2 de julho de 2015

O AVANÇO DO CONSERVADORISMO NO BRASIL

Cires Pereira
Assistimos nos últimos meses ao recrudescimento do conservadorismo em nosso País. O que se nota desde as eleições no final do ano passado é uma aglutinação de forças políticas com demandas específicas imbuídas de um propósito, inviabilizar a governabilidade de quem triunfou legitimamente no 2º turno de 2014. Apostam, para isso, na agudização da crise econômica. 


Conspira a favor destas mesmas forças políticas, o descontentamento dos setores médios e mais abastados da sociedade que, em sua maioria, votaram na oposição e agora insistem numa oposição sistemática. Pelo menos é isso que se depreende de um de seus principais lideres “Não quero o impeachment, quero ver a Dilma sangrar” - Senador Aluísio Nunes Ferreira PSDB SP).

Haveremos de ter dois anos muito difíceis para a economia brasileira que impactarão ainda mais no bolso da maioria da sociedade. As medidas anti cíclicas (preventivas) adotadas desde 2008 pelas autoridades econômicas brasileiras conseguiram mitigar até o início de 2014 os efeitos nocivos e, geralmente, inevitáveis de uma crise iniciada no setor imobiliário-financeiro das economias centrais. Esta crise contaminou os demais setores e todos os países com economia de mercado. Alguns economias foram muito afetadas: Islandesa, irlandesa, grega, portuguesa, espanhola, argentina, venezuelana, etc em outros houve uma desaceleração relevante: alemã, inglesa, americana, francesa, italiana, russa, etc.

O governo atual e sua base de sustentação no Congresso (uma parte dela é constituída por parlamentares conservadores) tem procurado aprovar medidas que são sim estranhas ao que se dispunha fazer antes das eleições, contudo a crise o forçou a valer-se de ajustes que são amargos (aumento de impostos, cortes de despesas e investimentos e elevação de juros), mas que são a única opção que tem para obter o apoio da maioria no Congresso. Sem este apoio, nada poderia ser feito. Portanto ainda teremos que ouvir de quem se opõe ao governo que este ludibriou o povo, prometeu uma coisa e está entregando outra, etc.

Até ai tudo bem, pois a oposição em parte tem razão, o que não pode é usar esta contradição entre o prometido e o entregue (estamos no início do 2º mandato) como suficiente para um processo de Impeachment. Senão leiam o que sugere Roberto Freire, outra liderança oposicionista: "Diante desse quadro, amplificado pela grave crise política e pelos desdobramentos do escândalo de corrupção na Petrobras, a hipótese do impeachment da presidente pode se concretizar caso a ingovernabilidade se instale".(06 de junho 2015 blog do noblat)".

Ora o que se tem de concreto é a crise econômica, pois o escândalo da Petrobras ainda está na fase das delações, portanto se não existe ainda comprovação, tampouco o indiciamento de Dilma, porque, mesmo que hipoteticamente, vislumbrar o impeachment? Mas em parte eu respondo ao deputado. Quando cita "crise política" sabe ele que esta crise no momento em que ele vislumbra "ingovernabilidade" e impeachment", frise-se são invencionices dele, não minha.

É este o contexto que tem permitido aos conservadores deixarem suas casas, seus templos e suas "madrassas" para "enfiarem goela abaixo" suas agendas, aproveitando-se de uma contração das forças sociais, comumente, identificadas com agendas progressistas. O ódio não é só contra um partido, mas contra os movimentos e organizações defensoras da tolerância religiosa, da liberdade de conduta, da democratização das mídias, das reformas inclusivas, do aprofundamento do estado democrático (leia projeto 8243 de 2014 sobre os conselhos populares), do multiculturalismo, do instituto da igualdade jurídica, dos direitos das minorias, da igualdade de gênero, etc.

Ontem testemunhamos até onde estão dispostos a irem. Eduardo Cunha lidera, mas seus liderados são voluntários e agem com consciência. Ontem não hesitaram em agir contra o Estado de Direito Democrático, porque há muito tempo deixaram de lado todas as hesitações que pudessem ter quanto a um Estado de Arbítrio. Ao contrário do que se imagina, os 324 deputados que ignoraram o rito democrático do poder legislativo não são um rebanho ordeiro, mas uma camarilha de raposas. Uma camarilha amparada por grande parte das mídias, pela maioria das igrejas e por todos aqueles que não se conformam com a mudança de rumo que o Brasil está fazendo desde 2003.
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