RETROSPECTIVA 2015: ECONOMIA

CIRES PEREIRA

ECONOMIA MUNDIAL EM 2015


Ao longo de 2015 a economia mundial apresentou uma melhora confirmando uma tendência de abrandamento do quadro de crise deflagrada no segundo semestre de 2007 nos EUA (2) e propagada para as economias da europeias (3) e asiática (5) desde 2009. Nas projeções do FMI, o crescimento mundial previsto para 2015 está em 3,1%, ou seja, 0,3 ponto percentual a menos do que em 2014.


Nas maiores economias do planeta a recuperação seguiu em passos lentos. Nos EUA o crescimento não deve passar de 2% ante uma projeção de 3%, tal expansão em certa medida contribuiu pra uma expansão semelhante nos demais países do NAFTA (Canadá e México). Na zona do euro e na Inglaterra o crescimento não deverá ser maior do que 1,5%. As três maiores economias asiáticas apresentaram situações díspares, enquanto Índia cresceu acima dos 7% e a chinesa 6,9%, a japonesa apresentou contração, em torno de 1%. Brasil e Rússia foram as economias que tiveram uma forte retração, em torno de 3,7%. Outros países, igualmente dependentes das exportações de commodities como Arábia Saudita, Venezuela e Argentina, amargaram retração em suas economias neste ano.

ECONOMIA NACIONAL EM 2015

A desvalorização do real frente ao dólar em 40% e a retração em 3% fizeram com que o Brasil perdesse dois postos no ranking das maiores economias mundiais, para a Índia e para a Itália que recuperou a oitava posição. Quatro fatores determinaram a retração no Brasil: 1) a permanência de um quadro de estagnação nas economias centrais, 2) a desvalorização das commodities (aço, petróleo e alimentos) que constituem a grande parte das exportações brasileiras, 3) o agravamento da crise política que reduzem ainda mais o grau de confiança dos empreendedores/credores no país e 4) a piora nas contas públicas do governo levando à uma queda nos investimentos públicos e a consequente elevação dos custos da dívida pública.

Este cenário de retração compromete os indicadores sociais como o emprego e a renda do trabalhador que é parcialmente corroída por uma inflação acima de 10 %. Muito dos esforços feitos pelo governo pra redução das desigualdades sociais acabaram sendo comprometido. Definitivamente o ano de 2015 foi marcado pelo agravamento da crise social e econômica no Brasil. 

No final do ano o governo optou por uma mudança no comando da economia ao trocar o Ministro Joaquim Levi, de postura mais liberal e monetarista, por Nelson Barbosa com postura mais intervencionista e desenvolvimentista. Outros sinais de que o governo Dilma caminha pra uma linha mais programática foram: a manutenção dos percentuais de verbas públicas pra programas sociais no orçamento de 2016 e o reajuste do salário mínimo em 11,6 %, pouco acima da inflação de 2015. Curiosamente estas mudanças ocorreram depois das agências internacionais de riscos (Standard & Poor's e Fitch)  terem tirado o "Investment Grade" do Brasil.

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