6 de novembro de 2016

ENEM 2016 RESOLUÇÃO CIÊNCIAS HUMANAS: HISTÓRIA

PROFESSOR CIRES PEREIRA

Acessem, por estes links, as demais questões da prova de ciencias humanas, de Sociologia (http://www.escritaglobal.com.br/2016/11/enem-2016-resolucao-ciencias-humanas_18.html), de Geogradia ( http://www.escritaglobal.com.br/2016/11/enem-2016-resolucao-ciencias-humanas_6.html ) e de Filosofia (http://www.escritaglobal.com.br/2016/11/enem-2016-resolucao-ciencias-humanas.html )

04) Batizado por Tancredo Neves de “Nova República”, o período que marca o reencontro do Brasil com os governos civis e a democracia ainda não completou seu quinto ano e já viveu dias de grande comoção. Começou com a tragédia de Tancredo, seguiu pela euforia do Plano Cruzado, conheceu as depressões da inflação e das ameaças da hiperinflação e desembocou na movimentação que antecede as primeiras eleições diretas para presidente em 29 anos. 
O álbum dos presidentes: a história vista pelo JB Jornal do Brasil, 15 nov 1989 

O período descrito apresenta continuidades e rupturas em relação à conjuntura histórica anterior. 

Uma dessas continuidades consistiu na 

A) representação do legislativo com a fórmula do bipartidarismo. 
B) detenção de lideranças populares por crimes de subversão. 
C) presença de políticos com trajetórias no regime autoritário. 
D) prorrogação das restrições advindas dos atos institucionais. 
E) estabilidade da economia com o congelamento anual de preços.

RESOLUÇÃO: Tancredo Neves era o candidato oposicionista no Colégio Eleitoral que se constituiu no parlamento brasileiro para a escolha do novo presidente da República. Para construir não apenas uma chapa vencedora, Tancredo se preocupou em ampliar a Aliança Democrática envolvendo os dissidentes do PDS (Antiga ARENA) que então apresentaram José Sarney para ser o vice de Tancredo. Sarney tornou-se o Presidente devido ao falecimento de Tancredo logo depois de sua vitória. O governo Sarney se constituiu numa transição do regime ditatorial para o regime democrático.

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07) Texto I
Texto II 

A eleição dos novos bens, ou melhor, de novas formas de se conceber a condição do patrimônio cultural nacional, também permite que diferentes grupos sociais, utilizando as leis do Estado e o apoio de especialistas, revejam as imagens e alegorias do seu passado, do que querem guardar e definir como próprio e identitário.

ABREU, M.; SOIHET, R.; GONTIJO, R. (Org ). Cultura política e leituras do passado: historiografia e ensino de história. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. 

O texto chama a atenção para a importância da proteção de bens que, como aquele apresentado na imagem, se identificam como: 

A) Artefatos sagrados. 
B) Heranças materiais. 
C) Objetos arqueológicos. 
D) Peças comercializáveis. 
E) Conhecimentos tradicionais.

RESOLUÇÃO: A preservação do patrimônio material e imaterial cabe em toda sociedade, os indivíduos e o Estado devem assumir suas responsabilidades, do contrário aos poucos nossa relação com o passado pode se desconectar, o que seria trágico. A imagem e o texto convergem sobre a pertinência conhecermos os signos, traços e condutas tradicionais para reforçarmos nossa identidade cultural.
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09) A Operação Condor está diretamente vinculada às experiências históricas das ditaduras civil-militares que se disseminaram pelo Cone Sul entre as décadas de 1960 e 1980. Depois do Brasil ( e do Paraguai de Stroessner), foi a vez da Argentina (1966), Bolívia (1966 e 1971), Uruguai e Chile (1973) e Argentina (novamente, em 1976). Em todos os casos se instalaram ditaduras civil-militares (em menor ou maior medida) com base na Doutrina de Segurança Nacional e tendo como principais características um anticomunismo militante, a identificação do inimigo interno, a imposição do papel político das Forças Armadas e a definição de fronteiras ideológicas. 

PADRÓS, E. S. et ai. Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul (1964-1985), história e memória. Porto Alegre: Corag, 2009 (adaptado). 

Levando-se em conta o contexto em que foi criada, a referida operação tinha como objetivo coordenar a e modificação de limites territoriais. 

A) modificação de limites territoriais. 
B) sobrevivência de oficiais exilados. 
C) interferência de potências mundiais. 
D) repressão de ativistas oposicionistas. 
E) implantação de governos nacionalistas.

RESOLUÇÃO: No início dos anos 1970, os diversos serviços de inteligência latino-americanos vinculados aos militares e aos governos ditatoriais alinhados com os EUA passaram a agir de maneira mais integrada. Amparados pelo TIAR (Tratado Interamericano de Auxílio Recíproco de 1947), os governos da região e os EUA colocaram em prática a Operação Condor. O objetivo era aprimorar a repressão aos grupos radicais e revolucionários na região. A ordem era conter o avanço das esquerdas que se sentiam mais animadas em razão da revolução em Cuba, dos protestos do final dos anos 60 e com a eleição de Allende no Chile. 


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10) A regulação das relações de trabalho compõe uma estrutura complexa, em que cada elemento se ajusta aos demais. A Justiça do Trabalho é apenas uma das peças dessa vasta engrenagem. A presença de representantes classistas na composição dos órgãos da Justiça do Trabalho é também resultante da montagem dessa regulação. O poder normativo também reflete essa característica. Instituída pela Constituição de 1934, a Justiça do Trabalho só vicejou no ambiente político do Estado Novo instaurado em 1937. 

ROMITA. A. S. Justiça do Trabalho produto do Estado Novo. In: PANDOLFI, D. (Org.). Repensando o Estado Novo. Rio de Janeiro: Editora FGV, 1999. 

A criação da referida instituição estatal na conjuntura histórica abordada teve por objetivo:

A) legitimar os protestos fabris.
B) ordenar os conflitos laborais. 
C) oficializar os sindicatos plurais. 
D) assegurar os princípios liberais. 
E) unificar os salários profissionais.

RESOLUÇÃO: Getúlio Vargas optou pela via autoritária e corporativista para conter a radicalização dos movimentos dos trabalhadores identificados com as ideologias de esquerda, sobretudo durante o Estado Novo (1937-45). A ideia seria engessar a capacidade de organizar dos sindicatos, submetendo-os aos limites de uma legislação que, na prática, suprimia suas autonomias dotando-os de meras correias de transmissão do Estado. Tudo isso não teria como se viabilizar caso não fosse criada uma instituição pública para o arbitramento e fiscalização, a Justiça do Trabalho.

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15) A África Ocidental é conhecida pela dinâmica das suas mulheres comerciantes, caracterizadas pela perícia, autonomia e mobilidade. A sua presença, que fora atestada por viajantes e por missionários portugueses que visitaram a costa a partir do século XV, consta também na ampla documentação sobre a região. A literatura é rica em referências às grandes mulheres como as vendedoras ambulantes, cujo jeito para o negócio, bem como a autonomia e mobilidade, é tão típico da região. 

HAVIK, P. Dinâmicas e assimetrias afro-atlânticas: a agência feminina e representações em mudança na Guiné (séculos XIX e XX). ln: PANTOJA, S. (Org.). Identidades, memórias e histórias em terras africanas. Brasília: LGE; Luanda: Nzila, 2006. 

A abordagem realizada pelo autor sobre a vida social da África Ocidental pode ser relacionada a uma característica marcante das cidades no Brasil escravista nos séculos XVIII e XIX, que se observa pela

A) restrição à realização do comércio ambulante por africanos escravizados e seus descendentes. 
B) convivência entre homens e mulheres livres, de diversas origens, no pequeno comércio. 
C) presença de mulheres negras no comércio de rua de diversos produtos e alimentos. 
D) dissolução dos hábitos culturais trazidos do continente de origem dos escravizados. 
E) entrada de imigrantes portugueses nas atividades ligadas ao pequeno comércio urbano.

RESOLUÇÃO: Nas cidades brasileiras, sobretudo nas regiões mineradoras, observou-se uma importante mudança em sua composição social. A diversificação econômica, advinda com a mineração e intensificada com o crescimento populacional desde o século XVIII implicava numa composição social mais flexível, com destaque para os setores médios urbanos. Alguns escravos denominados "negros de ganho" podiam trabalhar em outras atividades, incluindo o comércio e os serviços, muitos dos quais eram explorados pelas escravas que então passaram a ser presentes nas ruas e praças das cidades. Frise-se que muitos destes(as) escravos(as) conseguiam, com os recursos angariados, comprar suas alforrias.

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16) Quanto mais complicada se tornou a produção industrial, mais numerosos passaram a ser os elementos da indústria que exigiam garantia de fornecimento. Três deles eram de importância fundamental: o trabalho, a terra e o dinheiro. Numa sociedade comercial, esse fornecimento só poderia ser organizado de uma forma: tornando-os disponíveis à compra. Agora eles tinham que ser organizados para a venda no mercado. Isso estava de acordo com a exigência de um sistema de mercado. Sabemos que em um sistema como esse, os lucros só podem ser assegurados se se garante a autorregulação por meio de mercados competitivos interdependentes. 

POLANYI, K. A grande transformação as origens de nossa época. Rio de Janeiro: Campus, 2000 (adaptado). 

A consequência do processo de transformação socioeconômica abordado no texto é a 

A) expansão das terras comunais. 
B) limitação do mercado como meio de especulação. 
C) consolidação da força de trabalho como mercadoria. 
D) diminuição do comércio como efeito da industrialização. 
E) adequação do dinheiro como elemento padrão das transações.

RESOLUÇÃO: A revolução industrial provocou a separação definitiva entre o capital e o trabalho, delineando-se uma sociedade constituída pelos donos de capital e adquirentes da força de trabalho e pelo proletariado que tinha na venda de sua força de trabalho o único meio de sobrevivência. A força de trabalho torna-se então uma mercadoria. 

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17) O que ocorreu na Bahia de 1798, ao contrário das outras situações de contestação política na América portuguesa, é que o projeto que lhe era subjacente não tocou somente na condição, ou no instrumento, da integração subordinada das colônias no império luso. Dessa feita, ao contrário do que se deu nas Minas Gerais (1789), a sedição avançou sobre a sua decorrência. 

JANCSÓ, I., PIMENTA. J P. Peças de um mosaico ln. MOTA, C. G. (Org.). Viagem incompleta: a experiência brasileira (1500-2000). São Paulo: Senac, 2000. 

A diferença entre as sedições abordadas no texto encontrava-se na pretensão de

A) eliminar a hierarquia militar. 
B) abolir a escravidão africana. 
C) anular o domínio metropolitano. 
D) suprimir a propriedade fundiária. 
E) extinguir o absolutismo monárquico.

RESOLUÇÃO: A Conjuração Baiana de 1798 apresentou um caráter mais associado às demandas dos setores populares que, nas colônias, eram constituídos em sua maioria por escravos. Portanto uma de suas bandeiras que a diferenciou da Inconfidência Mineira, mais elitista e identificada com o liberalismo moderado, foi a tese da abolição da escravatura.

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18) TEXTO I 

Documentos do século XVI algumas vezes se referem aos habitantes indígenas como “os brasis”, ou “gente brasília” e, ocasionalmente no século XVII, o termo “brasileiro” era a eles aplicado, mas as referências ao status econômico e jurídico desses eram muito mais ·populares. Assim, os termos “negro da terra” e “índios” eram utilizados com mais frequência do que qualquer outro. 

SCHWARTZ, S. B. Gente da terra braziliense da nação. Pensando o Brasil a construção de um povo. In MOTA C G ( Org) Viagem Incompleta a experiência brasileira (1500-2000) São Paulo Senac. 2000 (adaptado) 

TEXTO II 

Índio é um conceito construído no processo de conquista da América pelos europeus. Desinteressados pela diversidade cultural, imbuídos de forte preconceito para com o outro, o indivíduo de outras culturas, espanhóis, portugueses, franceses e anglo-saxões terminaram por denominar da mesma forma povos tão díspares quanto os tupinambás e os astecas. 

SILVA K. V, SILVA M. H. Dicionário de conceitos históricos. São Paulo: Contexto, 2005

Ao comparar os textos, as formas de designação dos grupos nativos pelos europeus, durante o período analisado, são reveladoras da 

A) concepção idealizada do território, entendido como geograficamente indiferenciado. 
B) percepção corrente de uma ancestralidade comum às populações ameríndias. 
C) compreensão etnocêntrica acerca das populações dos territórios conquistados. 
D) transposição direta das categorias originadas no imaginário medieval. 
E) visão utópica configurada a partir de fantasias de riqueza. Gabarito: 

RESOLUÇÃO: Os europeus valiam-se de uma visão etnocêntrica, devidamente enfatizada nos textos I e II, para justificarem a forma como se relacionavam com os nativos das áreas conquistadas e colonizadas nas Américas e no caribe. Esta manifestação etnocêntrica é denominada Eurocêntrica, pois considerava a cultura europeia superiora ao mesmo tempo em que desqualificava outras culturas, como as nativas. A sujeição dos povos nativos aos trabalhos forçados, a catequização nos valores cristãos católicos e a usurpação de seus domínios eram considerados como indispensáveis à prosperidade e a "civilidade". Frise-se que em algumas regiões o colonizador optou por empregar a mão-de-obra de origem africana devido à presença rarefeita dos nativos e/ou às conveniências de ordem econômica.

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26)


Uma scena franco-brazileira: “franco” — pelo local e os personagens, o local que é Paris e os personagens que são pessôas do povo da grande capital; “brazileira” pelo que ahi se está bebendo: café do Brazil. O Lettreiro diz a verdade apregoando que esse é o melhor de todos os cafés. (Essa página foi desenhada especialmente para A Illustração Brazileira pelo Sr. Tofani, desenhista do Je Sais Tout.) 

A lllustração Brazileira. n. 2. 15 JUn 1909 (adaptado). 

A página do periódico do início do século XX documenta um importante elemento da cultura francesa, que é revelador do papel do Brasil na economia mundial, indicado no seguinte aspecto: 

A) Prestador de se. serviços gerais. 
B) Exportador de bens industriais. 
C) Importador de padrões estéticos. 
D) Fornecedor de produtos agrícolas. 
E) Formador padrões de consumo

RESOLUÇÃO: O Brasil, mesmo tendo rompido com o domínio metropolitano luso no início do século XIX e mesmo tendo proclamado sua república no final do mesmo século, não conseguia se desvencilhar das amarras que o mantinham como uma economia de exportação. As lideranças envolvidas na independência e na proclamação da República não tinham um projeto de construção soberana amparado pela diversificação econômica. Por tudo isso o Brasil continuava produtor e exportador de bens de baixo valor agregado, como o café.  

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27) 
TEXTO I 
Mais de 50 mil refugiados entraram no território húngaro apenas no primeiro semestre de 2015. Budapeste lançou os “trabalhos preparatórios” para a construção de um muro de quatro metros de altura e 175 km ao longo de sua fronteira com a Sérvia, informou o ministro húngaro das Relações Exteriores. “Uma resposta comum da União Europeia a este desafio da imigração é muito demorada, e a Hungria não pode esperar. Temos que agir”, justificou o ministro. 

Disponível em: www.portugues.rfi.fr. Acesso em: 19 jun. 2015 (adaptado). 

TEXTO II
O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) critica as manifestações de (xenofobia)adotadas pelo governo da Hungria. O país foi invadido por cartazes nos quais o chefe do executivo insta os imigrantes a respeitarem as leis e a não “roubarem” os empregos dos húngaros. Para o ACNUR, a medida é surpreendente, pois a xenofobia costuma ser instigada por pequenos grupos radicais e não pelo próprio governo do país. 

Disponível em: http://pt.euronews.com. Acesso em: 19 jun. 2015 (adaptado). 

O posicionamento governamental citado nos textos é criticado pelo ACNUR por ser considerado um caminho para o(a) 

A) alteração do regime político. 
B) fragilização da supremacia nacional. 
C) expansão dos domínios geográficos. 
D) cerceamento da liberdade de expressão
E) fortalecimento das práticas de discriminação.

RESOLUÇÃO: O deslocamento interno e a emigração de indefesos sírios tem sido crescentes desde 2011 quando irrompeu uma guerra civil entre os partidários e os adversários do regime de Bashar al-Assad. Muitos conseguiram emigrar para a Turquia que não tem estrutura suficiente para acolher milhões de refugiados. Muitos destes continuaram se deslocando até alcançarem o Leste europeu para então se dispersarem por toda a Europa Ocidental. Contudo tem se esbarrado nas dificuldades impostas pelos governos nestas regiões, alguns sequer estão cumprindo as cotas estabelecidas pelo acordos internacionais e fiscalizados pela ACNUR.

Há na Europa uma pressão para que seus governos não deem refúgio aos árabes, alegando a perda de postos de trabalhos e o avanço do terrorismo na região. Alguns mais radicalizados tem alimentado o islamofobismo, ampliando a discriminação.

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29)

O regime do Apartheíd adotado de 1948 a 1994 na África do Sul fundamentava-se em ações estatais de segregacionismo racial. Na imagem, fuzileiros navais fazem valer a “lei do passe” que regulamentava o(a) 

A) concentração fundiária, impedindo os negros de tomar posse legítima do uso da terra. 
B) boicote econômico, proibindo os negros de consumir produtos ingleses sem resistência armada. 
C) sincretismo religioso, vetando os ritos sagrados dos negros nas cerimônias oficiais do Estado. 
D) controle sobre a movimentação, desautorizando os negros a transitar em determinadas áreas das cidades. 
E) exclusão do mercado de trabalho, negando à população negra o acesso aos bens de consumo.

RESOLUÇÃO: A questão foca o  apartheid, um regime de segregação contra a maioria nativa imposto pela minoria branca que continuou comandando o país depois da independência em 1948. A resistência, liderada pelo CNA (Congresso nacional Africano) e por lideranças como Steve Biko e Nelson Mandela, teve início com a destruição dos passes emitidos pelo governo após ter aplicado a Lei do Passe, necessários para o deslocamento da população negra no país. 

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31) O coronelismo era fruto de alteração na relação de forças entre os proprietários rurais e o governo, e significava o fortalecimento do poder do Estado antes ue o predomínio do coronel. Nessa concepção, o coronelismo é, então, um sistema político nacional, com base em barganhas entre o governo e os coronéis. O coronel tem o controle dos cargos públicos, desde o delegado de polícia até a professora primária. O coronel hipoteca seu apoio ao governo, sobretudo na forma de voto. 

CARVALHO. J. M. Pontos e bordados· escritos de história política Belo Honzonte. Editora UFMG. 1998 (adaptado). 

No contexto da Primeira República no Brasil, as relações políticas descritas baseavam- -se na: 

A) coação das milícias locais. 
B) estagnação da dinâmica urbana. 
C) valorização do proselitismo partidário. 
D) disseminação de práticas clientelistas. 
E) centralização de decisões administrativas.

RESOLUÇÃO: O clientelismo era uma prática recorrente no Brasil, sobretudo na passagem do século XIX para o século XX, quando vigorou a Primeira República quando prevaleceu o coronelismo. Consistia numa troca de favores entre os governantes mais graduados (federais) e os governos locais(estaduais e municipais). Uma relação que ampliava a exclusão dos setores populares, pois os acordos entre os governos eram o meio mais eficaz para que os recursos públicos fossem destinados segundo as conveniências das elites ignorando as necessidades da população.

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33) Em 1935, o governo brasileiro começou a negar vistos a judeus. Posteriormente, durante o Estado Novo, uma circular secreta proibiu a concessão de vistos a “pessoas de origem semita”, inclusive turistas e negociantes, o que causou uma queda de 75% da imigração judaica ao longo daquele ano. Entretanto, mesmo com as imposições da lei, muitos judeus continuaram entrando ilegalmente no país durante a guerra e . as ameaças de deportação em massa nunca foram concretizadas, apesar da extradição de alguns indivíduos por sua militância política. 

GRIMBERG, K. Nova llngua Interior: 500 anos de história dos judeus no Brasil. ln: IBGE. Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro: IBGE, 2000 (adaptado). 

Uma razão para a adoção da política de imigração mencionada no texto foi o(a) 

A) receio do controle sionista sobre a economia nacional. 
B) reserva de postos de trabalho para a mão de obra local. 
C) oposição do clero católico à expansão de novas religiões. 
D) apoio da diplomacia varguista às opiniões dos líderes árabes. 
E) simpatia de membros da burocracia pelo projeto totalitário alemão.

RESOLUÇÃO: Getúlio Vargas chegou a abrigar em seu governo lideranças da AIB (Ação Integralista Brasileira) identificadas com o projeto nacional-socialista alemão e com o fascismo italiano. Assim não eram raras as iniciativas deste governo prejudiciais e discriminatórias em ralação aos judeus. Além das ações repressivas contra as esquerdas, cujo projeto era diametralmente oposto ao da AIB e do Governo vargas.

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39) Texto I

TEXTO II 

Os santos tornaram-se grandes aliados da Igreja para atrair novos devotos, pois eram obedientes a Deus e ao poder clerical. Contando e estimulando o conhecimento sobre a vida dos santos, a Igreja transmitia aos fiéis os ensinamentos que julgava corretos e que deviam ser imitados por escravos que, em geral, traziam outras crenças de suas terras de origem, muito diferentes das que preconizava a fé católica. 

OLIVEIRA, A. J. Negra devoção. Revista de História da Biblioteca Nacional, n. 20, maio 2007 (adaptado). 

Posteriormente ressignificados no interior de certas irmandades e no contato com outra matriz religiosa, o ícone e a prática mencionada no texto estiveram desde o século XVII relacionados a um esforço da Igreja Católica para 

A) reduzir o poder das confrarias. 
B) cristianizar a população afro-brasileira. 
C) espoliar recursos materiais dos cativos. 
D) recrutar libertos para seu corpo eclesiástico. 
E) atender a demanda popular por padroeiros locais.

RESOLUÇÃO: Era importante para a Santa Sé compensar a perda de fiéis na Europa para os movimentos protestantes, dai seu empenho em estimular a ação catequizadora nas áreas sob domínio de governos católicos, como eram os casos português, francês e espanhol. Ainda que a Igreja tenha se esmerado, muitos africanos e descendentes resistiram e mantiveram crenças originárias das crenças animistas africanas. O sincretismo  religioso e a preservação de rituais religiosos sem vinculação com o catolicismo africanos estão entre os desdobramentos mais visíveis desta resistência.

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43) Pois quem seria tão inútil ou indolente a ponto de não desejar saber como e sob que espécie de constituição os romanos conseguiram em menos de cinquenta e três anos submeter quase todo o mundo habitado ao seu governo exclusivo - fato nunca antes ocorrido? Ou, em outras palavras, quem seria tão apaixonadamente devotado a outros espetáculos ou estudos a ponto de considerar qualquer outro objetivo mais importante que a aquisição desse conhecimento? 

POLIBIO. História. Brasília: Editora UnB, 1985. 

A experiência a que se refere o historiador Políbio, nesse texto escrito no século II a.C, é a 

A) ampliação do continente de camponeses livres. 
B) consolidação do poder das falanges hoplitas. 
C) concretização do desígnio imperialista. 
D) adoção do monoteísmo cristão. 
E) libertação do domínio etrusco.

RESOLUÇÃO: O tema enunciado no texto diz respeito às conquistas e colonizações do Império Romano na antiguidade anterior ao Cristianismo a partir do sucesso militar contra os cartagineses nas Guerras Púnicas, para os romanos ou Guerras Romanas, para os cartagineses. Roma passou a dominar a região do Mar Mediterrâneo bem como o norte da África.

44) 

A memória recuperada pela autora apresenta a relação entre 

A) conflito trabalhista e engajamento sindical. 
B) organização familiar e proteção à infância. 
C) centralização econômica e pregação religiosa. 
D) estrutura educacional e desigualdade de renda. 
E) transformação política e modificação de costumes.

RESOLUÇÃO: As tirinhas referem-se à revolução Xiita, conduzida pelos clérigos mais conservadores e partidarios da Sharia (Lei Islâmica), comandados pelo Imam Rubbollah Khomeini. Na ocasião o governo pró EUA, comandado pelo Shah Reza Pahlevi, foi derrubado. Com a vigência da Sharia, as leis iranianas foram enquadradas e por conseguinte a população. Impôs-se o rigorismo nas condutas individuais bem como restrições aos cultos não xiitas (sunitas e outras designações religiosas não islâmicas).


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