26 de junho de 2015

TERRORISMO EM 2015

Cires Pereira 

Lamentavelmente os atentados tem sido cada vez mais frequentes e mais intensos. Somente neste ano, além dos três de hoje, outros cinco já ocorreram causando muitas mortes. Muitos outros ocorreram sem que tivessem recebido da imprensa internacional algum destaque além daqueles que, planejados, não puderam ser executados graças aos serviços de inteligências espalhados pelo mundo. 
  1. Massacre de Baga (Janeiro de 2015) desferido pelo Boko Haram que teria ceifado centenas de vida.
  2. Massacre de Charlie Hebdo (Janeiro de 2015) desferido por militantes do Estado Islâmico e que vitimou doze pessoas 
  3. Atentado em Copenhagen (Dinamarca) em fevereiro de 2015 que eliminou duas pessoas e deixou 15 feridas durante cerimônia em homenagem aos mortos do Charlie Hebdo. 
  4. Massacre no Museu do Bardo (Túnis – Tunísia), em março de 2015,com 22 mortos e 22 feridos. O atentado foi desferido por um grupo sunita-salafita com ligações com o Estado Islâmico. 
  5. Massacre de Garissa (Quênia) em abril de 2015, reivindicado pelo grupo islâmico radical Al Shabaab deixando 147 mortos

Neste dia 26 de junho três atentados matam 63 pessoas (1 em Lyon - França, 37 na Tunísia e 25 no Kuwait) e deixam pelo menos 250 feridos. 

Na Tunísia o atentado ocorreu contra alvos civis, em sua maioria de origem europeia, muito provavelmente perpetrado pela mesma organização, associada ao EI, envolvida no atentado ao Museu do Bardo na capital (Túnis) em março de 2015.

Na França o suspeito preso pelas autoridades é um salafita, isto é um sunita mais identificado com a leitura ortodoxa do Corão, provavelmente é mais um recrutado pelo Estado Islâmico na França para agirem de forma semelhante aos que estiveram envolvidos no atentado no Jornal Charlie Hebdo em Paris.

No Kuwait todos os mortos encontravam-se numa mesquita xiita, o que nos leva a crer ter sido também perpetrado pelo Estado Islâmico, grupo sunita radical jihadista. Há exatos dez dias os EUA anunciaram a morte do nº 2 da Al Qaeda e principal líder desta organização na Arábia saudita e no Iêmen Abu Basir Nasser al-Wuhayshi. Portanto, existe a possibilidade do atentado no Kuwait ter sido desferido pela Al Qaeda.

A insegurança impera no Oriente Médio, no sul da Ásia, no Norte e Oeste da África, em toda a Europa e nos EUA. Al-Qaeda, Al-Shabaab, Boko Haram e Estado Islâmico são as organizações mais bem organizadas e que parecem ter ainda uma grande capacidade de persuasão  e potencial de recrutamento. Os órgãos internacionais, os serviços de inteligência e as forças repressoras ampliam e sofisticam suas ações, porém não conseguiram intimidar estas organizações a ponto de haver defecções e abandonos entre os seus militantes.

A saída mais plausível é o diálogo entre governos, organizações multidiplomáticas e organizações não governamentais "ocidentais", árabes, judaicas, religiosas e laicas moderadas imbuídas do seguintes propósitos: a construção de consensos e o isolamento dos radicais e fundamentalistas de todos os lados. 
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