OS DOIS PESOS E AS DUAS MEDIDAS DE IVES GANDRA MARTINS

CIRES PEREIRA

No dia 02 de dezembro de 2015 o jurista Ives Gandra Martins defendeu o afastamento de Dilma da presidência, valendo-se do seguintes argumentos:
"Pedaladas fiscais são gravíssimas e tiveram consequências no segundo mandato. Elas foram julgadas no segundo mandato. E toda hora aparecem escândalos. Não estou dizendo que a presidente Dilma é responsável dolosamente por esses crimes, mas culposamente, por negligência, imprudência."
"O Superior Tribunal de Justiça já decidiu pelo afastamento de prefeitos por crimes de culpa. São mandatos executivos também. Qual é a diferença entre prefeito e presidente? O crime dela é ter permitido a corrupção que houve."
No dia 07 de janeiro de 2016 posicionou-se contrário ao afastamento de Eduardo Cunha, valendo-se da seguinte argumentação:
"Uma decisão do STF pelo afastamento do Presidente da Câmara pode levar a uma crise institucional grave. Com o quadro atual cabe a Câmara decidir sobre medidas contra o Deputado, pois ele ainda não teve chance de exercer seu direito à ampla defesa no STF."
Quando a Procuradoria Geral da República propôs o afastamento de Cunha pelo STF (dois dias antes do recesso de 40 dias), o argumento para esta demanda era a notória obstrução, pelo deputado, ao processo de investigação e apuração, o que constitui crime grave. (Delcídio do Amaral - senador e líder do governo no senado - foi preso por um delito semelhante).

Ives Gandra Martins é draconiano em relação aos supostos delitos de Dilma e, concomitantemente, permissivo em relação aos comprovados delitos de Eduardo Cunha. Sua parcialidade, impregnada de ranço ideológico e preconceito rasteiro, compromete o seu "expertise jurídico" e macula de uma vez por todas sua ética.
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