REINALDO AZEVEDO: "é SÓ O COMEÇO" (SERÁ?)

ROBERTO BUENO*

*Roberto Bueno. Pós-Doutor. Faculdade de Direito. UnB (CT) / UFU


O sr. Azevedo destilou e atualizou a sua habitual dose de ódio vertida na mídia, desta feita através de ameaçador artigo endereçado ao campo progressista publicado na Folha de São Paulo no dia 02.09.2016. Intitulado "É só o começo", é espécie de aglomerados insanos do qual o único que se extrai são vazões do intestino de um homem habitado por perigosa e voraz patologia violenta. Mesmo quando vivíamos a crueza da ditadura havia esperança ao olhar para dias melhores, mas no mundo do sarcástico sr. Azevedo o que enxergamos é tudo deterioro sob o signo indelével da violência pura em seu cenário de truculência e infâmia.


Para os conteúdos que bailam na mente do sr. Azevedo bater, arrebentar ou dilacerar pessoas não resulta ser estranho ou repugnante. Neste mundo o atroz e o celerado são constâncias. Para ele a dor alheia é até motivo de graça e chacota barata, piadinhas e gingados vernaculares mal-ajambrados, agressivos com tudo o que não se pareça a ele. Plumas ressecadas alugadas costumam operar estranhamente rumo aos anseios do tinhoso.

Em face de bombas e a violência que isto supõe, ele permite-se gracejos impróprios: "Sabem como é... a democracia de uniforme precisa de meios de dissuasão", e neste domingo, dia 04.09.2016, já se observou que o sr. Azevedo é bem informado: tudo se repetiu com bombas sendo jogadas contra manifestação que já estava dispersa! Ultrapassa as linhas da ironia cruel, vence as raias da sanidade ao anunciar que o militarismo está sendo implantado lentamente entre nós em substituição a um regime de liberdades, embora em São Paulo a farda executora da violência com bombas não seja verde-oliva.

Sob dias virulentos, o regime patrocina personagens como o sr. Azevedo que não disfarçam o seu profundo desapreço pela democracia. O seu horizonte predileto é composto por saltitantes patos amarelos coordenados por endinheirados envilecidos. Não é o caso de Azevedo, um imane sem disfarces cuja brutalidade norteadora não requer. É uma espécie doidivanas oriunda de um mundo típico dos piores azevenaros.

O sr. Azevedo classifica os que divergem dele como "bando de vagabundos". É o supra-sumo da antipolítica, da ferocidade travestida de razão política. A face maligna do fascismo se mostra quando propõe eliminar tudo quanto não seja a sua imagem feia refletida no espelho. Perdido em vernáculo vergonhoso submerge nas profundezas lamacentas da autodecomposição humana em que mesmo lágrimas ou mortuárias são desrespeitadas.

Apõe adjetivos abjetos às pessoas que se sentiram ultrajadas com o golpe de Estado perpetrado pelo Senado Federal no dia 31.08.2016. É indiferente ao sr. Azevedo que o golpe tenha sido confirmado até por Senadores em entrevistas após a votação, pois as suas justificativas para votar não eram "o crime" alegado pela acusação, mas a "situação econômica do Brasil" ou a "suposta incapacidade para governar da Presidente", que, como se sabe, não constituem motivos constitucionais para o impeachment. Não, o seu dever é desmentir até mesmo quando a voz declarante seja a dos homens que tomaram a decisão ilegal! Nada, nada disto interessa ao sr. Azevedo, e talvez para os seus leitores, alguns sedentos de sangue, mas não nunca por argumentos. A pluma do sr. Azevedo está disposta a nutrir da dose diária os dependentes químicos de ódio e vingança.

A diatribe totalitária do sr. Azevedo flerta com as forças de verniz "apenas" autoritário ao sugerir que não o incomodaria que indivíduos sofressem espancamentos mesmo quando não houvessem sérios motivos para isto. O escriba se permite a insustentável leviandade de afirmar que homens e mulheres à esquerda merecem receber bombas mesmo quando estivessem a ler Evangelhos ou atrapalhando o trânsito e aí, benevolente, expressa que despejar 10 bombas em 2 minutos, bem, seria muito. Quão densa ignomínia! Aos leitores(as) não posso menos do que alertar: o sr. Azevedo é da estirpe dos piores soltos neste país, é dos que encorajam a violência. Pai do mal, é de espécie que tem secreto encontro marcado com as chagas provocadas pelo próprio dragão que alimenta diariamente.

O sr. Azevedo solta os seus monstros mais profundos ao expressar sua irônica alegria pelas 10 bombas que a Polícia paulistana lançou durante 2 minutos sobre manifestantes e agora renovadas neste dia 04.09.2106. Não há lamento por dores nem pelos horrores, e é este o pulso do mundo de permutáveis "azevenaros" ou "bolsovedos". Seu texto é bárbaro, revelador de um ser obscuro, ocre, vazio, temerário, arrasado por sua própria imensa baixeza, átomo cuja solidão interna e má companhia o fará atravessar todos os breus imerso e afundado penosamente em depressão superada pelo acender de luzes das câmeras cujos reflexos ocultam a sua condição fantasmagórica. Mesmo todas as bombas despejadas pela PM paulistana seriam suficientes para matar todos os dinossauros que devoram a alma deste bárbaro escriba. Sua verve dá o indefectível sinal de que já foi dissecado em vida, e o que ali subsiste é só uma alma seca e árida, habitante de deserto íntimo que testemunha mais frequentemente os aguaceiros típicos do março paulistano do que qualquer sentimento propriamente humano.

Extrema a facilidade desta figura em ofender a todo e qualquer que aprecie a vida com sinal invertido às suas pretensões totalitárias de espalhar a violência. O sr. Azevedo sente-se à vontade para refestelar-se com a repetição de que "não foi golpe", mesmo com todas as provas que a cada dia se tornam mais evidentes do que a tosca agressividade de seu texto. O jurupari urbano mobiliza seu texto para a cega defesa dos citados na Lava-Jato hoje no Governo através da estratégia da desfocagem. Enquanto os bárbaros e seus sicofantas fazem o serviço, o malsinado desloca a pauta para atacar quem é espancado nas ruas, desentendendo de referências às manobras do governo golpista que retira a urgência do Projeto de Lei de combate a corrupção proposto por Dilma. Por qual motivo o desinteresse? E o desinteresse em pautar as múltiplas citações a Temer na Lava-Jato? Tampouco dedica sequer uma linha ao Min. Gilmar Mendes, que tem em sua gaveta o processo de impugnação da chapa Dilma/Temer, cuja decisão positiva defenestraria Temer do poder. Por qual motivo, sr. Azevedo, tanta virulência emprega contra os que sofrem com as balas e bombas de sua polícia, desatino que cegou jovem mulher e, por outro lado, nenhuma atenção reserva à análise da agrupação no poder? A resposta é clara e podemos adiantá-la: toda aquela desnatureza de um homem sem esperança conforma um perigoso fascista. Em um país democrático como o Brasil já foi ele responderia por incitação diária ao ódio, com picos de excitação e raiva como o deste dia 2.09.2016. Como se fosse ainda preciso, para arrematar, o filisteu promete aos petistas: Isto é só o começo! Azedo, ácido, ameaçador, agressivo, cínico, indigesto, mal, nefasto e perverso. É este o DNA de um homem fascista.

(Artigo publicado em 05/09/2016  no site www.ogirassol.com.br, aqui republicado com a gentil permissão do autor)
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