HISTÓRIA DO IRÃ I: O IMPÉRIO ARQUEMÊNIDA

CIRES PEREIRA


Esfinges de Dario I - Susa (Irã)
O Irã (antiga Pérsia) é um país privilegiado por sua diversificada e milenar história. Passou a ser mais notado pelas sociedades ocidentais e pelos analistas do Ocidente em razão  da revolução de 1979 quando o regime pró ocidente do Xá Reza Pahlevi foi substituído por uma República Islâmica/Xiita comandada pelo Ayatollah Rubollah Khomeini. É um país majoritariamente muçulmano e com percentual de xiitas maior do que de sunitas. Neste primeiro texto, provavelmente de uma série de cinco, sintetizo a origem, a consolidação e o colapso do Império Persa. Para tanto farei um recorte cronológico que se inicia por na metade do século VI a.C. e se estende até o ano de 330 a.C, quando Alexandre Magno da macedônia se impôs sobre toda a região.

O Planalto Iraniano é uma região localizada entre a Mesopotâmia e a Índia e, originalmente, povoada pelos povos medos e persas. Os persas, que viviam mais ao sul do Irã, haviam sido dominados pelos medos até o momento em que estes passaram a ser comandados pela Dinastia Arquemênida, responsável pela inversão na correlação de forças com os "medos". 

A organização do império Arquemênida


Túmulo de Ciro em Pasárgada
Durante o governo de Ciro II, mais conhecido como "Ciro, O Grande" (559 - 530 a.C.), os persas derrotaram os medos e se impuseram sobre todo o Planalto do Irã. Desde então o Império, regido por Dario I (522 - 493 a.C.) ampliou suas fronteiras alcançando a Ásia Central, até o vale do Rio Indo, o Egito na África, Ásia Menor, Mesopotâmia e um pedaço da Grécia.

Pra que se tenha uma ideia da extensão do domínio persa no período regido por Xerxes I (486 - 465 a.C.), algo em torno de 50 milhões de pessoas viviam nas áreas abrangidas pelo império, o que equivalia a aproximadamente 40 % da população mundial. Todo este vasto território demandava uma estrutura de controle militar expressiva que só poderia ser custeada pelos tributos amealhados pela administração central sobre as áreas subjugadas, uma razão importante para a recorrência de mobilizações libertadoras.


Os povos dominados passaram a ter o direito de conservar seus costumes, suas leis, sua religião e sua língua, contudo eram obrigados, porém, a pagar tributos e a servir o exército persa. Dario I subdividiu o Império em províncias (satrápias), interligadas por uma extensa estrada de mais de 2 mil Km (Estrada Real), que passaram a ser governadas por pessoas da sua confiança. O Sátrapa ou "protetor da Satrápia" encarregava-se da arrecadação dos tributos, combater as revoltas locais e eventuais invasores.

O DECLÍNIO O IMPÉRIO E A HELENIZAÇÃO

Palácio de Dario I - Persépolis
Artaxerxes (465 - 424 a.C.), Dario II (423 - 404 a.C.), Artaxerxes II (404 - 358 a.C.), Artaxerxes III (358 - 338 a.C.), Artaxerxes IV (338 - 336 a.C.) e Dario III (336 - 330 a.C.) tiveram que enfrentar desafios próprios daquele que era o maior império da face da terra. As dissensões internas, as disputas eventuais entre algumas Satrápias, os levantes de povos descontentes e as derrotas para os gregos levaram à desintegração do império, culminando na Invasão dos macedônios, à época comandados por Alexandre Magno.

Alexandre Magno derrotou os persas apropriando-se de parte do modelo aquemênida e reivindicando ser sucessor do rei Dario III, o que atraiu a oposição da nobreza macedônia, por conta disto não conseguiu manter unificado o seu império. Logo após uma expedição feita à Índia, Alexandre faleceu na Babilônia. Sua morte apressou a derrocada de seu vasto império. A criação de grandes reinos helenísticos (gregos) que se seguiram na região foi, em parte, em razão da continuação da prática política aquemênida. Os gregos e os romanos, mais tarde, mantiveram o método com que os persas governavam seu império, isto é uma governança descentralizada e baseadas nas satrápias

Além de procurar preservar as culturas regionais nas regiões conquistadas, como o norte da África (sobretudo o Egito), a Anatólia, a Ásia Menor, a Mesopotâmia, a Península Arábica, e parte da Índia, Alexandre Magno promoveu uma mistura entre a cultura grega ou helênica e as culturas orientais, criando o helenismo. Em 327 a.C., Alexandre casou-se com Roxane, uma princesa persa, estreitando ainda mais os lanços entre a cultura grega e a cultura oriental. Uma atitude que serviu como estratégia para vários de seus generais e soldados a desposarem mulheres de outras culturas também, corroborando para a helenização. 

Alexandre faleceu em 323 a.C., vítima de febre tifoide. Seu legado foi administrado por seus generais e os descendentes destes até a ascensão do Império Romano. Esse período que sobreveio à morte de Alexandre ficou mais conhecido como Período Helenístico.
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