8 de agosto de 2015

RANKING ENEM 2014 E OS SEUS EQUÍVOCOS

Cires pereira

Recentemente uma importante troca ocorreu no comando do educação brasileira. Renato Janine Ribeiro, um quadro da "intelligentsia tupiniquim", assumiu o MEC. Em tempos de crise econômica, de redução das receitas e, consequentemente, de cortes de verbas para setores importantes como a saúde e a educação. Quem comanda estas pastas, como é o caso de Janine, fica em posição muito delicada, contudo é assim que se depura os bons quadros do funcionalismo público. 

Com um orçamento menor é preciso muita habilidade para aplicar os recursos da forma mais equilibrada para impedir um possível colapso em todo o sistema.

Mas o que me provoca a escrever este texto e está ligado à pasta da educação é o "ranking" publicado hoje melo INEP (MEC) das escolas do Ensino Médio em todo o Brasil com alunos participantes do ENEM em 2014.

Como era de se esperar este "ranking" apresenta os mesmos vícios dos anteriores. Definitivamente por um momento acreditei que o novo comando do MEC fosse fazer um "mea culpa" dos equívocos anteriores, mas não o fez. A meu ver, continua prisioneiro dos refrigerados escritórios da esplanada e não se atreve a "sujar" suas delicadas mãos com a tinta dos pinceis ou o pó de giz das salas de aulas brasileiras.

Honestamente esta lista hoje publicada, mais uma vez, conspira contra a realidade. Acoberta a realidade e o que é pior, emite uma espécie de certificado porco e grosseiro para que algumas escolas privadas possam, a luz destes questionáveis dados, manipularem a opinião pública e reverterem isso em captação de alunos, logo em ampliação de seus lucros.

Algumas constatações (e provocações) 

1 - A prova de redação não entra na média pra apurar o ranking, ora porque redação não entra? Por acaso a redação é menos importante pra avaliação do rendimento dos alunos de uma escola? 
2 - A prova de matemática tem 45 questões, enquanto outras disciplinas, no máximo, 10 questões. Como avaliar isto? Uma escola pra melhorar seu ranking pode muito bem ampliar seu quadro de professores de Matemática e demitir alguns professores de outras disciplinas que tenham menos questões ou menor peso na prova? 
3 - Definitivamente o exame ENEM tem se revelado cada vez menos seletivo, pois muitas questões demandam pouco conhecimento específico desta ou daquela disciplina. A inexistência de questões discursivas impede que se mensure as habilidades dos alunos em compreensão dos enunciados-problemas e na dissertação das respostas. 
4 - As escolas de ensino médio, caso queiram, podem treinar seus alunos para melhorarem suas notas no ENEM. Muitas escolas tem reduzido avaliações com questões discursivas por simulados Enem. Optam pelo pragmatismo para alcançarem um bom posicionamento neste "ranking", mesmo sabendo que o processo avaliativo com discursivas é o mais adequado.
5 - Dentre as 20 escolas com as maiores médias no ENEM 2014, apenas 03 escolas apresentam, para a detecção da média, um número de alunos matriculados compatível com os tamanhos das mesmas. Fica evidente que está havendo uma seleção interna, separando as maiores (entre 30 e 50 alunos) notas num CNPJ/Endereço e o restante (universo bem maior) com as médias reais. Nos "outdoors" e nas campanhas publicitárias da referida escola aparecerão os alunos do universo menor e com média bem maior.
Definitivamente este retrato do INEP sequer pode ser considerado um sinalizador do bom ou do mal desempenho dos alunos de uma escola. Algumas escolas tem escolhido os melhores dentre seus alunos para serem mensurados. Assim o que se tem é a mitificação. O MEC precisa mudar sua conduta, do contrário os bons e bem intencionados educadores serão forçados a ignorá-lo.
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