PROMESSAS DO SOL DE BRANT E MILTON

CIRES PEREIRA




Um dos grandes encontros da música em 1996: Milton, Uakti, Flávio Venturini, Lô Borges e Andy Summers interpretam o clássico de Fernando Brant. 

Abaixo a letra com breves comentários meus.
Você me quer forte
E eu não sou forte mais
Sou o fim da raça, o velho que já foi
Chamo pela lua de prata pra me salvar
Rezo pelos deuses da mata pra me matar
O nativo da América muito longe de uma resignação (o que seria ideal e confortável para o conquistador europeu) resiste. Implora aos seus Deuses para que o leve numa expressão de flagrante resistência ao projeto colonizador.
Você me quer belo
E eu não sou belo mais
Me levaram tudo que um homem precisa ter
Me cortaram o corpo à faca sem terminar
Me deixaram vivo, sem sangue, apodrecer
O nativo da América repele a manifestada vontade do conquistador europeu em transformá-lo em "badulaque" para as gerações futuras. Seu corpo e seu sangue se misturaram ao amarelo do ouro e o cinza da prata até não mais serem comprovações do genocídio praticado pelos europeus.
Você me quer justo
E eu não sou justo mais
Promessas de sol já não queimam meu coração
Que tragédia é essa que cai sobre todos nós?
Que tragédia é essa que cai sobre todos nós?
O nativo da América não admite (outra expressão de resistência) que o trate como dócil e "justo" até mesmo porque vale-se de um outro nível de justiça. Uma justiça que inexistia entre os europeus desejosos de glória e de poder e, obviamente, com as devidas bençãos da "Santa Igreja Católica dos tempos modernos".
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