4 de junho de 2017

RESOLUÇÃO PROVA DE HISTÓRIA 1ª FASE VESTIBULAR UFU JUNHO 2017

Professor Cires Pereira
Abaixo as questões da prova (tipo 1) de História da primeira fase do Vestibular UFU de junho de 2017. Uma prova equilibrada com duas questões com mediano grau de dificuldade  cinco mais fáceis, portanto dentro do que se esperava para a primeira fase que deve sempre primar por uma boa seletividade. 

29) Os especialistas em demografia histórica são mais ou menos concordes em estimar que a população global do reino da França no mínimo duplicou entre os anos mil e 1328, passando de cerca de 6 milhões de habitantes para 13,5 milhões, e de 16 a 17 milhões, considerando as regiões que desde então se tornaram francesas. 

LE GOFF, Jacques. O apogeu da cidade medieval. Trad. Antônio Danesi, São Paulo: Martins Fontes, 1992, p. 4. (Adaptado). 

De acordo com a citação, pode-se afirmar que o principal fator que permitiu o crescimento da população europeia foi 

A) o controle da Peste Negra por meio da implantação de medidas de saneamento das grandes cidades europeias. 
B) o fim dos conflitos entre os reinos, especialmente o da “Guerra dos Cem Anos”, entre França e Inglaterra. 
C) a relativa estabilidade política e econômica, que fomentou a expansão dos burgos e o aumento da produção agrícola nos campos. 
D) o incremento da agricultura, que impulsionou o sistema de trocas de mercadorias promovendo a prosperidade nos feudos.

Resolução: A Europa Ocidental ao longo dos séculos XI, XII e XIII foi palco da emergência de uma economia de mercado em detrimento de uma economia de subsistência, típica do feudalismo. O recrudescimento da atividade mercantil se deveu aos aumentos da produção e das demandas além da reativação da atividade mercantil de longa distância pelos mares que banham a região. A expansão dos burgos pressionava para que o meio rural passasse a produzir mais, assim as novas técnicas, novos equipamentos e o arrendamento de terras passaram a compor também a paisagem rural. Tudo isso não seria possível se não houvesse uma "relativa estabilidade política" decorrente do processo de aproximação entre as casas reais e a nascente burguesia.

30) Refiro-me à destruição que pudemos fazer da grande (20 x 40 metros) e velha maloca taracuá [ ... ] Sabe V. Rvma. que para o índio a maloca é cozinha, dormitório, refeitório, tenda de trabalho, lugar de reunião na estação de chuvas e sala de dança nas grandes solenidades. [ ... ] A maloca é também, como costumava dizer o zeloso Dom Bazola, a “casa do diabo”, pois que ali se fazem as orgias infernais, maquinam-se as mais atrozes vinganças contra os brancos e contra outros índios ...

Monsenhor Pedro Massa, início século XX. ln: ZENUN, K. H. e ADISSI, V. M. A. Ser índio hoje: a tensão territorial. 2.ed. São Paulo: Loyola, 1999, p. 70. (Adaptado). 

Com a chegada dos europeus ao continente americano, teve início a subjetivação da figura do índio, delineando-se, gradativamente, a imagem do nativo ocioso, preguiçoso, indisciplinado e desorganizado. Esse ponto de vista atravessou séculos e sobrevive em nossos dias. Dessa maneira, de acordo com a citação, derrubar a maloca seria uma ação necessária, pois a moradia indígena representava o(a) 

A) tradição da cultura pagã que contrariava os planos de conversão e domínio espiritual. 
B) baluarte de expressão da organização tribal, influência do contato com a cultura africana. 
C) símbolo de superioridade da cultura indígena, quando comparada à europeia. 
D) obstáculo que impedia o trabalho de catequese no espaço conhecido como reduções.

Resolução: O principal motivo da repulsa do missionário cristão em relação à Maloca, que era uma habitação coletiva, era o fato desta ser o símbolo da tradição primitiva, da cultura pagã que "tanto contraria seus planos de conversão, de domínio espiritual e social".

31) Desta vala imunda a maior corrente da indústria humana flui para fertilizar o mundo todo. Deste esgoto imundo jorra o ouro puro. Aqui a humanidade atinge o seu mais completo desenvolvimento e sua maior brutalidade, aqui a civilização faz milagres e o homem civilizado torna-se quase um selvagem. 

TOCQUEVILLE, A. de, Joumeys to England and Ireland. Ed. Mayer, 1958, p. 107-8. 

O advento das revoluções burguesas na Europa, atrelado ao industrialismo, gerava, ao mesmo tempo, perplexidade e deslumbramento ao promover mudanças sociais radicais e ambíguas, fomentadas pelos avanços tecnológicos em diferentes esferas. 
Assinale a alternativa que apresenta a principal mudança no sistema produtivo dos países pioneiros em promover a industrialização. 

A) A formação de mão de obra com os cercamentos dos campos cultiváveis, expulsando-se os trabalhadores dos grandes centros urbanos. 
B) O declínio do proletariado enquanto grupo social hegemônico, arrefecendo-se os conflitos de classe. 
C) A manutenção das terras comunais para a produção de alimentos voltados para a subsistência dos camponeses europeus. 
D) A adoção da divisão técnica do trabalho, com grande utilização de maquinários nas fábricas e aumento da acumulação de capitais.

Resolução: A mecanização do processo produtivo começou na Inglaterra em razão de uma combinação de fatores dentre os quais o processo de subtração de condições objetivas de trabalho e de sobrevivência para os camponeses que tiveram que se deslocar para as cidades inglesas, conhecido como "cercamentos". Nas cidades o produtor direto se proletariza por completo se vendo forçado a vender sua força de trabalho por um salário com o qual adquiria seus bens de consumo pra sobreviver.

32) Maio de 1978 tem suas raízes no cotidiano operário, tecido especialmente nos primeiros anos da década. Finda a euforia do ‘milagre’, o afloramento da crise econômica atingia ainda mais diretamente a classe trabalhadora, que pautava a sua atuação nos marcos da resistência contra o binômio arrocho-arbítrio, superexploração-autocracia, que, entrelaçados intimamente, impunham ao proletariado uma dura realidade. 

ANTUNES, Ricardo. A rebeldia do trabalho (confronto operário no ABC paulista: as greves de 1978/80). São Paulo: Ensaio; Campinas: Editora da UNICAMP, 1988, p.13. 

No final da década de 1970, o Brasil assistiu a um grande movimento grevista que foi importante ao provocar mudanças estruturais na política nacional. Aponte a principal motivação para as greves das diferentes categorias daquele momento.

A) A oposição ao cenário conhecido como “milagre econômico”, situação macroestrutural do período. 
B) A demanda por condições mais dignas de trabalho e o desejo pela estatização das fábricas automotivas. 
C) A recessão econômica que ceifou postos de empregos e reforçou o poder do governo autocrático.
D) A luta por recomposição salarial e pelo retorno do estado democrático de direito.

Resolução: As greves nos centros urbanos no sudeste brasileiro, especialmente as greves na região do ABC, tinham duas bandeiras imediatas, melhores salários ou pelo menos a recomposição dos salários ou reajuste de acordo com a crescente espiral inflacionária e o fim da ditadura militar e a redemocratização do Estado brasileiro.

33) Observe o trecho abaixo: O plano geral da cidade, de relevo acidentado e repontado de áreas pantanosas, constituía obstáculo permanente à edificação de prédios e residências que, desde pelo menos 1882, não acompanhavam a demanda sempre crescente dos habitantes. A insalubridade da capital, foco endêmico de varíola, tuberculose, febre tifóide, lepra, escarlatina e sobretudo da terrível febre amarela, já era tristemente lendária nos tempos áureos do II Reinado, sendo o Rio de Janeiro cantado por um poeta alemão como na terra da morte diária/Túmulo insaciável do estrangeiro. 

SEVCENKO, Nicolau. Literatura como missão. São Paulo: Brasiliense, 1995. p. 52. 

No excerto, é relatado o triste cenário do Rio de Janeiro nos anos iniciais da Primeira República, agravado pela crise sanitária que assolou a cidade e também por outros aspectos da vida social, entre eles, a economia. 

Com base nesse contexto, é CORRETO dizer que a crise econômica derivou da 

A) política de desenvolvimento focada na formação da indústria de base, desprestigiando a indústria de bens de consumo. 
B) política monetária, que propiciou o aumento de moeda no mercado e a facilidade na criação de sociedades anônimas. 
C) queda drástica da produção cafeeira, que diminuiu o fluxo das exportações e impulsionou o desemprego nos campos. 
D) política protecionista do governo federal, que visava investir no capital nacional, o qual ainda era incipiente e incapaz de fomentar a industrialização.

Resolução: A questão alude ao fenômeno conhecido como "Encilhamento" que consistiu nos efeitos perversos da política econômica do ministro das finanças Rui Barbosa, no governo do marechal Deodoro da Fonseca (1889-1891) tais como: a especulação mobiliária na Bolsa de Valores, a desvalorização devido à emissão, sem lastro, de moedas pelo governo, aumento da inflação e ampliação da Divida Pública Mobiliária.

34) Observe o trecho seguinte e responda ao que se pede. A ideia da adoção, aqui no Brasil, do planejamento como instrumento de política econômica em economias de mercado, que acabou por ser posta efetivamente em prática com o Programa de Metas, foi acompanhada de acirrados debates. De um lado, como ferrenhos opositores, tínhamos adeptos da postura liberal, cujos expoentes eram Eugênio Gudin e Octavio Gouvêa de Bulhões. De outro, como proponentes, tínhamos Roberto Simonsen, que exerceu a presidência da Federação das Indústrias do estado de São Paulo, e Evaldo Lódi, que presidiu a Confederação Nacional das Indústrias. Para esses últimos era imprescindível a coordenação estatal das decisões econômicas. 

SALOMÃO, C. F.; SILVA, L. Q. A década de 1950 e o programa de metas. In. GOMES, A. C. O Brasil de JK. Rio de Janeiro: FGV/CPDOC, 1991. p. 80. 

O Plano de Metas foi fundamental para o desenvolvimento do Brasil moderno e se norteou por um modelo econômico baseado 

A) no financiamento do capital privado nacional para construção de hidrelétricas e geração de energia. 
B) na formação de um complexo de indústrias de bens de consumo com controle estatal. 
C) na criação de uma infraestrutura e de uma indústria de base com forte participação estatal. 
D) no fortalecimento da formação profissional, por meio do ensino superior tecnológico.

Resolução: Tratava-se de um audacioso plano do governo brasileiro na gestão de JK (1956/1961) que consistia em "30 metas" mais a construção no planalto central da nova capital do Brasil, Brasília. O objetivo era ampliar a infraestrutura para a industrialização que compreendia mais transportes, energias e capacitação de mão-de-obra. A ideia seria atrair investimentos estrangeiros privados para a ampliação da produção/oferta de bens de consumo duráveis.

35) O texto seguinte, de Hannah Arendt, é uma interpretação da autora acerca da ascensão dos regimes totalitários no século XX.

Os movimentos totalitários são possíveis onde quer que existam massas que, por um motivo ou outro, desenvolveram certo gosto pela organização política. As massas não se unem’ pela consciência de um interesse comum e falta-Ihes aquela específica articulação de classes que se expressa em objetivos determinados, limitados e atingíveis. O termo massa só se aplica quando lidamos com pessoas que, simplesmente devido ao seu número, ou a sua indiferença, ou a uma mistura de ambos, não se podem integrar numa organização profissional ou sindicato de trabalhadores. Potencialmente, as massas existem em qualquer país e constituem a maioria das pessoas neutras e politicamente indiferentes, que nunca se filiam a um partido e raramente exercem o poder de voto. 

ARENDT, Hannah. Origens do Totalitarismo. Trad. Roberto Raposo. Vol. 1. São Paulo: Companhia das Letras, 1989. p. 361

Sobre o assunto, é possível afirmar que

A) o socialismo soviético teve importante apoio das massas populares e rejeitou a participação dos trabalhadores sindicalizados. 
B) os regimes fascistas reconheciam a existência de classe, mas entendiam, voluntariamente, que uma hierarquia definiria os papéis sociais. 
C) o fascismo italiano derivou do projeto totalitarista alemão, que pretendia expandir suas fronteiras e ideias pelo mundo. 
D) o Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores, na Alemanha, sem apoio popular, ascendeu ao poder través de um golpe de estado comandado por Adolf Hitler.

Resolução: Dentre as proposições mais importantes do fascismo encontramos o Estado Corporativista cujo propósito seria aplacar a tensa luta de classes que poderia evoluir para uma crise revolucionária, como ocorreu no Império Russo por volta de 1917. Os fascistas reconheciam a sociedade vigente como uma sociedade dividida em duas classes, contudo divergiam da tese marxiana de que seus interesses eram diametralmente opostos e antagônicos. Propunham deste modo a conciliação entre as classes, para tanto era imperativo o protagonismo do Estado. Caberia ao Estado submeter as organizações representativas das classes (patronal e proletária), tornando-as "correias de transmissão entre a sociedade civil e o Estado.
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