UNESP 2017 RESOLUÇÃO PROVA HISTÓRIA 1ª FASE

PROF CIRES PEREIRA


31) Apesar de sua dispersão geográfica e de sua fragmentação política, os Gregos tinham uma profunda consciência de pertencer a uma só e mesma cultura. Esse fenômeno é tão mais extraordinário, considerando-se a ausência de qualquer autoridade central política ou religiosa e o livre espírito de invenção de uma determinada comunidade para resolver os diversos problemas políticos ou culturais que se colocavam para ela. 

(Moses I. Finley. Os primeiros tempos da Grécia, 1998. Adaptado.) 

O excerto refere-se ao seguinte aspecto essencial da história grega da Antiguidade: 
(A) a predominância da reflexão política sobre o desenvolvimento das belas-artes. 
(B) a fragilidade militar de populações isoladas em pequenas unidades políticas. 
(C) a vinculação do nascimento da filosofia com a constituição de governos tirânicos. 
(D) a existência de cidades-estados conjugada a padrões civilizatórios de unificação. 
(E) a igualdade social sustentada pela exploração econômica de colônias estrangeiras.

RESOLUÇÃO: Letra D - Apesar de as cidades gregas serem autônomas entre si, havia elementos culturais, como o excerto aponta, que integravam-nas como a arquitetura, a religiosidade e a filosofia

32) A Igreja foi responsável direta por mais uma transformação, formidável e silenciosa, nos últimos séculos do Império: a vulgarização da cultura clássica. Essa façanha fundamental da Igreja nascente indica seu verdadeiro lugar e função na passagem para o Feudalismo. A condição de existência da civilização da Antiguidade em meio aos séculos caóticos da Idade Média foi o caráter de resistência da Igreja. Ela foi a ponte entre duas épocas. 

(Perry Anderson. Passagens da Antiguidade ao Feudalismo, 2016. Adaptado.) O excerto permite afirmar corretamente que a Igreja cristã 
(A) tornou-se uma instituição do Império Romano e sobreviveu à sua derrocada quando da invasão dos bárbaros germânicos. 
(B) limitou suas atividades à esfera cultural e evitou participar das lutas políticas durante o Feudalismo. 
(C) manteve-se fiel aos ensinamentos bíblicos e proibiu representações de imagens religiosas na Idade Média. 
(D) reconheceu a importância da liberdade religiosa na Europa Ocidental e combateu a teocracia imperial. 
(E) combateu o universo religioso do Feudalismo e propagou, em meio aos povos sem escrita, o paganismo greco-romano.

RESOLUÇÃO: Letra A - A oficialização da religião cristã pelo já decadente Império Romano Ocidental, o colapso desta autoridade no final do século V e a conversão dos povos germânicos ao cristianismo tornaram a Igreja Cristã uma instituição poderosa e muito influente no ocidente europeu.

33) A pintura representa no martírio de Cristo os seguintes princípios culturais do Renascimento italiano:

(A) a imitação das formas artísticas medievais e a ênfase na natureza espiritual de Cristo.
(B) a preocupação intensa com a forma artística e a ausência de significado religioso do quadro.
(C) a disposição da figura de Cristo em perspectiva geométrica e o conteúdo realista da composição.
(D) a gama variada de cores luminosas e a concepção otimista de uma humanidade sem pecado.
(E) a idealização do corpo do Salvador e a noção de uma divindade desvinculada dos dramas humanos.

RESOLUÇÃO: Letra C - A humanização do que é sagrado era uma das características centrais do renascimento cultural. Andrea Mantegna além de se preocupar em retratar Cristo em sua dimensão humana com forte equilíbrio entre as formas e tons dando à mesma uma dimensão realista, retrata o sentimento, neste caso o lamento das pessoas em torno do féretro de Cristo.

34) Em meados do século o negócio dos metais não ocuparia senão o terço, ou bem menos, da população. O grosso dessa gente compõe-se de mercadores de tenda aberta, oficiais dos mais variados ofícios, boticários, prestamistas, estalajadeiros, taberneiros, advogados, médicos, cirurgiões-barbeiros, burocratas, clérigos, mestres- -escolas, tropeiros, soldados da milícia paga. Sem falar nos escravos, cujo total, segundo os documentos da época, ascendia a mais de cem mil. A necessidade de abastecer-se toda essa gente provocava a formação de grandes currais; a própria lavoura ganhava alento novo. 

(Sérgio Buarque de Holanda. “Metais e pedras preciosas”. História geral da civilização brasileira, vol 2, 1960. Adaptado.) 

De acordo com o excerto, é correto concluir que a extração de metais preciosos em Minas Gerais no século XVIII 
(A) impediu o domínio do governo metropolitano nas áreas de extração e favoreceu a independência colonial. 
(B) bloqueou a possibilidade de ascensão social na colônia e forçou a alta dos preços dos instrumentos de mineração. 
(C) provocou um processo de urbanização e articulou a economia colonial em torno da mineração. 
(D) extinguiu a economia colonial agroexportadora e incorporou a população litorânea economicamente ativa. 
(E) restringiu a divisão da sociedade em senhores e escravos e limitou a diversidade cultural da colônia.

RESOLUÇÃO: Letra C - Sérgio Buarque, neste fragmento, ressalta as ocupações e ofícios que se desenvolveram em torno da atividade mineratório nas Minas Gerais ao longo do século XVIII. O comércio, os serviços de toda natureza e as atividades agrárias passaram a atrair e concentrar nas cidades pessoas de todos os cantos da grande colônia portuguesa. As cidades passaram a ser os principais espaços para a diversificação econômica e a atração de pessoas interessadas em trabalhar e investir.

35) No movimento de Independência atuam duas tendências opostas: uma, de origem europeia, liberal e utópica, que concebe a América espanhola como um todo unitário, assembleia de nações livres; outra, tradicional, que rompe laços com a Metrópole somente para acelerar o processo de dispersão do Império. 

(Octavio Paz. O labirinto da solidão, 1999. Adaptado.) 

O texto refere-se às concepções em disputa no processo de Independência da América Latina. Tendo em vista a situação política das nações latino-americanas no século XIX, é correto concluir que 
(A) os Estados independentes substituíram as rivalidades pela mútua cooperação. 
(B) os países libertos formaram regimes constitucionais estáveis. 
(C) as antigas metrópoles ibéricas continuavam governando os territórios americanos. 
(D) o conteúdo filosófico das independências sobrepôs-se aos interesses oligárquicos. 
(E) as classes dirigentes nativas foram herdeiras da antiga ordem colonial.

RESOLUÇÃO: Letra E - Os processos de libertação colonial frente ao domínio espanhol no início do século XIX, tal como se viu na libertação das 13 colônias inglesas no final do século XVIII, foram conduzidos por lideranças políticas e militares alinhadas com o iluminismo e representantes dos setores mais abastados da sociedade colonial, excetuando os "chapetones" que eram os privilegiados espanhóis nascidos na metrópole. Os Estados Nacionais que se configuraram passaram a ser comandados, portanto, pelas elites "criollas".


36) A expansão territorial dos Estados Unidos, no século XIX, foi o resultado da compra da Luisiana francesa pelo governo central, da anexação de territórios mexicanos, da distribuição de pequenos lotes de terra para colonos pioneiros, da expansão das redes de estradas de ferro, assim como da anexação de terras indígenas. 

Esse processo expansionista foi ideologicamente justificado pela doutrina do Destino Manifesto, segundo a qual 
(A) o direito pertence aos povos mais democráticos e laboriosos. 
(B) o mundo deve ser transformado para o engrandecimento da humanidade. 
(C) o povo americano deve garantir a sobrevivência econômica das sociedades pagãs. 
(D) as terras pertencem aos seus descobridores e primeiros ocupantes. 
(E) a nação deve conquistar o continente que a Providência lhe reservou.

RESOLUÇÃO: Letra E - Ao longo da primeira metade do século XIX, os governos estadunidenses adquiriram e anexaram territórios localizados a oeste das antigas treze colônias até o limite do Oceano Pacífico. A colonização deste vasto território tinha como objetivo amplificar as potencialidades de uma nação dirigida pelo Estado liberal e pautada numa sociedade majoritariamente cristã e protestante. A Doutrina do Destino Manifesto como uma missão que Deus lhes haviam reservado, constituiu-se, deste modo, na justificação principal do projeto expansionista e colonizatório da sociedade e governo estadunidenses comandados por uma elite cristã, individualista, competitiva e capitalista.


37) Art. 3º O governo paraguaio se reconhece obrigado à celebração do Tratado da Tríplice Aliança de 1º de maio de 1865, entendendo-se estabelecido desde já que a navegação do Alto Paraná e do Rio Paraguai nas águas territoriais da república deste nome fica franqueada aos navios de guerra e mercantes das nações aliadas, livres de todo e qualquer ônus, e sem que se possa impedir ou estorvar-se de nenhum modo a liberdade dessa navegação comum. 

(“Acordo Preliminar de Paz Celebrado entre Brasil, Argentina e Uruguai com o Paraguai (20 junho 1870)”. In: Paulo Bonavides e Roberto Amaral (orgs.). Textos políticos da história do Brasil, 2002. Adaptado.) 

O tratado de paz imposto pelos países vencedores da guerra contra o Paraguai deixa transparente um dos motivos da participação do Estado brasileiro no conflito: 
(A) o domínio de jazidas de ouro e prata descobertas nas províncias centrais. 
(B) o esforço em manter os acordos comerciais celebrados pelas metrópoles ibéricas. 
(C) a garantia de livre trânsito nas vias de acesso a províncias do interior do país. 
(D) o projeto governamental de proteger a nação com fronteiras naturais. 
(E) o monopólio governamental do transporte de mercadorias a longa distância.

RESOLUÇÃO: Letra C - Brasil e Paraguai se envolveram numa guerra motivada, entre outras coisas, pela disputa da navegação dos rios da bacia platina. Derrotado, o governo Paraguaio assinou um Tratado no qual aceitava as sanções impostas pela Tríplice Aliança (Brasil, Uruguai e Argentina) tais como a livre navegação pleos rios da região. 

Leia o texto para responder às questões 38 e 39. 

A industrialização contemporânea requer investimentos vultosos. No Brasil, esses investimentos não podiam ser feitos pelo setor privado, devido à escassez de capital que caracteriza as nações em desenvolvimento. Além disso, o crescimento econômico do Brasil, um recém-chegado ao processo de modernização, processou-se em condições socioeconômicas diferentes. Um efeito internacional de demonstração, na forma de imitação de padrões de vida, entre países ricos e pobres, e entre classes ricas e pobres dentro das nações, resultou em pressões significativas sobre as taxas de crescimento para diminuir a diferença entre nações desenvolvidas e em desenvolvimento. Em vista das aspirações de melhores padrões de vida, o governo desempenhou um papel importante no crescimento econômico recente do Brasil. 

(Carlos Manuel Peláez e Wilson Suzigan. História monetária do Brasil, 1981. Adaptado.)

38) De acordo com o texto, uma das particularidades do processo de industrialização brasileira é 
(A) o controle das matérias-primas industriais pelas nações imperialistas do planeta. 
(B) a escassez de mão de obra devido à sobrevivência da pequena propriedade rural. 
(C) o domínio da política por setores sociais ligados aos padrões da economia colonial. 
(D) a emergência da industrialização em meio a economias internacionais já industrializadas. 
(E) a existência prévia de um amplo mercado consumidor de produtos de luxo.

RESOLUÇÃO: Letra D - A industrialização no Brasil não teria sido possível sem a participação do setor público, pois o capital privado nacional não reunia os recursos necessários. Ao Estado cabia captar recursos, muitos dos quais emitindo títulos públicos, para viabilizar os setores essenciais ao processo industrial: logística, transportes, energia, matérias primas, etc. Este modelo se intensificou a partir do colapso do modelo agro-exportador devido à crise de 1929, o que implicou para o Brasil uma forte retração dos preços e das exportações.

39) Os impasses do desenvolvimento industrial brasileiro, apontados pelo texto, foram enfrentados no governo Juscelino Kubitschek (1956-1961) com o Plano de Metas, cujo objetivo era promover a industrialização por meio 
(A) da associação de esforços econômicos entre o Estado, o capital estrangeiro e as empresas nacionais. 
(B) da valorização da moeda nacional, da estatização de fábricas falidas e da contenção de salários. 
(C) da criação de indústrias têxteis estatais e do aumento de impostos sobre o grande capital nacional. 
(D) do emprego de empresas multinacionais submetidas à severa lei da remessa de lucros, juros e dividendos para o exterior. 
(E) do combate à seca no Nordeste e do aumento do salário mínimo, com controle da inflação.

RESOLUÇÃO: Letra A - O Plano de Metas do Governo JK (1956/61) pode ser entendido como um esforço envolvendo a inciativa privada nacional e estrangeira e o poder público. Tinha portanto os respaldo dos investidores internos e estrangeiros. A iniciativa privada, movida pelas circunstâncias e as suas conveniências, não punha reparos ao intervencionismo estatal devido ao fato de que os riscos eram somente do Estado e s lucros bastante generosos. 

40) Observe o cartaz, relativo ao plebiscito realizado em janeiro de 1963.

O cartaz alude à situação histórica brasileira marcada por 
(A) estabilidade política, crescimento da economia agroindustrial e baixas taxas de inflação. 
(B) renúncia presidencial, debates sobre sistema de governo e projetos de reforma social. 
(C) ascensão de governos conservadores, despolitização da sociedade e abolição de leis trabalhistas. 
(D) deposição do presidente da República, privatizações de empresas estatais e adoção do neoliberalismo. 
(E) autoritarismos governamentais, restrições à liberdade de expressão e cassações de mandatos de parlamentares. 

RESOLUÇÃO: Letra B - Com renúncia de Jânio Quadro em 1961, o parlamentarismo foi a solução encontrada pelas lideranças políticas para conter o avanço das esquerdas e por termo à crise institucional. O governo convocou um Plebiscito no ano de 1963 sobre o sistema de governo. O cartaz, alinhado com o governo João Goulart, claramente defendia a restauração do presidencialismo para que as reformas sociais e econômicas deste governo, pretensamente inclusivas, pudessem ser feitas.
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