TEMPOS INTOLERANTES I

CIRES PEREIRA



O Boko Haram que atua na Nigéria e redondezas recentemente anunciou uma parceria com o Estado Islâmico que atua na Síria, Iraque, ambos objetivam erigir um CALIFADO, isto é um Estado amparado pela Shariah (lei islâmica). É atribuição de um "Califa" extinguir outros grupos islamitas que não sejam leais, esmagar qualquer insurgência popular, reforçar capacidades defensivas e instituir os tribunais islâmicos".

As ações do Boko Haram e do Estado Islâmico devem ser consideradas, a partir de agora, retaliações às recentes ofensivas do Ocidente contra as pretensões de ambas as organizações. Tudo indica que haverá uma agudização do embate, logo estes "tempos" são "tempos de intolerância".

Hoje, 20 de novembro, houve mais um atentado na capital do Mali, um país próximo à Nigéria. Nos países vizinhos da Nigéria (Camarões, Mali, Níger, Togo, Burkina Fasso, Chade e Benin) o islamismo sunita é bastante expressivo e há comprovações da atuação de grupos sunitas alinhados tanto com o  Boko Haram quanto com a rede internacional Al Qaeda que defende um Califado no Magreb (norte da África) e no Sahel. 

Reitero que enquanto o Ocidente, agora com Rússia, insistir na estratégia de destruir o Estado Islâmico na Síria/Iraque a tendência é a proliferação de atentados no Oriente Médio, na Ásia, na Europa, na África e nos EUA, todos provavelmente serão reivindicados por organizações sunitas radicais associadas direta ou indiretamente ao Boko Haram e ao Estado Islâmico ou à Al Qaeda liderada pelo egípcio Ayman al-Zawahiri, sucessor de Osama Bin Laden, já morto. 

O Boko Haram já deixou um saldo de 17 mil mortes na região e provocou o deslocamento de mais de dois e meio milhões de nigerianos, sendo que uma parcela expressiva está refugiada nos Camarões, Chade e Níger. A Al-Qaeda atua na África no Sahel,  no Magreb e no nordeste africano e tem reivindicado os atentados na região, com destaque para o atentado ao museu do Bardo em Tunis que deixou um saldo de 23 mortos.

Em Tempo: O hotel foi invadido numa operação das forças oficiais e todas os reféns foram libertados, o saldo foi de 27 mortos, ainda não se sabe se foram mortos todos os sequestradores. As suspeitas estão recaindo sobre a organização jihadista malinense "Al-Mourabitoun", uma organização vinculada à AQMI (Al-Qaeda do Magreb Islâmico) comandada pelo argelino Mokhtar Belmokhtar.

Caso esta informação seja confirmada é provável que o atentado de hoje não tenha relações com o Boko Haram e, por conseguinte, com o ISIS.

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Mokhtar Belmokhtar.
 
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