CARNAVAL EM UBERLÂNDIA

CIRES PEREIRA

"A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte"

(Arnaldo Antunes, Sergio Brito e Marcelo Fromer)

A música "Comida" dos Titãs constituiu-se numa importante defesa da qualidade de vida que não deve se limitar à boa e farta alimentação. Todos queremos alimentar bem, gozar de boa saúde, segurança, liberdade, diversão e arte.

Todos sabemos que o país passa por uma crise econômica que compromete nossa qualidade de vida, pois amplia o desemprego, reduz renda e nos priva do acesso aos meios que nos possibilita uma melhor qualidade de vida. O Estado, em todas as suas esferas, sente os efeitos da crise arrecadando menos e, consequentemente, servindo e assistindo menos à sociedade civil.


Tenho notado uma controvérsia cada vez mais intensa em nossa cidade sobre como deveria se comportar o poder público municipal, isto como a Prefeitura de Uberlândia deveria usar os recursos que apropria. Diante dos limitados recursos, os salários dos servidores tem sofrido atrasos, alguns órgãos e secretarias tiveram que cortar seus orçamentos e obras públicas tem sido postergadas. As áreas de educação e saúde tem sentido estes cortes.

Diante deste cenário é crescente a pressão para que o governo municipal não promova gastos ou faça investimentos em áreas consideradas por muitos como supérfluas, como a área da cultura. Assim tem aumentado a pressão pra que a Prefeitura não use recursos públicos para o carnaval de 2016. Uma pressão, a meu ver, equivocada.

Concordo que cortes sejam feitos, contudo de maneira equilibrada em todas as áreas de maneira proporcional. Por exemplo, houve um corte de 20% na área da educação, todos as áreas devem tambem sofrer corte semelhante.
Os gastos públicos com o carnaval de rua em Uberlândia acabam sendo em grande parte devolvidos aos cofres públicos, pois uma festa popular como esta atrai visitantes de outras cidades e reduz a saída de moradores da cidade em busca de diversão.

Provavelmente os órgãos envolvidos na realização do carnaval (Liga das Escolas de Samba, Secretaria de Cultura), e outros da área de turismo (PMU e UC&VB - Uberlândia Convention & Visitors Bureau e ACIUB.) tem suas pesquisas de impacto para a economia da cidade. Pela quantidade de pessoas que assistem ao desfile dos blocos e das escolas, não é muito difícil concluir que se trata de um evento superavitário.

Ademais é preciso respeitar, mais do que a tradição do carnaval de rua, o movimento cultural uberlandense que felizmente é multifacetado e diversificado. A cidade deve acolher todas as expressões culturais, sobretudo o carnaval. Há muito tempo o carnaval de Uberlândia rompeu as paredes dos clubes fechados e ganhou o "asfalto como piso e o céu como teto. Para manter esta festa como "universal", os ingressos pra vê-lo e os gastos com as fantasias dos foliões teriam que ser compatíveis com a renda dos trabalhadores em geral, dai a providencial participação da Prefeitura de Uberlândia na viabilização do carnaval com recursos paras os blocos e escolas de samba, a contratação de profissionais e artistas e a organização de bailes nas praças públicas.

As "gentes" de Uberlândia querem comer, mas também querem diversão e arte.
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