PRECISAMOS FALAR SOBRE A CEF

CIRES PEREIRA
A CEF (Caixa Econômica Federal) já tem um novo comando. O Ministro da economia Henrique Meirelles escolheu Gilberto Occhi que era Ministro das Cidades e vinculado ao Partido Progressista. Este partido rompeu com o governo Dilma logo após a saída do PMDB, com a condição de que teria cargos relevantes na administração Temer e, o comando da Caixa Econômica Federal, é um destes “trinta dinheiros”. 

A CEF, segundo a oposição, foi usada na administração petista como um aparelho que empregava a “companheirada” e que, por isso mesmo, amargou toda sorte de mazelas. Na realidade a Caixa tornou-se a principal viabilizadora de créditos no Brasil, sobretudo para a aquisição da casa própria e, com isto, aumentou de forma importante sua participação no mercado brasileiro. Dizem por ai que a inadimplência aumentou, mas como o dado é apresentado dissociado do percentual de expansão dos contratos de empréstimos, fica a impressão de que faltou rigor na avaliação dos riscos destes contratos.

COMPARAÇÃO COM OS MAIORES

A CEF é o terceiro maior banco no Brasil, em termos de ativos, 1 trilhão e 100 milhões de reais. O Bradesco ocupa a quarta posição com 100 mil empregados, conta com 4.700 agências, 16,8 milhões de clientes e os seus ativos são de 1 trilhão e 80 milhões de reais. O Itaú, a segunda posição com ativos próximos a 1 trilhão e 400 milhões de reais ou 150 milhões a menos do que o Banco do Brasil que tal como a CEF é comandado por diretores indicados pela União que detém o controle acionário. 

POSIÇÃO CEF ATÉ MAIO DE 2016

O lucro anual médio da CEF na administração FHC foi de 1 bilhão de reais, já o lucro anual médio da CEF no governo Dilma é de 7 bilhões. O índice de inadimplência caiu 0,04 p.p. e encerrou o primeiro trimestre em 3,51%, abaixo da média de mercado, de 3,55%. Noventa por cento da carteira de crédito da CAIXA tem um ratings de melhor qualidade, de AA-C. A base de clientes da instituição alcançou 83,5 milhões de correntistas e poupadores, alta de 4,6% em 12 meses. A carteira de pessoas físicas atingiu 81,2 milhões, e a de pessoas jurídicas, 2,3 milhões. 

A CAIXA conta atualmente com 4.200 agências e 26.500 postos de atendimentos com 97 mil empregados concursados, além de 14,2 mil estagiários e aprendizes. Seus salários em média são melhores do que em seus concorrentes diretos. Os números abaixo são de 2015 e não levam em conta benefícios adicionais, por exemplo, um gerente da CEF (pessoa jurídica) ganha 12.400,00 por mês.

Cargo
CEF
BB
Bradesco
Itaú
Estagiário
794
684
1.907
1.771
Caixa
4.147
3.297
2.335
2.227
Supervisor*
7.310
5.889
3.583
3.899
Assistente administrativo*
4.845
3.608
3.183
3.899
Tesoureiro executivo*
6.256
6.791
4.121
5.552
Gerente
11.113
8.962
5.164
8.076

* Cargos correlatos

AS PERSPECTIVAS IMEDIATAS

Haverá uma mudança importante na CEF, assim como nos demais bancos estatais, o Presidente Temer deu ao Ministro Meirelles carta branca para o “choque neoliberal” e a escolha das direções destes bancos sinaliza para isto. Reitero que mudanças são bem vindas, os funcionários desta instituição deveriam sim ter mais colegas pra dividirem os seus fardos diários e terem salários melhores, afinal de contas os lucros da CEF tem evoluído acima da evolução das recompensas justas de seus servidores.  

O novo comando da Caixa pretende empreender uma gestão alinhada com os princípios neoliberais “pra tornar a instituição mais rentável”, para tanto já encomendou estudos sobre suas agências deficitárias. A ideia é o fechamento de pelo menos 100 agências, a intensificação do Programa de Demissão Voluntária, fim do aumento real de salários e cortes nos benefícios.

Gilberto Occhi pretende abrir o capital da instituição, provavelmente fará uma IPO “oferta pública inicial de ações”  para aumentar a participação da iniciativa privada. A CEF  para isso espera privatizar três áreas: seguros, loterias e cartões. As mudanças na CEF, a meu ver nada animadoras, são uma síntese do que virá pela frente na administração pública federal. 

Gostaria muito de estar enganado e de que tudo isso não passa de intrigas oposicionistas frente ao governo interino de Temer, mas há indícios muito fortes de que o descrito acima não seja uma readaptação grosseira e de mau gosto do "conto da carochinha".
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