O BRASIL EM 2014: EVOLUIU OU INVOLUIU?

CIRES PREIRA


O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas ) divulgou a pesquisa feita sobre o quadro social e econômico no Brasil em 2014. Trata-se do Pnad 2014(Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2014). Foram entrevistadas 362 mil pessoas em 151 mil residências em todo território nacional. O Brasil, em síntese, é uma importante referência pra que Sociedade e Estado possam analisar o que tem dado pouco resultado, o que impediu avanços e o que avançou.

O BRASIL EM 2014 EVOLUIU OU INVOLUIU?

Mesmo com a desaceleração econômica em 2014 e em 2015 que repercutem no emprego e na renda da sociedade como um todo é preciso reconhecer um fenômeno que está ocorrendo no Brasil que, convenientemente, a maioria da mídia e a oposição não mencionam. Se o fizessem, estariam apresentando um cenário social que não ampara uma de seus argumentos em defesa da interrupção do mandato presidencial. Acompanhem os números do Pnad 2014 abaixo:

População: A população brasileira continua crescendo, agora passa dos 203 milhões distribuídos em 67 milhões de residências contra 65 milhões em 2013. O percentual sociedade com mais de 60 anos passou de 13,1 % para 13,7%. Os jovens, abaixo de 24 anos, correspondem a 38% da população.

Educação: O analfabetismo caiu de 8,5% para 8,1 % da população e o percentual de pessoas com diploma do ensino superior passou de 12,6 % em 2013 para 13,1 % em 2014. Um dado importante é a frequência escolar situada em 98,5 % entre as crianças de 6 a 14 anos.

Trabalho: O número de pessoas desocupadas aumentou em 2014 chegando a 7,3 milhões de pessoas contra 6,7 milhões em 2013. Mais de 2,5 milhões ou 34.3 % destes, são jovens entre 18 e 24 anos. O número de crianças entre 5 e 13 anos trabalhando (554 mil) aumentou em 2014 após dez anos de quedas sucessivas.

Água e Luz: Mais de 85% das residências possuem abastecimento de água e 88,7 % tem iluminação elétrica em domicílio. Dois terços das residências contam com coletores de esgoto. A situação na Região Norte ainda é delicada, pois apenas um quinto dos domicílios tem rede de esgoto. Já Nordeste e no Centro Oeste os percentuais já passam de 40 %, ainda muito sofríveis, mas com melhoras importantes deste 2003 quando não passavam dos 30 %.

Desigualdade Social: Os 10 % mais pobres receberam mensalmente uma média de R$256,00 por mês e os 10% mais ricos uma média mensal de R$7.154,00. Os 10 % mais ricos abocanharam 40,3% da renda total gerada pelo trabalho e os 10% mais pobres ficaram com parcos 1,4%. Portanto, o Brasil continua muito desigual, mas a redução da desigualdade continuou caindo em 2014. Este é o dado mais importante para que possamos compreender a melhora do índice Gini que mede a distribuição de renda. Em 2013 era de 0,495 e em 2014 passou para 0,490. Vale ressaltar que quanto mais próximo de zero, melhor e mais próximo de 1,000, pior.

Abaixo o gráfico desta evolução do Gini no Brasil.


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