SÉRIE TURCA: KURT SEYIT E SURA

Cires Pereira
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A série Kurt Seyit & Sura, uma produção turca, encontra-se a disposição dos assinantes do aplicativo NETFLIX. Não li o romance que deu origem à série e, por conta disto, opinarei sobre a adaptação para o cinema. Vale muito a pena assisti-la!!!

Trata-se de uma mega produção e todos os episódios já disponibilizados. Figurino e cenários muito bons, sobretudo algumas tomadas de Petrogrado e Istambul, contudo ficaram a desejar as tomadas da Crimeia que, até 1917, fazia parte do Império Russo. A trilha sonora não está à altura do zelo que os produtores e diretores tiveram com o figurino e cenário.

A primeira parte da história se passa no Império Russo e tem como contexto as revoluções em outubro de 1917. Os personagens, sobretudo Seyit que é um Tenente da guarda especial dos Romanovs, e a narrativa se identificam com as forças sociais interessadas na conservação da ordem aristocrática e despótica na Rússia. Não há, neste sentido, uma contraposição necessária para compreender melhor aquele ambiente de mudanças. Não sei se o livro faz isso, de qualquer modo a produção cinematográfica acrescenta muito pra quem já tem uma ideia, ainda que superficial, sobre aquele período de guerra e revolução.

A segunda parte se passa em Istambul (Constantinopla) entre 1918 e 1923, período marcado pela desintegração do império Turco Otomano, que havia se alinhado ao II Reich Alemão na 1ª Guerra Mundial, e pela ocupação inglesa em alguns territórios turcos, especialmente a cidade de Istambul localizada nas margens do Mar Negro. 

A contextualização histórica também foi feita, mas alguns questionamentos precisam ser feitos ao seriado (o livro não li ainda), a saber; criou-se uma Istambul caricata, pois somente dois barros foram apresentados. Um bairro que acolhe numero crescente de imigrantes russos foragidos da revolução bolchevique. E o outro bairro, constituído por muçulmanos e nacionalistas. Ora, ficou uma impressão de que a Turquia tinha um percentual de cristãos ortodoxos expressivo, o que não é verdade, pois 99% da população eram e continuam sendo muçulmanos.

Dois deslizes importantes: 

1- todos os personagens e figurantes eram contrários à ocupação inglesa na turquia e todos pareciam concordar com os métodos de resistência contra esta ocupação. 
2 - Pouco se falou sobre a figura de Mustafá Kemal, o Attaturk (Ama Turca) em 1923, causando um paradoxo, pois todos os turcos que deixaram a Rússia, como Kurt Seyit, e os turcos muçulmanos eram, segundo a produção, nacionalistas anti-ingleses. 

A história e os personagens, incluindo os antagonistas, como o Petro, são fortes e cativantes. Certamente o ponto alto do seriado é a possibilidade de conhecermos universos tão complexos e pouco estudado no "Ocidente". Os universos dos cristãos ortodoxos em Petrogrado, dos muçulmanos da Crimeia e Bielorrússia, da aristocracia russa nos contextos da Guerra Mundial e da Revolução Bolchevique e, principalmente, da encantadora cidade de Istambul. 

Embarquem nesta história e não se arrependerao!!!
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