A IMPERTINÊNCIA DE CHARLIE HEBDO

Cires Pereira
Um ano após o atentado em Paris contra a revista Charlie Hebdo, seus chargistas continuam provocando os extremistas. O atentado fora reivindicado por militantes jihadistas simpatizantes do Estado Islâmico, organização sunita extremista defensora da Jihad e do restabelecimento dos califados teocráticos. Charlie Hebdo não poupa sequer indefesos vitimados pela violência dos extremistas. A bola da vez, pasmem, foi o menino sírio Aylan Kurdi (3 anos) morto durante fuga da síria para a Europa, cujo corpo fora encontrado boiando numa praia da turquia.

Em sua mais recente edição, assinada pelo chargista Riss, uma charge de refugiados sírios na Alemanha tirando o sossego dos "civilizados cidadãos alemães" e entre estes "delinquentes", o já crescido Aylan. A charge faz referência ao assédio sexual ocorrido durante o réveillon na cidade de Colônia (Alemanha) que, segundo a imprensa local, teria sido cometido por jovens sírios contra mulheres alemãs. 

"No que teria se transformado o pequeno Aylan se ele tivesse crescido? Apalpador de bundas na Alemanha", este é o texto que acompanha o desenho.

Trata-se de uma contundente manifestação xenófoba que não estimula outra coisa senão o desprezo aos imigrantes e aos muçulmanos, particularmente aos refugiados provenientes da Síria. Estimula igualmente o extremismo que custou as vidas de alguns de seus chargistas e do menino Aylan.

Sou favorável a livre expressão de ideias, penso que a imprensa deveria ter instrumentos de autorregulação, mas o semanário Charlie Hebdo parece não se importar com as consequências de seus atos/publicações. Sua inconsequência forja uma espécie de "salvo-conduto" para o Ocidente valer-se de quaisquer meios no combate sistemático contra o "terror jihadista".

Neste início de 2016 as ações extremadas tem avançado tanto do Ocidente sobre o Estado Islâmico na Síria e no Iraque quanto do Estado Islâmico sobre Istambul na Turquia e Jacarta na Indonésia. Publicações como esta definitivamente é impertinente e deveria repudiada por todos nós, a começar pelos familiares do finado Aylan Kurdi.
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