginas da "Divina Comédia" de Dante Alighieri e ao "jardim das Delícias Terrenas" de Hieronymus Bosch e com direito às suas duas abas: paraíso e inferno. Enfim é o cinema do século XXI, ainda que obliquamente, reverenciando a Renascença de 500, 600 anos antes.


Este é um filme que nos deixa simultaneamente embasbacados e confusos, mas por outro lado nos ensina, e ensina muito. Esta é um grande obra da “sétima arte” e uma das melhores que já assisti, impacta e instrui tanto quanto as obras da renascentistas nos últimos cinco séculos. No início dos “seiscentos”, como agora, a sociedade encontrava-se à procura de releituras e ressignificação do sagrado erigido das entranhas bíblicas e "A Mãe", felizmente, continua a incansável e necessária busca pela secularização ou desmitificação empreendida por intelectuais e artistas desde o final do medievo.

Darren Aronofsky e este grande elenco me ensinaram, acima de tudo, o quão pertinente é o discurso metafórico sobre a estória (ou História?) mais significativa de todos os tempos. Preparem-se para entender pouco durante o filme e compreender "a posteriori" e “pari passu” sobre o que nele foi tratado.

Toda arte é interessante por que custa muito ao seu autor produzi-la e, igualmente, custa-nos muito pra digeri-la e tirar dela a luz que ilumina nossa caminhada, ainda mais em tempos obscuros como os de agora.

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