1 de maio de 2016

HISTÓRIA DO 1º DE MAIO E OS MÁRTIRES DE CHICAGO

Cires Pereira


Amanheceu na barulhenta, fétida e dinâmica Chicago mais um primeiro dia de maio. Naquele 1886, o primeiro dia do quinto mês ficou marcado na história pra sempre. A miséria que acometia a maioria queria tambem desfilar onde só se via uma Chicago opulenta. Trabalhadores e trabalhadoras de todos os cantos da cidade, encheram-se de coragem e afluíram para as vias centrais da cidade até então trafegadas por carros, estes ainda tracionados por animais, uns com mercadorias e outros com granfinos. 

Ocuparam as vias empunhando faixas e cartazes estampando suas reivindicações, dentre elas a limitação da jornada diária de trabalho para oito horas, muitos ainda chegavam a trabalhar dezesseis horas por dia. O governo local, devidamente instruído pelas autoridades nacionais, deu a ordem para que a polícia reprimisse a pacífica manifestação num pais cujas elites insistiam tratar-se de uma democracia.

Passaram-se três dias e uma nova manifestação foi empreendida pelos milhares de insatisfeitos e inquietos trabalhadores, era a Revolta de Haymarket no dia quatro de maio de 1886. Novamente as autoridades reprimiram dispersando os manifestantes e nesta operação oito lideres foram presos, dos quais quatro foram executados, o carpinteiro de 23 Ludwig Lingg prefeiriu-se matar e os outros três condenados à prisão perpétua no país da tão propalada liberdade.

As manifestações a partir de então passaram a ter como objetivo a revisão da pena dos trabalhadores condenados à prisão perpétua. Um novo julgamento ocorreu em 1888 e nele os três trabalhadores presos foram considerados inocentes. Em 1893 o governador do Estado de Illinois acatou a sentença, libertando os três e reconhecendo a inocência dos demais. O Congresso Operário Internacional, realizado em Paris pela 2ª Internacional, deliberou que o 1º de maio passasse a ser considerado o dia dos trabalhadores. Trabalhadores do mundo inteiro reconheciam, portanto, o significado daquela manifestação em Chicago entre o 1º e o quarto dia de maio de 1886.

No ano de 1890, foi fixado o limite de oito horas para os trabalhadores nos EUA. Curiosamente o dia dos trabalhadores nos EUA, não é comemorado no 1º de maio, ou seja para as autoridades e elites americanas nada podia ofuscar o seu 04 de julho ou "independence day"


Acima dos interesses da classe trabalhadora, os interesses de uma pátria pretensamente democrática e de um povo livre. Na pátria da democracia e das liberdades figuram em seu panteão os nomes de Washington, Jefferson, Lincoln, Roosevelt e Reagan e jamais figurarão os nomes dos "Mártires de Chicago": Alberto Parsons, George Engel, August Spies e Adolf Fischer, Ludwig Lingg, Samuel Fielden, Michael Schwab e Oscar Neebey.
Postar um comentário