30 de maio de 2015

O MUNDO AINDA EM CRISE E SUAS ALTERNATIVAS (?)

Cires Pereira
ORTODOXAS (?)

ALEMANHA: Há dois anos, em 2013, nem mesmo a desaceleração da economia alemã impediu que a coligação governista, formado pela União Democrata Cristã (CDU) e a União Social Cristã Bávara (CSU), obtivesse o resultado mais expressivo desde o processo de reunificação da Alemanha em 1990.

EUA: Pelo "andar da carruagem" tudo sinaliza para uma vitória dos Republicanos nas eleições presidenciais em 2016. Obama acompanhou, impotente, a vitória expressiva dos republicanos nas eleições legislativas no final de 2014. Estes passaram a ter maioria tanto no Senado quanto na Câmara dos Representantes. Hillary Clinton, candidata democrata, deverá encontrar muitas dificuldades para conter esta tendência em favor do Partido Republicano. 
REINO UNIDO: O Partido Conservador do primeiro-ministro britânico David Cameron "massacrou" o Partido Trabalhista e o Partido Liberal-Democrático na Inglaterra, na Escócia e em Gales. David Cameron continuará, por mais cinco anos, à frente do governo britânico e com direito à uma vantagem maior sobre os seus oponentes no parlamento (Câmara dos Comuns).

Estes partidos e bloco são entusiastas de uma gestão neoliberal ortodoxa, um modelo de governança que levou à crise econômica em 2008 e que ainda, sete anos depois, não foi totalmente debelada.
UMA INCÓGNITA (?)
JAPÃO: No Japão, mesmo que o crescimento de sua economia (a terceira maior do mundo) tenha se desacelerado desde 2009 e  com direito à recessão em 2014, o Partido do Primeiro-ministro Shinzo Abe,  foi o grande vencedor das eleições legislativas realizadas em novembro de 2014. Com as 285 cadeiras conquistadas no Parlamento, o Partido Liberal Democrata, não encontrará dificuldades para construir uma maioria com o Partido Novo Komeito (36 cadeiras) e amparar a sua política econômica conhecida como "Abenomic". Abenomic tem dois pilares: flexibilização da política monetária e ampliação gastos públicos para desestimular a deflação, a expectativa é que em 2015 e 2016 a economia volte a crescer em torno de 1 a 1,5 %. Paradoxalmente, a ortodoxa OCDE e o ortodoxo FMI, estão fazendo elogios ao  "abenomic" que tem-se valido, ainda que timidamente, de alguns ingredientes para deixarem "pasmos" os neoliberais de plantão.
HETERODOXAS (?)
GRÉCIA: As eleições legislativas na Grécia aconteceram em janeiro de 2015, e a configuração mudou sensivelmente: O partido centro- esquerdista Syriza obteve a maior votação e conquistou 149 dos 300 lugares. O novo Primeiro-ministro  e líder principal do Syriza, Alexix Tsipras elegeu-se com o apoio dos "Gregos Independentes". Portanto, na Grécia o Consórcio partidário ND/PASOK  (Nova democracia e Partido Social-democrata Grego). 
ESPANHA: Na Espanha, o Partido Popular (PPE) foi o grande derrotado nas eleições regionais e municipais ocorridas no dia dia 24 de maio de 2015, a maioria dos eleitores rejeitou a política de austeridade fiscal do primeiro-ministro Mariano Rajoy cuja imagem tem sido sistematicamente arranhada em razão dos escândalos de corrupção. O PODEMOS (anti-neoliberal) e o "CIUDADANOS" (centrista) conseguiram grandes vitórias em quatro das principais cidades espanholas: Barcelona, Madri, Zaragoza e Valencia. O PPE e o PSOE (Social-Democrata), os principais partidos que tem se revezado no governo desde a redemocratização em 1975 viram suas votações encolherem conquistando apenas a metade dos eleitores. As eleições gerais, marcadas para novembro de 2015, poderão destituir do comando do governo espanhol o PPE e, ao mesmo tempo, rejeitar a que até então poderia ser uma alternativa previsível, o PSOE.
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